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16º Cine Esquema Novo: Arte Audiovisual Brasileira divulga selecionados da Mostra Competitiva Brasil

Evento gratuito ocorre de 25 de junho a 05 de julho em diversos espaços da cidade

O 16º Cine Esquema Novo: Arte Audiovisual Brasileira divulgou os selecionados para a Mostra Competitiva Brasil do evento que ocorre de 25 de junho a 05 de julho em diversos espaços de Porto Alegre, com entrada franca. Do total de 840 inscritos, 36 obras foram escolhidas para integrar a principal mostra da programação do festival. Foram mais de 346 horas de material avaliadas e eleitas pelo time de curadores formado por Dirnei Prates, Kamyla Belli, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. 

O festival que, há mais de duas décadas e dezesseis edições derruba as barreiras simbólicas e experienciais entre o cinema e as artes visuais para exibir obras tanto na sala de cinema quanto em museus, galerias e espaços públicos, reuniu em sua Mostra Competitiva obras que serão exibidas tanto em sala de cinema como em espaços expositivos. “O CEN é um festival que busca apontar para diferentes caminhos, tendo na experimentação, na pesquisa por novas estéticas e podemos até dizer, na vanguarda audiovisual, estabelecer relações entre obras e diálogo com o público, explorando também a experiência coletiva nos espaços em que são exibidas", afirmam os organizadores e curadores do CEN, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. 

O CEN mantém a linha que orienta o festival desde sua criação: a busca por obras audiovisuais capazes de provocar deslocamentos, com força autoral, invenção formal e risco estético. O interesse da curadoria não está apenas nas obras individualmente, mas também nas relações que elas estabelecem entre si e nas estratégias de exibição propostas ao público — seja na construção dos programas de sala, na ocupação de espaços expositivos ou na viabilização de performances ao vivo.

O Caderno de Artista, formato lançado em 2021 e repetido em 2025, segue em 2026. O Caderno de Artista é um ambiente online construído em parceria com cada um dos selecionados e estará disponível no site do CEN, em uma página dedicada ao universo criativo de cada artista. Nela, será possível compartilhar materiais sobre processos de criação, além de biografia, referências e entrevistas realizadas pela equipe do festival. “O Cine Esquema Novo sempre prezou pela construção cuidadosa das relações entre os filmes dentro da programação e pelo diálogo entre diferentes espaços. Os Cadernos de Artista ampliam essa experiência, aprofundando o contato entre obras e público”, destacam os organizadores do evento, que celebra 23 anos de existência em 2026.

A seleção conta com 6 projetos assinados por duos ou grupos, 13 realizadoras, 15 realizadores, além de artistas não-bináries. Temáticas como questões de memória, identidade, territorialidade, dissidência de gênero, fabulação política e relações entre corpo, arquivo e tecnologia, entre outras, pautam os títulos selecionados a partir de 12 Estados brasileiros, e oito produções assinadas por brasileiros realizadas no exterior (ou em coprodução internacional). A programação do CEN ocupará a Cinemateca Capitólio, Goethe Institut Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim, MACRS e Instituto Remanso. 

Um dos destaques da Competitiva Brasil é a Trilogia das Plantas, parceria entre Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança, composta por três obras complementares que imaginam uma insurgência vegetal e cosmologias indígenas em diálogo com ficção especulativa, instalação e performance audiovisual. Esta é a primeira vez que a Mostra conta com uma trilogia. Floresta do Fim do Mundo, segunda obra da trilogia, exibida no Forum Expanded da Berlinale, acompanha Suely, uma mulher indígena dividida entre a vida urbana e sonhos em comunicação com uma floresta em transformação, enquanto a terceira instalação da trilogia projeta um mundo pós-apocalíptico vegetal em uma experiência imersiva de múltiplos monitores.

A programação destaca o retorno de artistas já presentes em edições anteriores do Cine Esquema Novo, reafirmando trajetórias fundamentais do cinema de invenção brasileiro contemporâneo e de filmes de artista. Jonathas de Andrade, que ocupou o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza de 2022 e já esteve na programação do CEN com O Caseiro (CEN 2016), O Peixe em 2018, Jogos Dirigidos (CEN 2019) e La Joie Musculaire e Columbófilos em 2025, participa com os trabalhos Sorelle Senza Nome e Jangadeiros e Canoeiros, aprofundando sua investigação entre corpo, performance, imagem e fabulação política; Jean-Claude Bernardet retorna ao festival ao lado de Fábio Rogério em Mensagem de Sergipe, obra que atravessa humor, envelhecimento e experimentalismo; Lia Letícia e Pedro Severien apresentam Dynamite Som – O futuro é Lamento Negro, ficção especulativa atravessada por memória afro-brasileira e musicalidade. Lia já esteve nas edições de 2025, 2021 e 2019 do festival, com as produções Mar de Dentro, Per Capita e Thinya. Gustavo Jahn integra a seleção com dois trabalhos — Em Busca de S e Extra-Campo, As Sombras, este em parceria com Anna Dubosc — explorando o cinema como espaço de sonho, deslocamento e escrita íntima; enquanto Carlos Adriano exibe SEM TÍTULO #11: UM ANALECTO À MULA, novo capítulo de sua pesquisa de montagem, arquivo e poesia audiovisual. 

