Olá! Na semana passada, revelamos que a prefeitura de Porto Alegre levava, em média, 102 dias para verificar denúncias de focos de dengue, um prazo dez vezes mais longo do que o ciclo de vida do mosquito. Hoje, o repórter Pedro Pereira mostra o que ajuda a explicar essa lentidão: enquanto os casos da doença cresceram 350% na capital desde 2022, o quadro de agentes de combate segue estagnado.
Nesta edição, também mostramos o painel feito na Cidade Baixa em homenagem ao ganhador do Globo de Ouro Wagner Moura, destacamos os futuros campi do Instituto Federal a serem abertos no RS e repercutimos o recorde de denúncias trabalhistas em 2025.
Quinta é dia de estreias no cinema, e Roger Lerina resenha Águias da República, filme que encerra a Trilogia do Cairo, do diretor Tarik Saleh. Além disso, Nanni Rios escreve sobre a crise venezuelana vista de baixo, a partir do romance Voltar a quando, de Maria Elena Morán. E Juremir Machado da Silva analisa a nova desordem mundial sob a política do confronto de Trump.
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Casos de dengue crescem 350% em Porto Alegre, mas número de agentes é insuficiente
Dados do painel de casos de dengue da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) revelam que o número de ocorrências explodiu em Porto Alegre a partir de 2022, com alta de 350% até 2025. O ano passado, aliás, foi o mais crítico em casos e mortes, com mais de 23 mil confirmações da doença e 25 óbitos. Em 2026, a capital inicia o ano com índice crítico de infestação em 33 bairros. Os demais estão em níveis mais brandos.
Mesmo com o cenário grave, um cruzamento de dados realizado pela Matinal mostra que a quantidade de agentes de combate a endemias (ACEs) quase não mudou desde então. Com um quadro de 100 profissionais, Porto Alegre tem 11% do efetivo recomendado pelo Ministério da Saúde, que indica ser necessário um agente para cada 800 a mil imóveis.
O Conselho Municipal de Saúde (CMS) avalia que a estratégia do município para o combate à doença é falha. “Não se consegue fazer o trabalho de prevenção e promoção, que é fundamental para a situação da dengue”, disse o órgão. Para o CMS, falta planejamento nas ações.
A SMS, por meio de nota, não respondeu se considera o número de ACEs suficiente e afirmou que “o trabalho de identificação e eliminação de criadouros é realizado de forma conjunta por equipes técnicas da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), agentes de fiscalização e as equipes de Atenção Primária à Saúde, que contam com 519 agentes comunitários de saúde (ACS) e demais profissionais das unidades de saúde”.
Leia a reportagem completa:

