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Mariana Baraj, compositora argentina: “A percussão é tudo na minha vida”

Com trajetória internacional, cantora já foi indicada ao Grammy Latino e recebeu três vezes o Prêmio Gardel

Mariana Baraj, compositora argentina: “A percussão é tudo na minha vida”
Foto: Pato Rivero

Cantora, compositora e multi-instrumentista, a argentina Mariana Baraj é a atração deste domingo (15/6) do projeto Sonoridades, às 17h, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa – ingressos gratuitos aqui. A artista sobe ao palco com o pianista Gustavo Garoto para apresentar uma releitura de composições que integram seus 10 álbuns como solista, incluindo o mais recente, Tus Ojos (2023).

Com trajetória internacional, Baraj já foi indicada ao Grammy Latino e recebeu três vezes o Prêmio Gardel, além do Prêmio Clarín como artista revelação do folclore. Ao lado do músico boliviano Leo Camargo e de Marcelo Baraj, irmão de Mariana, a artista desenvolve o projeto Cocaibica, que mescla música eletrônica e tradições musicais latino-americanas.

A cantora e compositora – que é filha do renomado músico argentino Bernardo Baraj – também ministra oficinas de canto e percussão mundo afora – recentemente, a artista levou a música latino-americana para shows e oficinas na Coreia do Sul e no Japão.

Cinco perguntas para Mariana Baraj, cantora e compositora argentina

Foto: Pato Rivero

Como será o repertório do show de domingo (15/6) em Porto Alegre?

Será uma releitura dos meus 10 discos como solista. Nesta oportunidade, acompanhada pelo talentoso Gustavo Garoto. A partir de sua maneira tão especial de se conectar com a música argentina e latino-americana, encontramos juntos uma linguagem particular para abordar essas músicas. Todas elas têm uma raiz folclórica. São composições próprias em sua maioria, com alguns clássicos do folclore argentino.

Conta-nos um pouco sobre “Tus Ojos”, teu álbum mais recente.

Tus Ojos é único por ter sido criado com Swami Júnior, que ficou responsável pela produção artística. Ele é um grande produtor, um músico incrível de São Paulo e me abriu a porta para incorporar outros sons. É por isso que você também pode ouvir um pouco de Brasil e uma raiz mais abrangente da música latino-americana. As músicas que trabalhamos nesse álbum são todas composições minhas, essencialmente com raízes folclóricas.

Quais tradições musicais latino-americanas influenciam o teu trabalho?

Todo o meu trabalho é fortemente guiado pela música do noroeste da Argentina, da região próxima do Chile, da Bolívia e do Paraguai. É uma música com uma grande tradição. Essencialmente, dentro da música folclórica da Argentina e do noroeste da Argentina, há um gênero muito especial para mim que o canto con caja, cantar com uma caixa, uma combinação muito poderosa. É uma música ancestral que também me dá essa possibilidade, porque sinto que é um gênero muito versátil, que pode ser aplicado a diferentes gêneros e, assim, também transitar por outros universos, misturá-lo ou fundi-lo com outros gêneros. Meus trabalhos mais recentes têm esse foco na música folclórica do noroeste da Argentina e, especificamente, no canto com caixa.

Qual o papel da percussão na tua trajetória musical?

A percussão é tudo na minha vida. O grande suporte e a base para as minhas composições, para desenvolver, trabalhar e sempre construir alguma ideia relacionada à percussão. Essa combinação de tocar percussão e cantar também gerou em mim a possibilidade de encontrar novas vozes e realmente encontrar a minha própria voz também. O ritmo sempre nos enraíza e nos conecta com aquele estado mais primário, não? Sinto essa combinação de tocar e cantar muito unida, e os instrumentos de percussão estão comigo há muitos anos – com os quais acho que encontrei um som particular, trabalhando com instrumentos ligados à tradição argentina.

Após trabalhar com o bombo leguero e outros instrumentos nativos, como o sacha bombo, e alguns acessórios, comecei a criar outras possibilidades, misturando e adicionando instrumentos de diferentes culturas. Dentro do conjunto de percussão, tenho alguns tambores de maracatu, outros do México, um tambor xamânico, sempre complementados com acessórios como caxixis e diferentes tipos de sementes que uso nos pés para equilibrar e complementar a percussão.

Como a atuação como educadora influencia teu trabalho como artista?

Meu trabalho como professora é muito importante porque é a possibilidade de retribuir de alguma forma tudo o que venho incorporando ao longo dos anos de carreira e experiências. É também compartilhar o que aprendi com professores que mudaram a minha vida e me ajudaram a encontrar minha própria voz. É muito importante a faceta de trabalhar com crianças e adultos e essa possibilidade de incutir que todos temos música dentro de nós, todos somos música e todos podemos fazer música. Todos nós temos essa possibilidade. Ensinar também é uma ótima ferramenta de transformação. Ser capaz de ensinar e gerar mudanças nas pessoas.

Ricardo Romanoff

Repórter e editor de Cultura na Matinal. Também é tradutor, com foco em artes e meio ambiente, além de trompetista de fanfarra nas horas vagas. Contato: ricardo@matinal.org

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