A Fundação Iberê inaugura a exposição Pedro Escosteguy – Poesia, Vanguarda e Opinião neste sábado (26/9), às 14h. Com curadoria de Gustavo Possamai (Fundação Iberê) e Gustavo Nóbrega (Galeria Superfície) – que conduzem visita guiada, às 15h30 –, a mostra reúne, pela primeira vez, grande parte da produção visual de Pedro Escosteguy (1916-1989), acompanhada de publicações, documentos e registros de sua trajetória.

“As obras de Escosteguy revelam que a passagem da poesia ao objeto nunca foi uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo pensamento artístico. Ele mudou de linguagem sem abandonar suas questões fundamentais – liberdade, comunicação e participação. Talvez seja dessa coerência rara, entre poesia, objeto e vida, que sua obra continue a retirar sua força”, dizem Possamai e Nóbrega.
Nascido em Santana do Livramento, em 1916, Escosteguy foi poeta, artista visual, ensaísta e, por mais de 40 anos, gastroenterologista. Construiu uma obra marcada pela reflexão crítica e pela permanente experimentação entre palavra, imagem, objeto e participação.
Nome ainda pouco conhecido na cena cultural, Escosteguy teve participação relevante na vanguarda brasileira e contribuiu para a expansão dos meios e suportes tradicionais. Nos anos 1950, integrou o Grupo Quixote e tornou-se um dos principais articuladores da expansão da poesia para além do livro: poemas ilustrados, poemas projetados e ações públicas sob o lema “O povo tem direito à poesia”.

Nesse período, desenvolveu experiências com poemas registrados em filme para projeção. Essas experiências já revelavam seu interesse em ultrapassar os limites convencionais da página e explorar outros modos de relação entre palavra, imagem e leitor.
Em 1960, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde criou os Anticontos, narrativas extremamente breves que condensavam situações, imagens e ideias em poucas linhas. Sua produção aproximou literatura, crítica, artes visuais e pensamento político. Estabeleceu intensa interlocução com artistas como Antonio Dias, Rubens Gerchman, Carlos Vergara e Hélio Oiticica.
A inserção de Pedro Escosteguy nas artes visuais não significou o abandono da poesia. A palavra permaneceu elemento central de muitos de seus objetos, associada à imagem, ao movimento e à participação do público. Ele produziu quadros/objetos em que misturava formas abstratas e palavras de ironia e denúncia política, convocando a participação do público.

De volta a Porto Alegre, nos anos 1980, Escosteguy dedicou-se ao desenvolvimento de novos projetos literários, entre eles um livro de haicais e um tarô poético, que não chegaram a ser concluídos. Em 1988, publicou Relatório da Noite, reafirmando a permanência da poesia ao longo de toda a sua trajetória. Faleceu em Porto Alegre no ano seguinte, aos 73 anos.
Seu acervo começou a ser organizado, em 1991, pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, na casa que dividia com a esposa Marília Tavares Utinguassú, localizada na rua Jacinto Gomes, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Apesar desse trabalho de preservação, sua produção visual teve circulação bastante reduzida nas décadas seguintes.
Abertura: 26 de setembro de 2026, 14h
Visita mediada com a curadoria : 26 de setembro, 15h30
Visitação: até 28 de março de 2027
Onde: Fundação Iberê (Avenida Padre Cacique, 2000 – Cristal – Porto Alegre)
Horário de funcionamento: quinta a domingo e feriados, das 14h às 18h (última entrada)
Ingressos: R$10 meia-entrada, R$20 inteira e R$30 dois ingressos