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"NAZA" denuncia morte de civis em Gaza como "dano colateral"

Documentário revela sistemas utilizados pelas forças israelenses em operações

"NAZA" denuncia morte de civis em Gaza como "dano colateral"
Vitrine Filmes/Divulgação

Vencedor do Prêmio Especial do Júri do 83º Festival de Cinema de Veneza, NAZA (2026) é um dos filmes mais importantes e aguardados da temporada. O documentário dirigido pelos cineastas israelenses Rachel Szor e Yuval Abraham recebeu 25 minutos de aplausos de pé após a sessão de estreia no evento italiano e é resultado de uma investigação realizada ao longo de três anos. O longa denuncia os sistemas utilizados pelas forças israelenses em operações militares em Gaza, reunindo 24 depoimentos anônimos de militares e integrantes da inteligência israelense.

Filmado à noite, nos telhados de Tel Aviv, o documentário foca nas vítimas civis das operações militares de Israel em Gaza. Os relatos trazem vários pontos polêmicos, como o uso de sistemas de Inteligência Artificial na seleção de alvos de bombardeios. 

A dupla de realizadores também é responsável pelo igualmente impactante Sem Chão (2024), ganhador do Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem que registra em colaboração com um ativista palestino a destruição por soldados israelenses de uma aldeia na Cisjordânia ocupada.

Palestino e israelense lutam pela mesma causa em “Sem Chão”

O título NAZA refere-se ao eufemismo utilizado pelos serviços de inteligência israelenses para indicar o número de civis que possivelmente morrerão em um bombardeio: a sigla vem de "Nezek Agavi”, que significa “dano colateral”.

“Não é um acidente, mas o resultado de uma estratégia deliberada. Atos homicidas e políticos baseados na total desumanização dos palestinos. Os oficiais da inteligência israelense com quem conversamos nos explicaram como esse massacre é sistêmico”, disse Yuval Abraham ao receber o prêmio em Veneza.

Vitrine Filmes/Divulgação

O jornalista e diretor também fez questão de prestar uma homenagem aos profissionais de imprensa palestinos que tornaram o filme possível: “Essa verdade foi documentada e é conhecida graças a jornalistas palestinos. Mais de 200 deles foram assassinados por Israel em Gaza. Suas vozes foram silenciadas e negadas. Acreditamos que negar um crime é o que permite que ele persista”.

Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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