Poema foi escrito na segunda metade dos anos 1960 e publicado na antologia Poemas do amor maldito, de 1968. Nos arquivos de Walmir Ayala existe uma versão datilografada em que aparecem alteradas três ou quatro palavras e duas estrofes, versão que agora é publicada de modo inédito pela Parêntese.
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Renato Rosa
Marchand, dicionarista e artista visual
FALUS – altíssima águia, a lava surta
no prévio Adamastor, longa sereia
de cristos oceânicos, patena
suspensa, muito mais, muito mais leve
que o leve coração da paina leve,
mais leve que o luar, muito mais leve
que a alva neve.
FALUS – retrocedido responsório
de palpitante agrado, atra serpente
ardida, fênix renascida
entre ninhos de carne e de açucena,
deposto onde se fecha num sacrário
o rio da carne, onde a corola aflora,
onde o pássaro se urde em terciopelo,
onde roçam plumagens contra chamas,
onde soçobram noites constelares,
onde mares são guizos contra mares,
onde leões se curvam contra pombas
e as patas têm espinhos jugulares.
FALUS – rocha de amor, macio arbusto
de sombra e de salsugem, maresia
dourada de pelagem mais que seda,
carne febril, rocio que sacia
longas maturações de noite abril;
falus secreto, proibida ponte
de toda a glória, rábida serpente
dona de altos desertos mais que infindos.
Falus, cetro, cariátide sofrida
para suporte de altos universos,
espírito dos próximos juízos,
caminho de outros lázaros voltados,
grinalda e louro, búfalo dormido
e irascível leopardo acometido.