Olá! Na semana passada, o governador Eduardo Leite celebrou 2025 como o ano mais seguro da história no RS. Embora índices relevantes tenham caído, o número de feminicídios aumentou. A repórter Valentina Bressan conversou com especialistas para entender o porquê disso e os caminhos para a redução da violência contra a mulher.
Tiago Medina noticia a recomposição do orçamento das universidades federais, que deverá ser assunto da visita de Lula ao estado hoje. No noticiário, abordamos também os resultados do exame nacional dos cursos de medicina e as notas das faculdades gaúchas, além de repercutir reportagem do Jornal Já sobre os laços entre a Reag, citada em investigações envolvendo o Banco Master, e a antiga concessão do Cais Mauá. Juremir escreve hoje sobre o livro que analisou os ricos brasileiros, enquanto Roger Lerina resenha a nova versão de O Beijo da Mulher Aranha.
Antes de seguir para a edição, compartilhamos uma boa notícia: a Matinal foi selecionada pela Abraji e o Instituto Talanoa para receber uma bolsa para a produção de uma reportagem sobre adaptação climática. O material será produzido pelas jornalistas Naira Hofmeister e Claudia Bueno neste ano.
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Em “ano mais seguro da história” do RS, feminicídios crescem e demandam respostas distintas
A queda nos indicadores criminais levou o governador Eduardo Leite (PSD) a classificar 2025 como “o ano mais seguro da história” do Rio Grande do Sul. Mas o feminicídio voltou a crescer no ano passado, mantendo um histórico de oscilações na última década.
Em 2025, 80 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. O aumento de quase 10% em relação a 2024, quando foram contabilizados 73 assassinatos com motivação de gênero, vai na contramão dos demais crimes violentos letais intencionais (CVLI) – como homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.
Desde 2019, o governo do estado vem utilizando um conjunto de medidas que conseguiram reduzir efetivamente os registros de CVLI. No entanto, apesar de políticas apresentadas, as ocorrências de feminicídio não apontam uma tendência consolidada de queda, ainda se mantendo instáveis ano a ano.
Para especialistas ouvidos pela Matinal, o combate ao feminicídio exige estratégias distintas – e ainda não plenamente executadas pelo governo. “Infelizmente, não depende só de um trabalho da polícia: precisamos trabalhar em rede”, afirma o delegado Juliano Ferreira, diretor do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis da Polícia Civil.
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O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Ministra anuncia recomposição do orçamento das universidades e institutos federais
O governo federal irá recompor o orçamento das universidades e institutos federais que tiveram recursos cortados na aprovação da Lei Orçamentária para 2026. A informação foi anunciada no início da noite desta segunda-feira pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Vice-reitor da UFRGS, o professor Pedro Costa celebrou a recomposição e elogiou a disposição do governo federal para com a educação. Entretanto, pontuou que a situação escancara a necessidade de um arcabouço legal para o ensino superior público.
“A garantia orçamentária é uma demanda que existe no âmbito das universidades e institutos federais, para que pudéssemos planejar a longo prazo, com estabilidade na composição do orçamento.”
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Três cursos de Medicina do RS ficam com nota insatisfatória no Enamed; UFCSPA e PUCRS alcançam conceito máximo
O Rio Grande do Sul teve três de seus 20 cursos de Medicina mal avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira. Univates, Ulbra e Atitus de Passo Fundo receberam nota 2 e, com isso, ficam suscetíveis a sanções por parte do MEC, como a proibição no aumento de vagas e a redução de vagas pelo Fies. Antes da aplicação de punições, as três faculdades terão 30 dias para apresentar a defesa ao MEC. Na outra ponta, os cursos de UFCSPA e da PUCRS alcançaram a maior nota no exame, 5. A UFRGS alcançou a nota 4, assim como outros sete cursos no RS.