A relação entre memória, território e política atravessa obras como Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de Weyna Macedo, Lucas Parente, Adeciany Castro e Mariana Smith, realizado em película 16mm vencida, recuperando a história do massacre da comunidade liderada pelo Beato José Lourenço; Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique, documentário inteiramente construído a partir de arquivos sobre o fracasso histórico de um McDonald’s em Olinda; e Soldado sem Sono, filme de found footage assinado por Rafael de Almeida (que já esteve em 2025 com Tupananchiskama) que investiga o sono como última fronteira improdutiva do capitalismo contemporâneo, inspirado no pensamento de Jonathan Crary.

Os trabalhos também apontam para uma presença marcante de narrativas LGBTQIA+, especialmente em propostas que articulam gênero, corpo e experimentação formal. Em Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr., o luto e a velhice queer se transformam em um musical delirante inspirado nas chanchadas brasileiras e nos musicais de Busby Berkeley; Trivakra, de Sofia Angst, mistura biotecnologia, travestilidade e glitch art para discutir corporalidades dissidentes; Ainda escuto o céu embaixo d’água, realizado coletivamente por Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo, acompanha uma jovem travesti incapaz de sonhar; e Fale a ela o que me aconteceu, de Pethrus Tibúrcio, constrói um relato afetivo e subjetivo sobre desejo, violência e memória nas noites do Recife. Com dez prêmios acumulados em sua trajetória, o filme já foi exibido em festivais como Rotterdam, XPOSED Berlin, QueerCineMad e Festival de Havana.

Diversas obras utilizam o deslocamento físico ou emocional como motor narrativo. Antes do Nome, de Luiz Pretti, propõe um fluxo contínuo de reinvenção subjetiva e dissolução da individualidade; Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira (selecionades em 2021 com Periferucu), acompanha um jovem trans em busca do pai na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina; Logos, de Britney Federline, transforma uma viagem de carro em reflexão sobre memória, identidade e corporalidade trans; e Como Nasce Um Rio, de Luma Flôres, aborda autodescoberta sexual por meio de uma jornada poética junto à natureza.

Há ainda uma forte presença de filmes sobre o próprio cinema e suas fantasmagorias. Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles, investiga salas de cinema desaparecidas e a memória espectral das imagens; Adulto/Homem, de Pedro Diogenes, observa rostos de atores aguardando testes de elenco; A Biblioteca de Jorge Furtado, de Glênio Póvoas e Luiz Alberto Cassol, transforma livros e estantes em percurso pela criação do cineasta gaúcho; enquanto Organising Principles of Experience, de Gabriela Tropia, propõe um diálogo entre inteligência artificial e os escritos de Maya Deren para imaginar filmes impossíveis.

Também surgem obras marcadas pela fabulação poética e pelo cruzamento entre realidade e sonho. As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (que participou em 2009 com BOMBA), mergulha em encontros noturnos e fragmentos afetivos no centro decadente de uma metrópole; Mãe da Manhã, de Clara Trevisan, constrói um mito de criação em stop motion protagonizado por uma criatura não humana; Estátuas também morrem?, de Thais Fernandes, observa crianças interrogando monumentos comunistas em Budapeste; e Viagem no Tempo, de Pedro Bournoukian, usa um único vídeo doméstico para revisitar ausência, infância e memória familiar.

“A seleção da curadoria revela um panorama de obras que operam menos pela narrativa clássica e mais pela criação de atmosferas, estados de presença e experiências sensoriais. É uma arte audiovisual interessada em ruínas, arquivos, performatividade, memória política, ficção especulativa, deslocamentos identitários e novas formas de imaginar o mundo — ou o fim dele”, revelam os curadores.

Para a diretora do CEN e integrante do time curatorial, Jaqueline Beltrame, a seleção apresenta uma característica da curadoria do festival, que se repete ao longo das edições: “buscamos conhecer novos trabalhos e artistas, assim como acompanhamos a produção dos artistas que já integraram diferentes edições do Cine Esquema Novo”, declara. “É muito interessante, tanto para a curadoria, quanto para o público, acompanhar trajetórias através do festival. Desta forma o CEN colabora com a conexão dos artistas e os espectadores, afirma. 

