Curtas, médias e longas-metragens de diretoras gaúchas compõem a mostra A Leoa Vai à Caça, que será realizada na Cinemateca Capitólio, de 12 a 15 de março. Além de exibir 15 filmes com entrada gratuita, em sessões às 17h e 19h, a iniciativa promove um debate sobre políticas públicas para mulheres no audiovisual.
A realizadora Betânia Furtado – idealizadora da mostra ao lado da diretora e atriz Renata de Lélis – conta que o projeto nasceu de uma inquietação da dupla: “Quando pesquisamos a história do cinema do Rio Grande do Sul, percebemos que há muitas mulheres desde sempre, escrevendo, dirigindo, produzindo, mas essas trajetórias aparecem de forma dispersa e pouco organizada como memória coletiva. A Leoa Vai à Caça nasce do desejo de construir essa memória e criar um encontro entre gerações”.
O nome da mostra toma emprestado o título de um filme não concluído da cineasta Ítala Nandi, primeira diretora gaúcha a realizar um longa-metragem – o documentário In Vino Veritas (1981), rodado em Caxias do Sul (RS), que abre a programação no dia 12 de março. “Descobrimos que A Leoa Vai à Caça não foi finalizado, o que nos tocou muito. A mostra pretende olhar justamente para esses silêncios, interrupções e lacunas na história do cinema feito por mulheres. Reconhecer não só o que foi concluído, mas também o que ficou pelo caminho”, explica Furtado.

Além do documentário de Ítala Nandi, a mostra inclui produções dirigidas por Adalgisa Luz, Ana Luiza Azevedo, Britney Federline, Camila de Moraes, Cristiane Oliveira, Flavia Seligman, Flávia Moraes, Juliana Balhego, Liliana Sulzbach, Lisiane Cohen, Mariani Ferreira, Marta Biavaschi, Mirela Kruel e Patrícia Ferreira Yxapy – saiba mais sobre as realizadoras no perfil de Instagram da mostra.

Furtado ressalta que a diversidade foi um dos focos centrais da curadoria. “Temos diretoras de gerações, trajetórias e linguagens muito distintas – documentário, ficção, animação, cinema indígena e obras de realizadoras negras e trans. Queremos mostrar que não existe uma única forma de fazer cinema como mulher, há muitas experiências, olhares e modos de narrar. Quando esses filmes estão lado a lado, enxergamos uma categoria mais complexa do audiovisual gaúcho.”
No dia 15 de março (domingo), às 17h, as diretoras da mostra se reúnem na Cinemateca Capitólio para um debate sobre políticas públicas para mulheres no audiovisual, com participação de Sofia Ferreira, diretora do Instituto Estadual de Cinema (Iecine). “Celebrar é importante, mas pensar nas condições concretas de continuidade é fundamental. A mostra olha para o passado, mas também se pergunta sobre o futuro”, afirma Furtado.
Programação da mostra "A Leoa Vai à Caça"
Quando: de 12 a 15 de março de 2026
Onde: Cinemateca Capitólio (rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico – Porto Alegre)
Entrada gratuita
12 de março (quinta-feira)
Sessão das 19h
Curta: O Brinco (1989), 6min. Direção: Flávia Moraes
Sinopse: Uma joia presenteada a alguém vai parar na orelha errada, provocando uma série de revelações surpreendentes.
Longa: In Vino Veritas (1981), 63min. Direção: Ítala Nandi
Sinopse: Ítala Nandi retorna à sua cidade natal, Caxias do Sul, para revisitar suas origens e a história da imigração italiana na região. Entre memórias pessoais e investigação documental, o filme percorre a formação cultural, social e econômica da Serra Gaúcha, tendo a uva e o vinho como fios condutores.
13 de março (sexta-feira)
Sessão das 17h
Média: Bola de Fogo (1997), 45min. Direção: Marta Biavaschi
Sinopse: Um casal passa o feriado de carnaval numa praia paradisíaca onde vive uma pequena comunidade de pescadores em via de transformação com a chegada de veranistas.
Longa: O Último Poema (2015), 72min. Direção: Mirela Kruel
Sinopse: Helena Maria se correspondeu com Carlos Drummond de Andrade durante 25 anos. Que belezas da existência essa correspondência revela? O Último Poema nos leva a uma viagem às profundidades dessa correspondência em imagens surpreendentemente poéticas e cheias de ternura.
