E chegamos aos 81 anos da Elis Regina. Embora tenha saído de cena de forma trágica, ela continua mais presente do que nunca através de fundamental obra discográfica que, com o passar do tempo, não envelheceu, ao contrário, parece traduzir cada vez mais nosso caótico mundo.
A conheci tardiamente, lá pelos vinte e poucos anos. Tinha saído do interior do Rio Grande do Sul, onde só escutava a rádio local com seus “sucessos” do momento. Tudo mudou quando me chegou pela primeira vez O bêbado e a equilibrista, do João Bosco e do Aldir Blanc na voz de Elis. À época eu frequentava uma instituição religiosa em Santa Cruz do Sul. Pretendia ser padre. Em breve, tudo mudaria.
Entre minhas tarefas nessa instituição estava a de organizar um imenso armário embutido repleto de documentos antigos, cartas, livros, revistas, informativos. Como bom canceriano, coloquei mãos à obra, separando cada item por espécie, tipo, data, tamanho. E bem lá no fundo, quase tomadas pelo mofo, encontrei um punhado de fitas cassetes. A partir delas, entrei em contato profundo com Chico, Gal, Caetano, Bethânia, Gil, Ney. E com os álbuns antológicos Elis (1972), o de Casa no Campo; Elis (1973), que tinha O caçador de esmeraldas; com Elis & Tom (1974); o Elis (1977), de Romaria. Lembro de ter gastado a faixa 5 do lado B da fita Essa mulher (1979), As aparências enganam, de Tunai e Sérgio Natureza.