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Adeus, ano longo, feliz Ano Novo

Algumas razões para abraçar 2026 com certa pressa

Adeus, ano longo, feliz Ano Novo
A despedida do ano segundo o GPT

O ano de 2025 está no fim. Mas ainda não terminou neste momento em que escrevo. Agoniza, resiste, faz estragos. É incrível como os últimos dias, horas, minutos ou segundos de um ano podem ser perigosos.

Aproveito e digo depois de uma longa caminhada (no parque): adeus, ano longo. Um ano interminável de perdas na família, amigos queridos que partiram cedo demais e que nos mergulham numa saudade sem medida.

      Não digo, adeus, ano velho, já vai tarde, mas não tento frear o tempo, não só por saber da impossibilidade da tarefa, mas por vontade de mudar, de saltar no abismo da renovação e sair de banho tomado.

      Feliz Ano Novo, que 2026 seja mais leve, mais tolerante, menos rigoroso e, sobretudo, mais tranquilo, sem tantos ventos e tantas marés.

      Em 2026 tivemos a condenação de Jair Bolsonaro e da sua tropa de golpistas amadores, um exército de Brancaleone, alguns já de pijama.

      A cadeia despertou neles doenças que existiam em segredo. O Congresso Nacional tratou de aprovar um perdão sem nome de anistia, que ainda passará pela mão do presidente da república, que promete vetar, mas terá o seu veto derrubado pelo parlamento. E assim está quase encerrada essa novela, folhetim mal escrito de longa duração, grande audiência e muita loucura.

      Em 2026, teremos o peso das eleições presidenciais. Lula versus um representante da direita, que muitos ainda sonham que seja Jair Bolsonaro. Por enquanto, é Flávio, um Bolsonaro de menor carga mobilizadora. O país, como sempre, estará dividido. É assim desde 1500, quando se dividiu entre os donos de casos e os invasores, que se nomearam descobridores, investiram no marketing e contaram a história como uma epopeia civilizadora.

      Adeus ano interminável, levas contigo alguns dos meus sonhos, entre os quais o de ser tricampeão da América com o Internacional de Roger.

      Para 2026 tenho muitos desejos, alguns sonhos e dois ou três projetos: ver o Brasil ganhar a Copa do Mundo, ainda que com treinador italiano, o que fere meu nacionalismo esportivo, escrever um romance na solidão das primeiras horas de cada dia, marchar de passo certo ao lado dos meus na busca de um presente feliz feito de encontros sem despedidas.

      Contentar médicos, andando a passos rápidos, quem sabe 5 km/h, ouvindo os pássaros da Redenção e o silêncio da minha mente planejando o próximo capítulo. Não quero muito, peço pouco, exijo cumprimento de acordo.

      Termino 2025 agradecendo aos que estiveram mais um ano comigo. Parafraseando o poeta Cesar Vallejo, um dos que mais admiro, há pessoas tão boas na vida, eu não sei!? São pessoas que colocam afetos acima de ideologias, confiança além de resultados, admiração em lugar de colunas Excel, a poesia acima da prosa cinza das segundas-feiras, a alegria dos encontros casuais muito acima dos compromissos agendados no celular.

      Adeus, ano longo, que 2026 seja vasto como os dias, curto como os séculos, ou o contrário, e passe como uma brisa que se quer reter.

      Apesar de tudo, houve dias de felicidade.

      Feliz Ano Novo a todos!

      Que as manchetes de 2026 sejam todas assim:

“Taxa de desemprego cai para 5,2% em novembro, a menor da série histórica”.  

Juremir Machado da Silva

Juremir Machado da Silva

Jornalista, escritor e professor de Comunicação Social na PUCRS, publica semanalmente a Newsletter do Juremir, exclusiva para assinantes dos planos Completo e Comunidade. Contato: juremir@matinal.org

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