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
IF terá novos campi no RS, com Porto Alegre recebendo polo para a saúde
Se tudo seguir como o previsto, o Rio Grande do Sul terá mais nove campi de institutos federais em funcionamento a partir de 2026. A meta é que cada unidade ofereça, em média, 1,4 mil vagas, a maioria em cursos técnicos integrados ao Ensino Médio. O plano, anunciado em 2024, ainda depende de aval do Congresso e prevê a criação de 16,3 mil cargos.
Uma das novas unidades do Instituto Federal será em Porto Alegre, com foco na área da saúde. O local já está definido, em terreno doado pelo Grupo Hospitalar Conceição. A previsão é iniciar ainda em 2026 a oferta do curso técnico em Enfermagem e, depois, ampliar gradualmente com outros cursos técnicos, graduações e pós-graduações, além de formações em TI aplicada à saúde. Esta reportagem de GZH detalha as novidades.
Depois da enchente e em pleno emprego, MPT recebe recorde de denúncias
O Ministério Público do Trabalho do RS (MPT-RS) recebeu, em média, 852 denúncias por mês em 2025 e terminou o ano com 10.235 registros, alta de 23% em relação a 2024 e um recorde na instituição. O órgão informou que a maioria dos casos teve solução extrajudicial; foram 242 ajuizamentos. Além disso, 789 termos de ajuste de conduta foram assinados e mais de R$ 28,5 milhões em multas e indenizações foram destinados a projetos de reparação por danos morais coletivos e difusos.
O procurador-chefe do MPT-RS, Antônio Bernardo Santos Pereira, atribuiu o aumento à “normalização da vida no estado” após a enchente de 2024 e ao quadro de pleno emprego. Para ele, a ampliação de postos de trabalho “naturalmente atraiu denúncias” voltadas à melhoria das condições laborais e à garantia de direitos em vínculos recém-estabelecidos.
Grafite na Cidade Baixa homenageia Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro
Dois dias depois de vencer o Globo de Ouro 2026 na categoria de melhor ator de drama pela atuação em O Agente Secreto, Wagner Moura foi homenageado na Cidade Baixa. O artista que interpreta Marcelo, personagem que foge de um passado misterioso no longa de Kleber Mendonça Filho, foi retratado na parede de um empreendimento do bairro boêmio. Quem assina o grafite é Filipe Harp.
O painel está localizado na esquina das ruas José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, em frente ao bar Opinião. A cerca de 200 metros dali, o cinema brasileiro também já foi homenageado, quando Harp grafitou, em fevereiro de 2025, a imagem da atriz Fernanda Torres segurando a estatueta do Globo de Ouro de melhor atriz daquele ano, abaixo da frase “Ditadura nunca mais”.
Para Marinês Vargas, dona do empreendimento que cedeu o espaço para o grafite em referência a Wagner Moura, a arte contribui para o embelezamento da cidade e do próprio negócio. Ela conta que costuma permitir a prática no local, o que pode inibir possíveis vandalismos, devido ao caráter de valorização do patrimônio proporcionado pelo trabalho.
OUTRAS NOTÍCIAS
A Unisinos está oferecendo 65 bolsas, a maioria integral, para alunos de ações afirmativas. Interessados podem consultar o edital, que estabelece prazo de inscrições até amanhã à noite.
Pela primeira vez desde 2014, a prefeitura irá construir uma nova escola de Ensino Fundamental. A estrutura ficará no bairro Mario Quintana. Serão investidos 14 milhões na obra; a maior parte dos recursos é do PAC.
Porto Alegre teve 2,7 mil eventos em 2025, o maior número desde 2019, ano pré-pandemia, quando 3,1 mil atividades foram realizadas no município. A contagem considera somente a programação sob supervisão da prefeitura.
A Descida da Borges, marco de abertura do Carnaval 2026 em Porto Alegre, ocorre amanhã, às 18h, entre a Esquina Democrática e o Mercado Público.
Conflitos entre pessoas em situação de rua e a presença de catadores na Cidade Baixa têm preocupado moradores e comerciantes do bairro.
Ao longo do ano passado, Porto Alegre registrou 59 assaltos a ônibus, leve queda com relação a 2024, quando houve 61 ocorrências. Em dez anos, a redução supera 90%.
A Defensoria Pública do RS denunciou violações de direitos de mulheres e crianças no Presídio Madre Pelletier. Segundo o órgão, a instituição tem vedado televisitas às crianças com mais de seis meses, sob a guarda de familiares de apenados.
E teve ação da PF no RS ontem, quando agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Juremir Machado da Silva demonstra espanto diante da nova desordem mundial, marcada principalmente pela “política do dedo do meio” de Trump.

Voltar a quando
Naquele 3 de janeiro de 2026, estimulada pelo noticiário, comecei a ler Voltar a quando, de Maria Elena Morán, escritora venezuelana radicada no Brasil, nascida em Maracaibo, capital do estado de Zulia, a 700 quilômetros de Caracas, próximo à divisa com a Colômbia.
O romance conta a história de uma família venezuelana (Nina, Elisa, Graciela, Raúl e Camilo) que outrora se via unida em torno dos ideais da Revolução Bolivariana, mas com o passar dos anos acabou destroçada pelos efeitos do regime chavista em seu país. “Quem decidia onde terminava a história de um país e começava a de uma família”, afinal?

CULTURA
Política e cinema se confundem em “Águias da República”

Exibido na competição oficial do Festival de Cannes deste ano, Águias da República (2025) encerra a Trilogia do Cairo do diretor sueco de origem egípcia Tarik Saleh. O suspense político acompanha os perigos que um ator de cinema enfrenta quando é forçado a estrelar um filme glorificando o ditador do seu país, em uma intriga que envolve chantagens palacianas, um romance proibido com a esposa de um general e a impiedosa vigilância do Estado. Leia a resenha de Roger Lerina.
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