Sessão das 19h
Curta: Léo (2015), 15min. Direção: Mariani Ferreira
Sinopse: Rodrigo não aceita a homossexualidade do irmão caçula. Por conta disso, terá que sofrer as consequências de seus atos. Escrito e dirigido pela estreante Mariani Ferreira, o filme tem argumento de Jaqueline Loreto e é produzido por Renate Ritzel Melgar. Muitas das funções são assinadas pela produtora gaúcha Praça de Filmes, que integrou a equipe na fase de elaboração do projeto e tem à sua frente o diretor de fotografia Maurício Borges de Medeiros. Filmada em Porto Alegre e financiada pelo Edital Curta-Afirmativo do Ministério da Cultura.
Longa: A Mulher do Pai (2015), 94min. Direção: Cristiane Oliveira
Sinopse: Ruben e Nalu moram no campo, perto da fronteira Brasil-Uruguai. Quando ele percebe que a filha, aos 16 anos, já é uma mulher, uma nova proximidade surge entre os dois. O estranhamento inicial dá lugar ao ciúmes quando Rosario, uma atraente uruguaia, ganha espaço na vida de ambos.
14 de março (sábado)
Sessão das 17h
Curta: Hoje Tem Felicidade (2005), 14min. Direção: Lisiane Cohen
Sinopse: Rui queria muito ser feliz. Mesmo que fosse ao extremo.
Curta: A Noite do Sr. Lanari (2002), 11min. Direção: Flavia Seligman
Sinopse: Baseado no conto Cabecita Negra, do escritor argentino German Rozenmacher, o filme aborda a autoridade presente nos anos das ditaduras, na América Latina.
Média: A Invenção da Infância (2000), 26min. Direção: Liliana Sulzbach
Sinopse: A Invenção da infância: Ser criança não significa ter infância | A Cidade: Distante de outros centros urbanos, Itapuã (RS) é uma comunidade com hábitos bem característicos. A localidade, que abrigou 1454 pessoas durante mais de 70 anos de existência, conta hoje com apenas 35 moradores, todos acima de 60 anos.
Média: As Bicicletas de Nhanderu (2011), 45min. Direção: Patrícia Ferreira Yxapy
Sinopse: Documentário imersivo, produzido pelo Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema e Vídeo nas Aldeias, que retrata a vida, espiritualidade e conflitos da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões (RS). O filme aborda o impacto da cultura branca sobre os Mbyá-Guarani e a necessidade de fortalecer as tradições, focando na construção de uma nova casa de reza.
Sessão das 19h
Curta: Quero Ir para Los Angeles (2019), 19min. Direção: Juliana Balhego
Sinopse: Maria é uma menina negra universitária que decide fazer sua primeira viagem internacional, o destino escolhido é Los Angeles. Entretanto, o que se revela é que o esforço próprio não é o único propulsor para o alcance desse objetivo.
Longa: Antes que o Mundo Acabe (2009), 100min. Direção: Ana Luiza Azevedo
Sinopse: Daniel é um adolescente crescendo em seu pequeno mundo com problemas que lhe parecem insolúveis: como lidar com uma namorada que não sabe o que quer, como ajudar um amigo que está sendo acusado de roubo e como sair da pequena cidade onde vive. Tudo começa a mudar quando ele recebe uma carta do pai que ele nunca conheceu. Em meio a todas essas questões, ele será chamado a realizar suas primeiras escolhas adultas e descobrir que o mundo é muito maior do que ele pensa.
15 de março (domingo)
Sessão e debate das 17h
Curta: Logos (2025), 11min. Direção: Britney Federline
Sinopse: Após uma internação hospitalar, Britney segue numa viagem de carro onde o tempo se embaralha. Ao longo do trajeto, ela tenta compreender sua relação com as pessoas, com o afeto e com a própria corporalidade.
Debate: "Políticas públicas para mulheres no audiovisual", com a presença de diretoras da mostra e da diretora do Iecine, Sofia Ferreira
Sessão das 19h
Curta: Café Paris (2004), 9min. Direção: Adalgisa Luz
Sinopse: Uma garota que toma muito café e nunca esteve em Paris.
Longa: O Caso do Homem Errado (2017), 77min. Direção: Camila de Morais
Sinopse: O documentário conta a história do jovem operário negro Júlio César de Melo Pinto, que foi executado pela Brigada Militar, nos anos 1980, em Porto Alegre. O crime ganhou notoriedade após a imprensa divulgar fotos de Júlio César sendo colocado com vida na viatura e chegar, 37 minutos depois, morto a tiros no hospital. O filme traz o depoimento de Ronaldo Bernardi, o fotógrafo que fez as imagens que tornaram o caso conhecido, da viúva do operário, Juçara Pinto, e de nomes respeitados da luta pelos direitos humanos e do movimento negro no Brasil.