A organização do Porto Alegre em Cena anunciou os 10 espetáculos gaúchos que farão parte da 33ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas entre os dias 10 e 20 de setembro. A seleção reúne montagens voltadas para os públicos adulto e infantil, com produções que incluem linguagens artísticas, como dança, palhaçaria e teatro de sombras, assinadas por coletivos de Canela, Caxias do Sul, Ivoti, Pelotas e Porto Alegre.
As peças Geppetto, dos grupos Máscara EnCena e Miseri Coloni, e AUTODescrição – Tudo o que Eu Não Vejo, da Cia Reverbo, integram a lista – clique nos links para ler as matérias sobre as montagens.
Espetáculos gaúchos selecionados
7 Cidades – Cia de Arte La Negra Ana Medeiros
AUTODescrição – Cia. Reverbo
Bayle da obra – Moracos Manicongo
Corpomundo – Cia de Teatro e Dança Fábrica de Sonhos
Criaturas da Literatura – Cia Teatro Lumbra
Geppetto – Máscara EnCena e Miseri Coloni
Kaiu da Kombi – Ponto de Cultura Kombinação
Katchaku Katchaka: Era uma Vez em Odjéidjé – Loua Pacom Oulai
Riso de Mãe É Coisa Séria – Fiandeiras Artes da Cena
Um Leão na Sala de Aula – Cia. Gatelupa
Na semana passada, o primeiro espetáculo nacional foi anunciado: Mudando de Pele, estrelado por Taís Araujo, com direção de Yara de Novaes. A montagem teatral da autora inglesa Amanda Wilkin, é permeada pelas perguntas: quanto você já se adaptou para estar em algum lugar? Quantos incômodos sentiu por não se sentir pertencente? Qual o significado de se reconhecer em sua pele e identidade?
O trabalho, que marcou o retorno de Taís Araujo aos palcos em abril, é resultado da busca da atriz por pesquisar e contar histórias originais sobre mulheres. “Há anos procuro um texto sobre histórias de mulheres e mulheres pretas que não passe pela questão da sobrevivência ou da dor. Mudando de Pele é uma reflexão com temas universais, que dialoga com o público em geral e com a artista que sou”, explica Taís.
A programação completa do festival será anunciada no dia 11 de agosto, às 19h, em evento aberto ao público, na Zona Cultural, que inclui show de As Rainhas – Roda de Samba de Mulheres.
A venda dos ingressos terá início na manhã de quarta-feira (12/8), pelo site do evento. Os espetáculos serão apresentados em espaços como o Centro Municipal de Cultura, o Multipalco Eva Sopher, a Casa de Cultura Mario Quintana, o Centro Histórico-Cultural Santa Casa, o Estúdio Stravaganza, a Zona Cultural e a Terreira da Tribo.
Confira as sinopses dos espetáculos gaúchos que integram o festival:
7 Cidades (Porto Alegre): Inspirado no livro Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino, o espetáculo propõe o hibridismo entre diferentes linguagens artísticas, como a dança, a arte flamenca, a música e o audiovisual através de projeções de videodanças, que trazem imagens e sons da cidade. Em cena, sete bailarinas com sólida experiência artística: La Negra Ana Medeiros, com 30 anos de carreira, que também assina a direção geral, coreografias, cenário e figurinos; Ana Cândida La Campanera; Bianca Benevenutto La Señora; Emily Borghetti; Luciana Meira; Patrícia Correa La Paloma e Thaís Virgínia La Sol. O espetáculo também conta com a direção artística de Everson Silva e trilha sonora original de Paola Kirst e Tamiris Duarte. As videodanças são o plano de fundo da trama dramatúrgica, gerando um cenário com projeção mapeada e possibilitando que se rompam as barreiras do vídeo e da performance ao vivo.
AUTODescrição – Tudo o que Eu Não Vejo (Porto Alegre): Em um mundo bombardeado por imagens e pela manipulação constante da verdade, o que acontece quando não podemos mais confiar naquilo que vemos? Em seu novo espetáculo de teatro de testemunho, a Cia. Reverbo mergulha nas tensões da percepção contemporânea. A partir de relatos reais de pessoas com deficiência visual, a obra investiga as fraturas invisíveis e os pontos cegos nos conflitos humanos. Ao tensionar a relação entre o visível e o oculto, a montagem subverte o uso da audiodescrição, transformando o recurso de acessibilidade no motor poético e dramatúrgico da cena. O resultado é uma experiência cênica que nos desafia a confrontar tudo aquilo que, por conveniência, escolhemos não enxergar.
