Vencedor do Kikito de melhor documentário do Festival de Gramado deste ano, o ótimo Gonzaguinha, da Maior Liberdade (2026) recupera a vida e a obra de Luiz Gonzaga Jr. (1945 – 1991) por suas próprias palavras. Dirigido por Susanna Lira, o longa mescla dramatização, imagens e entrevistas de arquivos para conduzir uma viagem afetiva pela trajetória do cantor e compositor.
Por meio das canções de Gonzaguinha, poderosas radiografias sociais e políticas do Brasil de meados dos anos 1960 até fins dos 1980, o filme constrói uma narrativa que articula música e memória. A produção inclui a dramatização de duas entrevistas memoráveis do artista para o jornal alternativo Pasquim. Nessas cenas, Gonzaguinha é interpretado pelo ator André Dale – que já havia encarnado o filho de Luiz Gonzaga em Homem com H (2025), cinebiografia do cantor Ney Matogrosso.
Em Gonzaguinha, da Maior Liberdade, as canções funcionam como catalisadores de imagens de época, registros televisivos, fotografias íntimas e cenas do Brasil urbano. As contradições e fragilidades do artista também são abordadas – como a relação complexa com a fama, o peso de ser um filho rejeitado pelo Rei do Baião e a necessidade radical de afirmar uma identidade própria em tempos de repressão política.

“Ele transformou indignação em canção, crítica em melodia e que fez da música um território de disputa simbólica”, afirma a diretora Susanna Lira, reforçando a ideia de que Gonzaguinha nunca cantou para agradar.
Uma das maiores documentaristas do país, Susanna repete acertadamente em Gonzaguinha, da Maior Liberdade o mesmo expediente narrativo que usou em Fernanda Young – Foge-me ao Controle (2024), deixando que a história seja contada apenas pelas palavras dos próprios biografados, sem acrescentar depoimentos e análises de terceiros.
“Fernanda Young – Foge-me ao Controle” pinta retrato inquieto da autora

Gonzaguinha, da Maior Liberdade: * * * * *
COTAÇÕES
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