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Gentrificação e verticalização de Porto Alegre seguem como 100 anos atrás, afirma pesquisadora

Autora de histórias em quadrinhos que retratam urbanização da capital, Ana Luiza Koehler teve obra selecionada como leitura obrigatória no vestibular da Fuvest

Gentrificação e verticalização de Porto Alegre seguem como 100 anos atrás, afirma pesquisadora
Ana Luiza Koehler reproduz cotidiano da Porto Alegre do século passado em HQs | Foto: Arquivo pessoal

Que existe uma enorme diferença entre a Porto Alegre de agora e a de 100 anos atrás não há dúvida. Porém, a forma como essas mudanças ocorreram e seguem ocorrendo, por meio de decisões políticas que levam à gentrificação e à verticalização da cidade, tem sua semelhança. É o que mostra a arquiteta, mestre em planejamento urbano e ilustradora Ana Luiza Koheler em suas obras Beco do Rosário e Viaduto

Em 2025, Beco do Rosário foi anunciado como leitura obrigatória do vestibular da Fuvest, um dos mais concorridos do Brasil, para o período entre 2030 e 2033. Algo que, para Koehler, pode significar uma mudança no olhar sobre as obras em HQs, aptas a tratarem dos mais diferentes temas, inclusive a urbanização não pacífica da Porto Alegre do século passado. 

Ambas histórias em quadrinhos se passam na Porto Alegre entre os anos 1920 e 1930, momento no qual a cidade se expandiu por meio de grandes obras urbanas – que causaram a remoção forçada dos menos favorecidos e de negros do Centro. Algo que, na avaliação dela, remete ao presente: 

“Os processos de gentrificação e verticalização urbanas, comandados pela especulação imobiliária, seguem firmes e fortes, com a diferença de que, em 2025, as mudanças climáticas só agravam o caráter desumano e insustentável dessa dinâmica.” 

Leia a entrevista: 

Tiago Medina: Como foi receber a notícia de que Beco do Rosário passou a ser leitura obrigatória em um dos principais vestibulares do país? Já deu tempo de elaborar? 
Ana Luiza Koehler:
A notícia veio numa hora em que eu estava precisando muito de um incentivo, só não imaginaria que iria ser algo desse tamanho. Fazer quadrinhos autorais é um enorme desafio não só aqui no Brasil, e eu estava num momento de muito desânimo quando a notícia veio. Saber que o valor de Beco do Rosário como uma obra que inspira reflexões que são consideradas importantes para quem quer ingressar numa das maiores universidades do país é um reconhecimento enorme para mim.