A história começa em 1931, quando João Batista Tezza deixa o interior de Santa Catarina para se alistar no Exército em Florianópolis. Pouco depois, já no quartel, o jovem de 20 anos incompletos passa a registrar cartas, telegramas e documentos em cadernos que, décadas mais tarde, inspirariam o filho, Cristovão Tezza, a escrever Visita ao Pai (2025).
“Assim como levei mais de 20 anos para escrever sobre meu filho Down (em O Filho Eterno, romance vencedor do Prêmio Jabuti), esperei passar dos 70 para enfrentar meu pai. Eu sempre brinco com a ideia de que a literatura é como a vingança: tem de ser produzida a frio”, conta o escritor à Matinal – leia a entrevista a seguir.

Tezza tinha apenas 6 anos quando o pai faleceu, após colidir sua lambreta com uma Kombi, no município de Lages (SC), em 1959. Já adulto, o escritor folheou diversas vezes os cadernos do progenitor – 26 ao todo, dos quais quatro se perderam –, sem encontrar maneira de transformar em livro a documentação de caráter cartorial produzida pelo pai. Mas o “impulso da maturidade”, nas palavras de Tezza, o mobilizou a revisitar os cadernos e estabelecer diálogos entre trajetórias.