A Mostra Competitiva Brasil premiará ao final do evento o Grande Prêmio 16º Cine Esquema Novo, de R$ 4.500,00, e 5 Prêmios Especiais do Júri, com troféu criado por Luiz Roque especialmente para o festival, além de outros prêmios que serão divulgados em breve. O Júri Oficial poderá outorgar até 5 prêmios, de forma livre, dentre todas as obras em competição e deverá ser divulgado em breve, assim como outras oito mostras, e o restante da programação, que inclui debates, seminário “Pensar a Imagem” e oficinas. 

Identidade visual da 16ª edição traz obra do artista Michel Zózimo

Durante diversas edições do CEN, artistas visuais foram convidados a criar o conceito de identidade visual do festival. Esse ano, Michel Zózimo assina a arte da 16ª edição, apresentando um exercício de deslocamento entre distintos campos que possuem as artes visuais como ponto de contato. Nota-se um interesse investigativo pelos elementos basilares das artes gráficas, pelos meios e processos de impressão e tipos de papéis. Inspirado em materiais gráficos das décadas de 1960 e 1970, tais como capas de livros, encartes de vinis, camisetas e cartazes de cinema, Michel optou pela produção de um desenho totalmente manual. 

“Pensei em muitas imagens ao realizar a arte para o 16º CEN, entre elas vinhetas e folhas de rosto de livros infantis, ilustrações de contos mágicos, cartazes de filmes antigos feitos à mão. As ilustrações do artista Carybé para a edição brasileira de 100 Anos de Solidão, de García Márquez, de 1978, produzidas com bico de pena, também foram referências conceituais que exemplificam como a estética de um trabalho de arte pode se deslocar para um outro meio. Isto posto, o que vemos é uma espécie de abertura que recebe todas aquelas e aqueles que chegam ao Festival. Animais de toda a sorte dão as boas-vindas e desejam que as coisas aconteçam da melhor forma possível”, revela o artista.

Seus desenhos, bordados, cerâmicas, colagens, esculturas e instalações partem de distintos assuntos, originários de pesquisas visuais que investigam acontecimentos naturais e oníricos, como que retirados de velhas enciclopédias impressas ou livros mágicos. Dentre os assuntos: a formação de pedras, a origem de vulcões e montanhas, a queda de meteoritos, os planetas que nos cercam, as estranhas formas de corais, conchas e árvores, a possível existência de objetos voadores não identificados, a execução de truques de mágica, as operações transformadoras da alquimia e da magia, as imagens que povoam pesadelos, os desenhos de tatuagem em estilo horimono e os filmes de ficção científica.

MOSTRA COMPETITIVA BRASIL – 16º CINE ESQUEMA NOVO - ARTE AUDIOVISUAL BRASILEIRA - SELECIONADOS

A Biblioteca de Jorge Furtado, de Glênio Póvoas e Luiz Alberto Cassol

A perdição de Lázaro, de Diego Paulino

Adulto/Homem, de Pedro Diogenes

Ainda escuto o céu embaixo d’água, de Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo

Antes do Nome, de Luiz Pretti

As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho

Cabeça, ombro, joelho e pé, de Vane Vane

Cavalo Serpente, de Priscila Smiths

Como Nasce Um Rio, de Luma Flôres

Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de Lucas Parente, Adeciany Castro, Weyna Macedo e Mariana Smith

Dynamite Som – O futuro é Lamento Negro, de Lia Letícia e Pedro Severien

Em Busca de S, de Gustavo de Mattos Jahn

Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles

Estátuas também morrem?, de Thais Fernandes

Extra-Campo, As Sombras, de Anna Dubosc e Gustavo de Mattos Jahn

Fale a ela o que me aconteceu, de Pethrus Tibúrcio

Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira

Interior, Dia, de Luciano Carneiro e Paulo Abrão

Jangadeiros e Canoeiros, de Jonathas de Andrade

Logos, de Britney Federline

Mãe da Manhã, de Clara Trevisan

Mensagem de Sergipe, de Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet

Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr.

O aço dos meus olhos, de Pedro B. Garcia

Organising Principles of Experience, de Gabriela Tropia

Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique

Sem Título #11: Um Anacleto à Mula, de Carlos Adriano

Soldado sem sono, de Rafael de Almeida

Sorelle Senza Nome, de Jonathas de Andrade

Souvenirs (Ornamentos), de Gabriel Menotti

Terceira Montanha, de Tetsuya Maruyama

Trilogia das Plantas, de Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança

Trivakra, de Sofia Angst

Um Oceano Inteiro, de Bruna Dias e Carine Fiúza

Vasta Natureza de Minha Mãe, de Aristótelis Tothi e Inez dos Santos

Viagem no Tempo, de Pedro Bournoukian

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