Principal nome do cinema alemão contemporâneo e um dos grandes diretores da atualidade, Christian Petzold está em cartaz com mais um intrigante drama. Em Mirrors Nº 3 (2025), a vida de uma estudante de música sofre uma reviravolta quando o namorado morre tragicamente em um acidente de carro e ela acaba acolhida por uma mulher mais velha desconhecida.
Na trama, Laura (Paula Beer) sobrevive milagrosamente a um desastre automobilístico durante um fim de semana no campo. A jovem estudante de piano de Berlim sai fisicamente ilesa, mas abalada pela tragédia que matou seu companheiro.
Desnorteada, Laura é recebida por Betty (Barbara Auer), uma mulher mais velha que mora na região, testemunhou o acidente e cuida dela com carinho. Aos poucos, o marido e o filho de Betty superam a relutância inicial da presença da estranha – e uma tranquilidade quase familiar se instala na casa. Mas logo fantasmas do passado se colocam entre os personagens, provocando Laura e Betty a enfrentarem os próprios traumas.

Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, Mirrors Nº 3 é um estudo delicado e elegante sobre ausência e luto, da mesma forma que filmes anteriores dirigidos por Christian Petzold como Afire (2023), Undine (2020) e Barbara (2012). Com também é característico no cinema do realizador, o drama é sustentado com emoção represada pelo ótimo quarteto central de atores, com destaque para Paula Beer – cuja personagem ecoa seu papel em Afire – e a veterana Barbara Auer.
Christian Petzold toca fogo nas emoções em “Afire”
A música ocupa um papel central na narrativa, pontuando o percurso emocional da narrativa. Além de remeter a um espelhamento entre as duas personagens femininas e uma outra figura que acaba se interpondo entre elas mesmo ausente, o título é uma referência à suíte para piano Miroirs, do compositor francês Maurice Ravel.

Mirrors Nº 3: * * * *
COTAÇÕES
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