Realizado pela primeira vez em 2025, o Enamed foi criado para avaliar a qualidade na formação de médicos no Brasil e é obrigatório para todos os estudantes do último ano. Ao todo, 351 cursos participaram da prova, com 243 alcançando bons conceitos e 107 ficaram mal avaliados. Um não foi avaliado em razão do baixo número de inscritos. Pouco mais de 89 mil estudantes se inscreveram para o exame.
Ligada ao Banco Master, Reag administrou Fundo de concessão anterior do Cais Mauá, de onde 130 milhões sumiram
A recente liquidação da Reag Investimentos e a prisão de seu fundador, João Carlos Mansur – alvos da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro e fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master –, trazem de volta um fantasma para as finanças gaúchas. Conforme revelou o Jornal Já, a Reag geriu, a partir de 2018, o fundo que detinha a concessão anterior do Cais Mauá, rescindida pelo Estado em 2019. O fundo, que captou R$ 130 milhões, encerrou este mês de janeiro com patrimônio líquido de R$ 0,00.
Onde foi parar o dinheiro? A maior parte dos recursos veio de institutos de previdência como o IPE Prev. Quando a Reag assumiu a gestão, em 2018, a Polícia Federal já apontava que R$ 40 milhões haviam sido consumidos pela gestora anterior (Icla Trust) em "despesas operacionais" sem nenhuma obra. A Reag alegou que assumiu para sanar irregularidades, mas os R$ 90 milhões restantes foram consumidos nos anos seguintes por taxas de administração, manutenção e desvalorização de ativos.
Embora o capital tenha sido integralmente perdido, o Colegiado da CVM absolveu, em dezembro passado, dez acusados de fraude no caso, classificando o episódio como "insucesso empresarial" agravado pela rescisão do contrato. Enquanto isso, o novo projeto do Cais (leilão de 2024) segue aguardando a assinatura do contrato, adiada pelas enchentes, com previsão de oficialização ainda neste trimestre.
OUTRAS NOTÍCIAS
Desde ontem, já estão abertas as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada, o Sisu.
O presidente Lula visita Rio Grande hoje, onde irá entregar 1,2 mil unidades habitacionais e assinar contratos da Petrobras para construção de navios no polo naval – o que deve gerar até 2,9 mil vagas de emprego.
O Rio Grande do Sul terminou 2025 com 91 trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão, conforme o Ministério Público do Trabalho.
A construção civil movimentou mais de 3,5 bilhões de reais em Valor Geral de Vendas em Capão da Canoa e Xangri-Lá em 2025.
Já Torres vive a situação de prédios mais antigos estarem sendo derrubados para darem lugar a construções mais altas.
Morreu ontem em Passo Fundo Volmar Santos, fundador da torcida gremista Coligay, a primeira organizada LGBTQIA+ do país.

Coisa de rico e jeito de pobre
Originalmente uma tese de doutorado em antropologia, Coisa de rico (Todavia), de Michel Alcoforado, é um livro divertido e esclarecedor sobre os hábitos dos milionários e bilionários brasileiros. Para horror dos antropólogos, direi que se trata de uma excelente grande reportagem.
O autor mergulhou no mundo dos muito ricos para ver como eles vivem, o que comem, como se vestem, o que falam, com quem falam e como reconhecem os seus, os “de dentro”, e rejeitam os “de fora”. O fundo da coisa é tradicional: dinheiro velho e dinheiro novo, ricos de cepa e novos ricos ou emergentes. Uns têm grana e não têm modos nem berço. Outros podem ter berço e já não ter tanta grana.
CULTURA
“O Beijo da Mulher Aranha” volta com Jennifer Lopez

O longa O Beijo da Mulher Aranha (2025) leva de novo às telas o romance homônimo do escritor argentino Manuel Puig, que já tinha sido filmado em 1985 por Hector Babenco. A produção é baseada na versão musical da história, com Jennifer Lopez no papel de uma diva do cinema que povoa os devaneios de dois homens presos na mesma cela. Leia a resenha de Roger Lerina.
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