O projeto Animal Invisível lança “Dendê” no dia 05 de fevereiro, segundo single do álbum Animal Invisível, com lançamento previsto para abril, em parceria com o selo nova-iorquino Nublu Records. A colaboração marca a entrada do projeto em um circuito internacional ligado ao jazz contemporâneo, à música experimental e às sonoridades globais — áreas nas quais a Nublu atua como referência, tanto como selo quanto como clube em Nova York.
Após a estreia com o single “Didi”, “Dendê” aprofunda a identidade sonora do projeto ao investigar a música instrumental brasileira a partir de uma abordagem contemporânea. A faixa se constrói sobre uma progressão harmônica sofisticada e mutável, equilibrando complexidade musical e fluidez rítmica, sem abrir mão do groove que atravessa todo o disco.
A sonoridade dialoga com a produção brasileira dos anos 1970 — baterias secas, guitarras em linha e arranjos orgânicos — filtrada por uma produção atual, com guitarras e baterias comprimidas, saturações sutis e texturas psicodélicas. As influências passam pelo cancioneiro popular brasileiro, com ecos claros de Tom Jobim, Moacir Santos e Arthur Verocai, sem recorrer a um tratamento nostálgico.
“Dendê” conta com uma formação enxuta. Na bateria, o pernambucano Arquetipo Rafa, que gravou a faixa em seu estúdio caseiro durante a pandemia. No baixo, Pedro Dantas, parceiro recorrente de Guri Assis Brasil ao longo do álbum. Guitarra e piano ficaram a cargo do próprio Guri. A música também recebe um arranjo de cordas escrito por Guri Assis Brasil e Gilberto Ribeiro, executado por um quarteto comandado por Aramys e gravado em Campinas (SP).
Guri Assis Brasil já tocou com Céu e OTTO e gravou com Caetano Veloso e Gal Costa. A parceria com a Nublu Records surge a partir de sua relação de mais de uma década com OTTO e do contato com Ilhan, músico e fundador do selo, que mantém histórico consistente de diálogo com a música brasileira.
Somente ao final, o título da faixa revela sua camada mais íntima. Apesar do nome, “Dendê” não faz referência ao azeite nem a um ritmo específico, mas a uma homenagem pessoal. A música foi composta durante a pandemia, na sala de casa, na companhia do cachorro de Guri, que permaneceu atento enquanto a progressão harmônica da faixa se desenvolvia.
“Assim como todas as músicas desse disco, ela também foi feita na sala, na companhia do meu cachorro. Ele não fala nenhuma língua, mas se comunica com os olhos e gestos. Comecei a tocar, ele encostou a cabeça na minha perna e ficou ali”, conta o músico.