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Porto Alegre em Cena anuncia os 10 espetáculos gaúchos da 33ª edição

Programação completa do festival será apresentada no dia 11 de agosto, às 19h, na Zona Cultural

Porto Alegre em Cena anuncia os 10 espetáculos gaúchos da 33ª edição
"Kaiu da Kombi". Foto: Sergio Azevedo

A organização do Porto Alegre em Cena anunciou os 10 espetáculos gaúchos que farão parte da 33ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas entre os dias 10 e 20 de setembro. A seleção reúne montagens voltadas para os públicos adulto e infantil, com produções que incluem linguagens artísticas, como dança, palhaçaria e teatro de sombras, assinadas por coletivos de Canela, Caxias do Sul, Ivoti, Pelotas e Porto Alegre.

As peças Geppetto, dos grupos Máscara EnCena e Miseri Coloni, e AUTODescrição – Tudo o que Eu Não Vejo, da Cia Reverbo, integram a lista – clique nos links para ler as matérias sobre as montagens.

Espetáculos gaúchos selecionados
7 Cidades – Cia de Arte La Negra Ana Medeiros
AUTODescrição – Cia. Reverbo
Bayle da obra – Moracos Manicongo
Corpomundo – Cia de Teatro e Dança Fábrica de Sonhos
Criaturas da Literatura – Cia Teatro Lumbra
Geppetto – Máscara EnCena e Miseri Coloni
Kaiu da Kombi – Ponto de Cultura Kombinação
Katchaku Katchaka: Era uma Vez em Odjéidjé – Loua Pacom Oulai
Riso de Mãe É Coisa Séria – Fiandeiras Artes da Cena
Um Leão na Sala de Aula – Cia. Gatelupa

Na semana passada, o primeiro espetáculo nacional foi anunciado: Mudando de Pele, estrelado por Taís Araujo, com direção de Yara de Novaes. A montagem teatral da autora inglesa Amanda Wilkin, é permeada pelas perguntas: quanto você já se adaptou para estar em algum lugar? Quantos incômodos sentiu por não se sentir pertencente? Qual o significado de se reconhecer em sua pele e identidade?

O trabalho, que marcou o retorno de Taís Araujo aos palcos em abril, é resultado da busca da atriz por pesquisar e contar histórias originais sobre mulheres. “Há anos procuro um texto sobre histórias de mulheres e mulheres pretas que não passe pela questão da sobrevivência ou da dor. Mudando de Pele é uma reflexão com temas universais, que dialoga com o público em geral e com a artista que sou”, explica Taís.

A programação completa do festival será anunciada no dia 11 de agosto, às 19h, em evento aberto ao público, na Zona Cultural, que inclui show de As Rainhas – Roda de Samba de Mulheres

A venda dos ingressos terá início na manhã de quarta-feira (12/8), pelo site do evento. Os espetáculos serão apresentados em espaços como o Centro Municipal de Cultura, o Multipalco Eva Sopher, a Casa de Cultura Mario Quintana, o Centro Histórico-Cultural Santa Casa, o Estúdio Stravaganza, a Zona Cultural e a Terreira da Tribo.

Confira as sinopses dos espetáculos gaúchos que integram o festival:

