
Coisa de rico e jeito de pobre
Originalmente uma tese de doutorado em antropologia, Coisa de rico (Todavia), de Michel Alcoforado, é um livro divertido e esclarecedor sobre os hábitos dos milionários e bilionários brasileiros. Para horror dos antropólogos, direi que se trata de uma excelente grande reportagem.
O autor mergulhou no mundo dos muito ricos para ver como eles vivem, o que comem, como se vestem, o que falam, com quem falam e como reconhecem os seus, os “de dentro”, e rejeitam os “de fora”. O fundo da coisa é tradicional: dinheiro velho e dinheiro novo, ricos de cepa e novos ricos ou emergentes. Uns têm grana e não têm modos nem berço. Outros podem ter berço e já não ter tanta grana.
Gastam boa parte do tempo classificando-se.
Até ser aceito como “antropólogo de rico”, Alcoforado gramou bastante. Era humilhado, menosprezado, despachado e enrolado a cada encontro. Escutava gracinhas do tipo “aproveite para comer”. Até que ouviu o conselho que lhe pavimentou o caminho para o seu objeto de estudo: “Eles sabem que você não sabe nada, querido [...], estuda, garoto”. Ele estudou.