Empena por empena, a quinta edição do Olhe pra Cima, festival de muralismo e arte pública de Porto Alegre, avançou na missão de transformar a capital gaúcha em uma galeria a céu aberto. Entre janeiro e março deste ano, cinco artistas brasileiros e uma chilena empregaram 1,3 mil litros de tinta para colorir mais seis prédios nos bairros Floresta, Centro, Cidade Baixa e Independência.
Neste fim de semana, serão realizadas duas caminhadas gratuitas de observação dos murais que integram o projeto, que já soma 19 obras espalhadas pelo espaço urbano de Porto Alegre. No sábado (2/5), o percurso será realizado das 9h30 às 12h30. No domingo (3/5), as pinturas serão contempladas das 14h30 às 17h30. O ponto de encontro dos passeios é a Casa de Cultura Mario Quintana – o site do festival recebe as inscrições. Nos dias 16 e 17 de maio serão realizadas mais duas caminhadas.
“Estes murais ressignificam a maneira como nos relacionamos com a cidade e também com a arte. Nosso convite é fazer com que a gente olhe pra cima e descubra ângulos novos da nossa cidade, que se transformou em uma galeria de arte a céu aberto – com arte pública, democrática e acessível para todos”, destaca Vinícius Amorim, curador, idealizador do festival e guia das caminhadas.
Uma ação em parceria com o Coletivo Abrigo, na Vila Elizabeth, leva novas intervenções até a zona norte, com uma obra feita por dez artistas no bairro Sarandi. Desta vez assinam o trabalho Bruno Schilling, Ashanti, Moskito, Guida, Michel Firma, Danielle Oliveira, Lemmmas, Bruna Rison, Olharte e Marília Tedesco da Rosa. A primeira ação realizada na região pelo Olhe pra Cima, juntamente com a organização social, foi após a enchente de 2024, também com o trabalho de dez artistas. O coletivo é idealizador do projeto Viva Elizabeth, que transformou a vila em uma rota turística de grafite, com obras de 36 artistas, ao longo de quase 2 quilômetros.
Até 9 de maio, uma exposição gratuita celebra os cinco anos do festival no Museu de Arte Contemporânea do RS (MACRS), em um dos bondes do espaço cultural, inaugurado em 2025 na rua Comendador Caminha. A mostra apresenta imagens do acervo do projeto, com registros de murais criados a partir de 2021.
Com as últimas intervenções, o projeto totaliza 8 mil metros quadrados de murais. Cada pintura leva cerca de 20 dias para ser concluída e envolve o trabalho de 60 profissionais, entre artistas, assistentes, produtores, técnicos, engenheiros e bombeiros.
Confira os seis novos murais do Festival Olhe pra Cima, pintados entre janeiro e março de 2026.
Jocelyn Burgos

De origem chilena, nascida no estado de Lota, Jocelyn Burgos é arquiteta, artista e arte educadora, e atualmente transita entre Concepción e São Paulo. O muralismo contemporâneo aparece em seus trabalhos desde 2010, e por meio dele cria imagens de atmosferas simbólicas, remetendo aos sonhos e convidando a refletir sobre a passagem do tempo.
Onde: Hotel Nacional Inn (Av. Otávio Rocha, 280 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)