7 Cidades (Porto Alegre): Inspirado no livro Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino, o espetáculo propõe o hibridismo entre diferentes linguagens artísticas, como a dança, a arte flamenca, a música e o audiovisual através de projeções de videodanças, que trazem imagens e sons da cidade. Em cena, sete bailarinas com sólida experiência artística: La Negra Ana Medeiros, com 30 anos de carreira, que também assina a direção geral, coreografias, cenário e figurinos; Ana Cândida La Campanera; Bianca Benevenutto La Señora; Emily Borghetti; Luciana Meira; Patrícia Correa La Paloma e Thaís Virgínia La Sol. O espetáculo também conta com a direção artística de Everson Silva e trilha sonora original de Paola Kirst e Tamiris Duarte. As videodanças são o plano de fundo da trama dramatúrgica, gerando um cenário com projeção mapeada e possibilitando que se rompam as barreiras do vídeo e da performance ao vivo.
AUTODescrição – Tudo o que Eu Não Vejo (Porto Alegre): Em um mundo bombardeado por imagens e pela manipulação constante da verdade, o que acontece quando não podemos mais confiar naquilo que vemos? Em seu novo espetáculo de teatro de testemunho, a Cia. Reverbo mergulha nas tensões da percepção contemporânea. A partir de relatos reais de pessoas com deficiência visual, a obra investiga as fraturas invisíveis e os pontos cegos nos conflitos humanos. Ao tensionar a relação entre o visível e o oculto, a montagem subverte o uso da audiodescrição, transformando o recurso de acessibilidade no motor poético e dramatúrgico da cena. O resultado é uma experiência cênica que nos desafia a confrontar tudo aquilo que, por conveniência, escolhemos não enxergar.
Bayle da Obra (Pelotas): Uma festa-espetáculo que transforma o palco em território de encontro, celebração e disputa de narrativas. Inspirada na cultura Ballroom, no baile funk, na capoeira e nas artes negras brasileiras, a obra reúne artistas negros, LGBTQIAPN+ e periféricos para construir uma experiência cênica em que dança, teatro, música e performance se atravessam.
Corpomundo (Porto Alegre): Com direção de Paula Carvalho e coreografias de Bianca Bueno, a obra reúne artistas com e sem deficiência em uma criação autoral que celebra a diversidade em sua potência de encontro. Inspirado na pergunta “O que pode um corpo?”, o espetáculo desenvolve uma poética cênica que contorna as relações entre humanidade e natureza para repensar o mundo através de uma ótica plural, biodiversa e em constante transformação. A encenação faz parte de uma pesquisa em dança-teatro onde se privilegia a corporalidade e as habilidades mistas dos participantes. Ao utilizar poucas palavras verbalizadas, a obra possibilita dar ao corpo novas leituras e histórias, partilhando a dimensão poética da nossa existência: humana e diversa. 
Criaturas da Literatura (Porto Alegre): Cenas de teatro de sombras com enredos livremente inspirados em histórias clássicas da literatura universal, como Dom Quixote, Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe, em um espetáculo para todos os públicos. A dramaturgia inclui falas em que cada história surpreende pela poética visual e emocional, apresentando algumas das personagens mais queridas da literatura universal.
Geppetto (Porto Alegre e Caxias do Sul): O espetáculo apresenta o convívio entre um filho e seu pai em uma jornada sobre memória, afeto e finitude. Inspirado livremente no universo de Pinóquio, dirigido por Liane Venturella e com texto de Nelson Diniz, a montagem se passa em um ateliê. Por meio da manipulação de uma marionete híbrida, o monólogo investiga a relação entre criador e criatura, entre o esculpir e o ser esculpido. Voltado ao público adulto, a obra aborda a convivência com um pai em processo de perda de memória, refletindo sobre envelhecimento e vínculos familiares.
Kaiu da Kombi (Canela): Espetáculo circense de rua, teatral e performático que resgata a essência da arte pública e a leva a locais de difícil acesso. Unindo circo, teatro e dança, a obra funciona como um potente instrumento de conscientização social, apresentando uma narrativa que equilibra leveza, diversão e profunda reflexão sobre o cotidiano. A trama acompanha a história de Noa Blum, um velho homem que passou anos enclausurado e solitário, imerso em seus próprios pensamentos e em memórias – tanto doces quanto amargas –, viajando em uma realidade paralela de sua mente. À medida que Noa começa a trazer essas lembranças à tona, o espetáculo utiliza uma linguagem cênica e coreográfica subjetiva para falar sobre nossas escolhas e sobre o valor das conexões humanas.
Katchaku Katchaka: Era Uma Vez em Odjéïdjé (Porto Alegre): A produção narra a coragem e a esperteza do menino Gondœur, que aceita o desafio de enfrentar um grande monstro para defender a sua aldeia. O espetáculo é direcionado para crianças, jovens e adultos, com a proposta de oferecer uma abordagem da cultura africana, que tanto influencia a sociedade brasileira, de maneira lúdica e original, somando-se às diversas iniciativas no campo da educação das relações étnico-raciais.
Riso de Mãe é Coisa Séria (Ivoti): A palhaça Hipotenusaaa se divide em muitas para tentar dar conta das demandas que atravessam a maternidade. Entre tarefas acumuladas, interrupções constantes e tentativas frustradas de organizar o caos, surgem questões como a privação de sono, a falta de tempo para si, a fragilidade das redes de apoio e a necessidade de seguir sustentando tudo, mesmo no limite do esgotamento. Sem romantizar o maternar, o espetáculo revela situações amplamente reconhecidas por mulheres que, ao se tornarem mães, passam a lidar com diferentes formas de invisibilização e sobrecarga. A montagem tem como fio condutor a linguagem da palhaçaria feminina, utilizando o riso como ferramenta de encontro, identificação e ressignificação das experiências vividas. 
Um Leão na Sala de Aula (Porto Alegre): Dois atores abrem caixas e revelam memórias – algumas vividas, outras inventadas. Um leão em fuga, um inseto herói que usa óculos, a triste história de um carrinho de bombeiros e um avental bordado, um monstro que mora num buraco na parede, a incrível história de amor entre um peixe e uma flor, fotos antigas, lembranças alegres… outras nem tanto. Desse relicário surgem brincadeiras de infância, relações de amizade, encontros com medos, viagens pelo imaginário, situações de bullying e outras experiências.

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