Bayle da Obra (Pelotas): Uma festa-espetáculo que transforma o palco em território de encontro, celebração e disputa de narrativas. Inspirada na cultura Ballroom, no baile funk, na capoeira e nas artes negras brasileiras, a obra reúne artistas negros, LGBTQIAPN+ e periféricos para construir uma experiência cênica em que dança, teatro, música e performance se atravessam.
Corpomundo (Porto Alegre): Com direção de Paula Carvalho e coreografias de Bianca Bueno, a obra reúne artistas com e sem deficiência em uma criação autoral que celebra a diversidade em sua potência de encontro. Inspirado na pergunta “O que pode um corpo?”, o espetáculo desenvolve uma poética cênica que contorna as relações entre humanidade e natureza para repensar o mundo através de uma ótica plural, biodiversa e em constante transformação. A encenação faz parte de uma pesquisa em dança-teatro onde se privilegia a corporalidade e as habilidades mistas dos participantes. Ao utilizar poucas palavras verbalizadas, a obra possibilita dar ao corpo novas leituras e histórias, partilhando a dimensão poética da nossa existência: humana e diversa.
Criaturas da Literatura (Porto Alegre): Cenas de teatro de sombras com enredos livremente inspirados em histórias clássicas da literatura universal, como Dom Quixote, Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe, em um espetáculo para todos os públicos. A dramaturgia inclui falas em que cada história surpreende pela poética visual e emocional, apresentando algumas das personagens mais queridas da literatura universal.
Geppetto (Porto Alegre e Caxias do Sul): O espetáculo apresenta o convívio entre um filho e seu pai em uma jornada sobre memória, afeto e finitude. Inspirado livremente no universo de Pinóquio, dirigido por Liane Venturella e com texto de Nelson Diniz, a montagem se passa em um ateliê. Por meio da manipulação de uma marionete híbrida, o monólogo investiga a relação entre criador e criatura, entre o esculpir e o ser esculpido. Voltado ao público adulto, a obra aborda a convivência com um pai em processo de perda de memória, refletindo sobre envelhecimento e vínculos familiares.
Kaiu da Kombi (Canela): Espetáculo circense de rua, teatral e performático que resgata a essência da arte pública e a leva a locais de difícil acesso. Unindo circo, teatro e dança, a obra funciona como um potente instrumento de conscientização social, apresentando uma narrativa que equilibra leveza, diversão e profunda reflexão sobre o cotidiano. A trama acompanha a história de Noa Blum, um velho homem que passou anos enclausurado e solitário, imerso em seus próprios pensamentos e em memórias – tanto doces quanto amargas –, viajando em uma realidade paralela de sua mente. À medida que Noa começa a trazer essas lembranças à tona, o espetáculo utiliza uma linguagem cênica e coreográfica subjetiva para falar sobre nossas escolhas e sobre o valor das conexões humanas.
Katchaku Katchaka: Era Uma Vez em Odjéïdjé (Porto Alegre): A produção narra a coragem e a esperteza do menino Gondœur, que aceita o desafio de enfrentar um grande monstro para defender a sua aldeia. O espetáculo é direcionado para crianças, jovens e adultos, com a proposta de oferecer uma abordagem da cultura africana, que tanto influencia a sociedade brasileira, de maneira lúdica e original, somando-se às diversas iniciativas no campo da educação das relações étnico-raciais.
Riso de Mãe é Coisa Séria (Ivoti): A palhaça Hipotenusaaa se divide em muitas para tentar dar conta das demandas que atravessam a maternidade. Entre tarefas acumuladas, interrupções constantes e tentativas frustradas de organizar o caos, surgem questões como a privação de sono, a falta de tempo para si, a fragilidade das redes de apoio e a necessidade de seguir sustentando tudo, mesmo no limite do esgotamento. Sem romantizar o maternar, o espetáculo revela situações amplamente reconhecidas por mulheres que, ao se tornarem mães, passam a lidar com diferentes formas de invisibilização e sobrecarga. A montagem tem como fio condutor a linguagem da palhaçaria feminina, utilizando o riso como ferramenta de encontro, identificação e ressignificação das experiências vividas.
Um Leão na Sala de Aula (Porto Alegre): Dois atores abrem caixas e revelam memórias – algumas vividas, outras inventadas. Um leão em fuga, um inseto herói que usa óculos, a triste história de um carrinho de bombeiros e um avental bordado, um monstro que mora num buraco na parede, a incrível história de amor entre um peixe e uma flor, fotos antigas, lembranças alegres… outras nem tanto. Desse relicário surgem brincadeiras de infância, relações de amizade, encontros com medos, viagens pelo imaginário, situações de bullying e outras experiências.