A partir do dia 23 de fevereiro estarão acontecendo na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo diversas oficinas, ciclos de estudos e laboratório. Um dos grupos de teatro mais longevos do país, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, criada em 1978, sempre se pautou pela afirmação da diferença, da independência em relação ao mercado e às estruturas de poder, com encenações caracterizadas pela ousadia e liberdade criativa.
As suas três principais vertentes são o teatro de rua, nascido das manifestações políticas – de linguagem popular e intervenção direta no cotidiano da cidade – o teatro de vivência, no sentido de experiência partilhada, em que o espectador se torna participante da cena – e o trabalho artístico pedagógico, desenvolvido em sua sede, a Terreira da Tribo, e outros bairros populares junto a comunidade local.
Datas, horários e sinopses de cada atividade:
Oficina de música para teatro – de 23 a 27 de fevereiro, das 19h às 22h
20 horas/aula e 15 vagas
Elementos de musicalização, ritmo e canto para trabalho em cena. Conhecimento musical básico para inclusão da música na criação teatral. Parâmetros da música: altura, duração, intensidade, timbre. Prática de canto coral em conjunto. Criação musical coletiva como ferramenta de trabalho com a cena. Na primeira parte serão trabalhados música e corpo, música e gesto: ritmo de fala, percussão corporal e instrumental em conjunto. Reconhecimento e consciência dos parâmetros da música, como altura, duração, intensidade, timbre, além de aprendizagem rítmica e a musicalização como ferramenta na pedagogia teatral. Na segunda parte entram as possibilidades de uso da música na criação cênica, como canto coral - homofonia e polifonia; compassos, divisões e subdivisões rítmicas; forma musical, desenvolvendo trabalho de criação musical e uso do discurso e, por fim, notação básica de ritmo, trabalho coletivo de criação de cena com música.
Oficina de criação de máscara para teatro – de 2 a 6 de março, das 14h30 às 17h30
20 horas/aula e 15 vagas
Criação de adereços cênicos, como a máscara teatral, para ser utilizada como recurso da representação teatral. Aspectos práticos da construção da máscara em papel. Na primeira etapa terá a introdução aos principais tipos de máscaras, as técnicas para criação de molde positivo e o negativo e a preparação do molde positivo. Na segunda etapa serão estudados os materiais para modelagem, técnicas e ferramentas para modelar, a modelagem em si, com formação dos volumes, características dos personagens. Nas etapas seguintes acontece a introdução da técnica da cartapesta (uso de material papel, cola), confecção em cartapesta (colagem e prensagem das camadas de papel), aplicação de materiais para texturização, pintura, acabamento e finalização.
Laboratório de preservação de acervo teatral - de 2 a 6 e de 16 a 19 de março, das 19h às 22h
30 horas e 15 vagas
Recuperação, preservação e organização de documentos, figurinos, máscaras, adereços, cenografia e outros, que compõem um acervo teatral. Serão abordados conceitos gerais relacionados ao campo da preservação e conservação, áreas e estudos multidisciplinares relativos à conservação e a preservação de bens culturais. Num segundo momento a ideia é aplicar soluções práticas de preservação e viabilizar alternativas de conservação e recuperação de um acervo teatral, bem como práticas de higienização, execução de reparos dos objetos, elaboração de embalagens e capas de proteção. Por fim, classificação dos arquivos, organização arquivística dos objetos do acervo.
Ciclo de estudos sobre performance e memória na América Latina - de 9 a 13 de março, das 14h30 às 17h30
20 horas/aula e 15 vagas
Discussão sobre aspectos teóricos, históricos e críticos do teatro e da performance latino-americana em relação à memória, apresentando exemplos de performances da memória. A dupla compreensão de performance e como um fazer artístico que se desenvolve ao longo do século XX; a performance como prática que transmite saberes incorporados, memórias e sentidos de identidade, e que se manifesta em culturas espaço-temporais diversas. Ambas as compreensões não são dicotômicas e excludentes, mas complementares. Da perspectiva de Diana Taylor, trata-se de pensar a performance como ontologia e como epistemologia, ou seja, não apenas refletindo sobre o que ela é, mas também sobre o que ela faz e sobre como ela transfere conhecimentos. Por fim, exemplos de performances da memória na América Latina que promovem o protagonismo do corpo como suporte artístico e como tema para a rememoração: corpo político, violência e trauma marcados nos corpos.
Ciclo de estudos sobre teatro de grupo no Brasil - de 9 a 13 de março, das 14h30 às 17h30
20 horas/aula e 15 vagas
Estudo de trabalhos ou da trajetória artística de grupos ou companhias do teatro brasileiro tendo em vista a análise de seus projetos cênicos, de sua recepção crítica, ou de sua relação com a história da atuação, da encenação ou da produção teatral no Brasil. Estudo das diferentes formas de inserção de atores, grupos ou companhias teatrais no cenário artístico e cultural brasileiro, e análise das relações de produção e de criação teatrais desenvolvidas por atores, grupos e companhias. Em um primeiro momento serão estudadas as companhias e organizações teatrais no Brasil, do século XIX em diante, seguida da análise de exemplos de coletivos teatrais, suas produções e suas formas de organização.
Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo–
Aulas a partir de 23 de fevereiro. Toda programação é gratuita e aberta aos interessados. Oficinas com inscrições abertas pelo e-mail escola.terreira@gmail.com
Terreira da Tribo – Av. Pátria, 98 – Bairro São Geraldo
A programação faz parte do Projeto Ponto de Cultura Terreira da Tribo - Memória Atuante contemplado no Edital SEDAC nº 25/2024 PNAB RS - Cultura Viva.