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"Digger" satiriza os poderosos que podem destruir o planeta

Tom Cruise é um magnata do petróleo no filme do diretor Alejandro G. Iñárritu

"Digger" satiriza os poderosos que podem destruir o planeta
Warner/Divulgação

O cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu volta a investir na sátira em Digger (2026), comédia que mostra Tom Cruise quase irreconhecível caracterizado como um ambicioso e patético bilionário do petróleo cuja ganância pode levar ao colapso climático definitivo do planeta. O elenco estelar desse filme tão megalomaníaco quanto seu protagonista conta com nomes como Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stulhbarg e Jesse Plemons.

Na história, Digger Rockwell (Cruise) é um excêntrico magnata que vê seu império do óleo balançar após uma tragédia: por causa da exploração predadora em sua base de extração na Groenlândia, uma explosão desprende uma colossal geleira que ruma rapidamente em rota de colisão com a costa norte da Europa. O desastre ecológico resultante ameaça desencadear um conflito geopolítico mundial de escala nuclear.

Em vez de assumir a culpa pela negligência, o empresário resolve usar sua imensa fortuna e conexões com poderosos como o estúpido presidente dos Estados Unidos (Goodman) para controlar a narrativa sobre o desastre. Constrangendo seu executivo de segurança ambiental (Ahmed) a auxiliá-lo, Digger tenta emplacar seu plano para conter os danos e manipular a opinião pública.

Warner/Divulgação

Não é possível adiantar muito mais do que isso porque a trama inclui artifícios metalinguísticos e reviravoltas rocambolescas cujo objetivo é surpreender o espectador. Como nos anteriores Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades (2022) e, especialmente, Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014), o diretor Iñárritu questiona em seu novo filme as possibilidades da ficção e as fronteiras entre realidade e fabulação.

Em Digger, o oscarizado diretor cria uma farsa política misturando temas contemporâneos candentes como emergência climática, extrema-direita ascendente, capitalismo transnacional predatório, pós-verdade e manipulação tecnológica. O tom histriônico, estridente e frenético da narrativa, porém, dificultam o engajamento com essa alegoria bufa que remete ao clássico Dr. Fantástico (1964), genial paródia sobre a paranoia atômica no auge da Guerra Fria dirigida pelo mestre Stanley Kubrick.

Digger parece feito por encomenda para Tom Cruise provar que é mais do que o eterno herói vigoroso das franquias de ação Missão: Impossível e Maverick. Envelhecido e engordado graças à maquiagem, o ator consegue efetivamente dar substância e interesse a seu megavilão tão prepotente quanto ridículo, cacifando-se para quem sabe levar enfim o Oscar de atuação. O excesso de maneirismos dessa superprodução de US$ 125 milhões transbordante de excentricidades e efeitos visuais, no entanto, compromete qualquer pretensão outra que não seja a de exibir o suposto virtuosismo de Iñarritu na direção.

Warner/Divulgação

Digger: * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Digger:

Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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