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Bloco Desculpe o Auê carnavaliza Rita Lee em cortejo de estreia

Grupo com mais de 30 integrantes homenageia a rainha do rock nacional neste domingo (22/3)

Bloco Desculpe o Auê carnavaliza Rita Lee em cortejo de estreia
Ensaio aberto do Desculpe o Auê na Casa de Cultura Mario Quintana | Foto: Taís Barros

A pulsante cena dos blocos de carnaval de Porto Alegre ganha sonoridades roqueiras neste domingo (22/3), a partir das 14h30, no primeiro cortejo do bloco Desculpe o Auê – o local será divulgado aqui, na véspera da saída. Com mais de 30 integrantes, o grupo celebra o legado de Rita Lee em seu repertório, combinando sopros, percussões, performances e os músicos da banda cover Mania de Rita.

Kellin Mello, vocalista da Mania de Rita | Foto: Taís Barros

Uma das idealizadoras do bloco, Laís Ribeiro conta que a ideia de homenagear Rita Lee surgiu enquanto assistia a um show do Mania de Rita, liderado pela cantora Kellin Mello. “Amei tudo, desde a execução das músicas até a performance. Na segunda vez que assisti à banda, ‘ataquei’ a Kellin e falei meio brincando, meio sério (sobre criar um bloco dedicado a Rita Lee). A resposta foi sim, e ela comentou, inclusive, que já tinha pensado nisso. Um encontro cósmico de duas pessoas que já tinham imaginado a mesma coisa”, recorda Laís, que toca xequerê no bloco.

Laís Ribeiro, uma das idealizadoras do bloco | Foto: Taís Barros

Em agosto de 2025, a ideia começou a ganhar forma em encontros de Laís e Kellin com a produtora Daniela Lemes. Em seguida, juntaram-se Vini Silva, regente do Bloco da Laje, para comandar a bateria, e Tiago Fischer, responsável pelos arranjos de sopro. O grupo vem crescendo e conta hoje com 34 integrantes. Dois ensaios abertos já foram realizados, chamando a atenção do público carnavalesco da cidade – tanto que o cortejo de estreia foi viabilizado coletivamente por uma rifa, divulgada nas redes sociais do bloco e da banda Mania de Rita.

Segundo Laís, o repertório impõe desafios tanto para a banda, que precisa se adaptar ao conjunto formado por dezenas de instrumentistas, quanto para os naipes de sopro e bateria, que zelam por adaptar a obra de Rita Lee sem descaracterizar as versões originais de músicas como Ando Meio Desligado, Chega Mais e, claro, Desculpe o Auê.

“Todos nós, mesmo os mais experientes em carnaval, subestimamos um pouco a complexidade disso. Dá muito trabalho! Afinal, a gente está falando de Rita Lee, de um rock muito criativo e único que precisa ser carnavalizado sem perder a essência. Num primeiro momento, achávamos que daria para fazer o cortejo em janeiro. Mas a adaptação das músicas e a complexidade da produção nos fez reorganizar o calendário”, explica.

Foto: Taís Barros

A admiração do bloco por Rita Lee, segundo Laís, se deve especialmente à liberdade estética e comportamental que a artista demonstrou em toda sua trajetória. “Ela nunca se apegou a um único estilo, e é isso que nos faz querer e sentir que podemos fazer um carnarrock também. Mas não para por aí. Também a liberdade de comportamento, que impactou diretamente a liberdade feminina. Tudo isso com muita personalidade, deboche, ironia, humor e capacidade de rir de si mesma, como no próprio nome do nosso bloco. Imagina morrer de ciúme, fazer um auê e depois escrever uma canção dessas? Rita Lee é incrível, e é uma honra poder celebrar a obra dela.”

Vini Silva, regente da bateria | Foto: Taís Barros
Cortejo do bloco Desculpe o Auê
Quando: 22 de março (domingo, a partir das 14h30)
Onde: local a ser divulgado no perfil do bloco no Instagram
Gratuito

Ricardo Romanoff

Repórter e editor de Cultura na Matinal. Também é tradutor, com foco em artes e meio ambiente, além de trompetista de fanfarra nas horas vagas. Contato: ricardo@matinal.org

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