Vencedor do Leão de Ouro no 82º Festival Internacional de Cinema de Veneza, Pai Mãe Irmã Irmão (2025) traz a assinatura singular de Jim Jarmusch. O filme escrito e dirigido pelo cineasta estadunidense aborda complexidades, afetos e ressentimentos das dinâmicas familiares por um viés ao mesmo tempo esquivo, sarcástico e compassivo.
O longa narra três histórias sobre relacionamentos problemáticos entre pais e filhos ambientadas em países diferentes. Pai se passa no nordeste dos Estados Unidos, quando dois irmãos (Adam Driver e Mayim Bialik) vão visitar o pai arredio (Tom Waits); já Mãe acompanha o tenso encontro entre duas filhas (Cate Blanchett e Vicky Krieps) e a sofisticada mãe, uma escritora de sucesso (Charlotte Rampling), que mantêm um relacionamento distante em Dublin, onde só se reúnem uma vez por ano ⎯ apesar de todas morarem na capital irlandesa; por fim, Irmã Irmão tem como cenário Paris, na qual um casal de gêmeos (Indya Moore e Luka Sabbat) precisa organizar a casa dos pais, mortos em um acidente de avião.

Equilibrando humor e melancolia, Pai Mãe Irmã Irmão lança o olhar torto e agridoce característico do cinema do realizador de títulos como Estranhos no Paraíso (1984), Daunbailó (1986) e Flores Partidas (2005) para as complicadas relações e contraditórias emoções entre filhos adultos e pais um tanto distantes.
Como três contos curtos sobre um mesmo tema, Jarmusch liga os capítulos com irônicos detalhes recorrentes em todas as tramas, como as citações a relógios Rolex ⎯ um signo da inexorável passagem do tempo ⎯ e as presenças de jovens skatistas ziguezagueando nas ruas, contrapondo-se com seus trajetos livres e imprevisíveis aos personagens principais, presos dentro de seus carros e seguindo sempre a direção convencionalmente indicada.

Pai Mãe Irmã Irmão: * * * *
COTAÇÕES
* * * * * ótimo * * * * muito bom * * * bom * * regular * ruim
Assista ao trailer de Pai Mãe Irmã Irmão: