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✉️ Crise de credibilidade absoluta

Newsletter do Juremir # 203


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Crise de credibilidade absoluta

Parece que ninguém mais acredita em instituições: STF, jornalismo, Polícia Federal, etc. O mais curioso é que, num tempo de descrença quase total, militantes só acreditam nas suas ideologias e nos seus partidos. Toda vez, por exemplo, que um jornal faz uma denúncia, o militante pensa: isso é bom ou ruim para qual partido, direita ou esquerda? A primeira questão nunca é aconteceu ou não aconteceu? O caso do Banco Master tem sido exemplar nesse sentido. Quem perde mais: petistas ou bolsonaristas?

Malu Gaspar, colunista de O Globo, é agente bolsonarista e quer derrubar o ministro Alexandre de Moraes para deslegitimar o STF e favorecer, quem sabe, a anulação do julgamento de Jair Bolsonaro, abrindo caminho para a volta do ex-presidente ao jogo? Ou só quer dar “furos” jornalísticos? Ela deveria ou não ter noticiado a suposta conversa por WhatsApp entre Daniel Vorcaro e Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro? Ou deveria ter considerado a quem isso seria prejudicial?

Jornalista tende a pensar por viés de profissão: Moraes conversou ou não com Vorcaro? Se conversou, está atolado, deve explicações e há algo de putrefato no reino da Dinamarca. Se não conversou, o que houve então?

O militante vai por outro caminho: se é bom para o seu lado, espalhe-se. Se não é bom, detone-se, inclusive o mensageiro. Mas aconteceu ou não?

Nesta época em que se suspeita de tudo, só as teorias da conspiração têm credibilidade. Como sou cartesiano metade do dia e pós-moderno na outra metade, desconfio de tudo, inclusive dos militantes, sempre tão focados na culpabilização dos adversários e na relativização das culpas dos seus parceiros. Alexandre de Moraes deve uma explicação para a nação: que serviços o escritório da sua esposa prestaria por R$ 129 milhões para o Banco Master? Pode isso, Moraes, quando se é cônjuge de ministro do STF?

Dias Toffoli deve um caminhão de explicações sobre suas transações com o Banco Master. Será que ele vai ter a cara de pau de participar do julgamento sobre a manutenção da prisão de Vorcaro? Se não podia ser relator do caso, pode ser julgador? Nesta época de desconfiança absoluta, ninguém se acha impedido de nada. A filosofia da nossa época é o cinismo vulgar. A nossa única lei é anti-kantiana: faça o que eu digo, que eu farei de outro modo, um modo contrário a tudo que prego, defendo e sugiro.

Militância e coerência não parecem andar de mãos dados. Um vazamento de informações é comemorado por um lado e odiado pelo outro. Quando o vazamento se inverte, os aplausos e vaias também mudam de lado? Ou isso é coerente? Cada parte tem seus corruptos e seus ditadores de estimação.

E assim todos os que se perguntam, antes de tudo, “aconteceu ou não aconteceu” vão se tornando velhos, ultrapassados, ingênuos, cândidos, anacrônicos, ouvindo vinis e relendo livros antigos. Os mais pragmáticos e atualizados sorriem e ensinam: a pergunta não é essa, parceiro.