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"A Voz de Hind Rajab" grita por socorro e pela vida em Gaza

Filme recria a tentativa de resgate de uma criança presa entre tiros e explosões

"A Voz de Hind Rajab" grita por socorro e pela vida em Gaza
Synapse Distribution/Distribuição

A Voz de Hind Rajab (2025) é um dos filmes mais devastadores já realizados. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional e vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, o longa da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania acompanha a luta desesperada de voluntários e socorristas para salvar uma criança palestina de cinco anos presa dentro de um carro sob fogo cruzado em Gaza. A produção reencena o episódio verídico com atores ⎯ mas a voz que pede socorro desesperadamente ao telefone é da menina real.

O filme dramatiza um evento trágico ocorrido em 29 de janeiro de 2024, quando o veículo que levava Hind Rajab e sua família para fora da cidade de Gaza foi bombardeado, matando o tio, a tia e três primos da garota. Hind e outra prima sobreviveram e conseguiram entrar em contato pelo celular com o Crescente Vermelho palestino para pedir ajuda, enquanto estavam sendo atacadas por um tanque israelense.

A prima também foi morta mais tarde, e Hind ficou presa no carro por horas ao telefone, enquanto os voluntários da organização humanitária tentavam de todas as maneiras coordenar um resgate, mantendo contato telefônico constante com a menina em meio a sons de tiros e explosões.

Synapse Distribution/Distribuição

Aplaudido por mais de 23 minutos na sua estreia no ano passado em Veneza, A Voz de Hind Rajab tem produção dos astros hollywoodianos Brad Pitt, Joaquin Phoenix e Rooney Mara. O longa é um dos concorrentes do brasileiro O Agente Secreto (2025) ao Oscar que será entregue no dia 15 de março.

Ao utilizar os áudios gravados naquela fatídica noite no território conflagrado, a produção conecta ficção e documentário, realidade e recriação ⎯ o que despertou algumas críticas, que questionam o uso da voz verdadeira da pequena vítima. "É o mesmo que dizer a alguém que encontrou o diário pessoal de Anne Frank em seu refúgio durante a Segunda Guerra que não é ético usá-lo, por se tratar de algo íntimo", argumenta e diretora e roteirista Kaouther Ben Hania em entrevista ao jornal O Globo, acrescentando: "Não é uma coisa confortável, reconheço, mas o que ela viu em suas últimas horas de vida e o que os palestinos vivem todos os dias também não é confortável".

A Voz de Hind Rajab é dilacerante e quase impossível de ser assistido por conta da revoltante crueldade de seu relato. O filme, no entanto, é urgente e necessário, convocando-nos a participarmos de uma espécie de luto coletivo. Como define a realizadora tunisiana dos também aclamados O Homem que Vendeu Sua Pele (2020) e As 4 Filhas de Olfa (2023), seu novo longa "é a história de nosso fracasso como humanos".

Synapse Distribution/Distribuição

A Voz de Hind Rajab: * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de A Voz de Hind Rajab:

Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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