Pular para o conteúdo

PUBLICIDADE

✉️ CarnaGlau no Fon Fon

Newsletter do Juremir # 200

✉️ CarnaGlau no Fon Fon
Glau Barros no CarnaGlau do Fon Fon

OFERECIMENTO:
OFERECIMENTO

CarnaGlau no Fon Fon

Há nove anos, no Fon Fon, bar de boa música na Vieira de Castro, no Bom Fim, Glau Barros anima um carnaval que faz pensar nos lindos bailes de salão de outrora. Ela conta com as participações de Gelson Oliveira e Gil Collares. Neste ano teve também Paulinho Parada. Nos instrumentos, Marco Farias (teclado), Silfarnei Alves (violão) e César Audi (percussão). Assessoria de imprensa da Sílvia Abreu. Produção do meu amigo Celso Dias.

Teve até concurso de fantasia. Fui requisitado para o júri. Gosto da alegria íntima desse baile que condensa reflexos de outros tempos, como se o carnaval fosse uma máquina que conjuga dois tempos, um, eterno, do passado que não passa, nem deve, e outro, do presente, que nos resgata para momentos de suave alegria, como se o Inter fosse voltar a ser o de 1975, 1976 e 1970, com marchinhas e clássicos da MPB. Glau Barros é uma baita cantora.

No CarnaGlau tem trenzinho como nos bons tempos

O carnaval migrou totalmente dos salões para as ruas. Porto Alegre, depois de um tempo de proibição ditado pelo prefeito municipal, voltou a ter festa em alguns dos seus bairros. O senador evangélico Marcos Feliciano acha que carnaval é “bacanal a céu aberto”. Só tenho visto gente se entregando ao contentamento de balançar o corpo e vibrar com a vida. Antigamente tinha lança-perfume. Confesso que ver o pessoal fazendo trenzinho ao som de Bandeira branca me emociona. Tem algo de inocente nessa ode aos amores que se foram e aos tempos em que tudo valia a pena.

Carnaval de verdade sempre tem, lembrando Vinicius de Moraes, um pouco de insensatez. No meu caso, cada vez mais observador do que protagonista, a insensatez de achar que por algumas horas posso voltar às madrugadas do clube Cruzeiro do Sul, em Santana do Livramento, onde quatro noites inteiras de trenzinhos não pareciam esgotar a nossa viagem.

Sem dúvida, o que me encanta no carnaval é essa mistura de ingenuidade com ousadia, quando tudo parece possível, embora não se precise sair do seu quadrado, marcando a cadência do samba no tampo da mesa ou, para os mais atilados, com algumas incursões pelas pistas à disposição.

Já passei carnaval no Nordeste e no Rio de Janeiro. No Nordeste tem uma pegada maravilhosa do tempo da bisnaga de água e dos homens vestidos de mulheres. Era assim em nossa Fronteira Oeste quando eu tinha dez anos.

Nas capitais nordestinas o carnaval é uma sucessão de shows de artistas consagrados arrastando multidões com seus trios elétricos.

Nas cidades nordestinas do interior resiste uma atmosfera intemporal em que, como diria o antropólogo Roberto DaMatta, tudo se inverte.

Para mim, o mais envolvente do carnaval continua sendo essa ideia de que se suspende o tempo por algumas horas, alguns dias, alguns momentos.

É mágico saber que muita gente ainda passa o ano se guardando para quando o carnaval chegar, como a população da cidade pernambucana de Toritama, que passa o ano costurando jeans e se manda para o litoral em busca de folia quando chega a hora de vestir a fantasia e desertar.

Carnaval faz sonhar com a jornada 1 X 6.