Foi mais tensa e dramática do que o próprio texto do dramaturgo Samuel Beckett (1906 – 1989) a sessão deste domingo (18/10) de Fim de Partida no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre. Logo no começo, com menos de 10 minutos de encenação, o ator Marco Nanini pediu que o espetáculo fosse interrompido e as cortinas fechadas porque a iluminação sobre a intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) estaria projetando sombras que atrapalhariam sua visão.
A peça parou, e a equipe do teatro tentou solucionar a questão com os técnicos da casa, os profissionais da tradução e a produção do espetáculo. O intervalo se estendeu, a impaciência cresceu e o público começou a vaiar, antecipando o desfecho do impasse: uma representante do Multipalco Eva Sopher comunicou ao público que o espetáculo iria continuar sem tradução – uma decisão da produção da peça.
As pessoas surdas saíram da sala – inclusive uma que veio de Santa Maria –, e muitos ouvintes da plateia se recusaram também a permanecer. Em meio a vaias ainda mais intensas, protestos e xingamentos em cena aberta, a apresentação foi retomada. Sem acessibilidade.
"Muito triste mesmo. Ainda estou em choque. Para mim pega muito, pois eu convivo com a comunidade desde os meus 11 anos de idade. Então, não me pega apenas no lado profissional", disse à Matinal a intérprete Ângela Russo, fundadora da Para Todos Acessibilidade que estava trabalhando no momento em que o espetáculo foi interrompido.
Curiosamente, Hamm, o personagem interpretado por Nanini, é cego e passa o tempo todo sentado em uma cadeira de rodas.
Um Fim de Partida lamentável. Melhor, nas palavras de Russo: "O fim de partida foi o fim da picada".
A Para Todos Acessibilidade publicou uma nota nas redes sociais posicionando-se sobre o episódio:

Já a Pequena Central de Produções Artísticas, produtora de Fim de Partida, publicou a seguinte nota em suas redes sociais:


A Fundação Theatro São Pedro também publicou uma manifestação em suas redes sociais:
