Filme de abertura do Festival de Veneza, A Graça (2025), rendeu ao italiano Toni Servillo a Copa Volpi de Melhor Ator na 82ª edição do evento ocasião em que recebeu o troféu das mãos de Fernanda Torres, integrante do júri. No novo filme do diretor Paolo Sorrentino, o astro de A Grande Beleza (2013) interpreta um presidente da Itália em final de mandato que enfrenta decisões políticas e éticas e confronta o próprio passado.
Em A Graça, o presidente Mariano De Santis (Servillo), apelidado pelas costas de "Concreto Armado", é um político conhecido pela sobriedade do comportamento e pela habilidade em esquivar-se de posicionamentos. Respeitado doutor em leis, o chefe de estado é auxiliado pela filha, a também jurista Dorotea (Anna Ferzetti).
Às vésperas de encerrar sua relativamente tranquila gestão, o devoto presidente católico é confrontado com duas demandas que confrontam seus princípios e sua fé: assinar indultos a duas pessoas presas por homicídio e sancionar uma lei permitindo a eutanásia no país. Ao mesmo tempo, De Santis rumina a saudade da esposa falecida e a dúvida a respeito de uma infidelidade do passado.

A Graça é a sétima colaboração entre Paolo Sorrentino e e Toni Servillo ⎯ curiosamente, o ator já tinha interpretado dois poderosos líderes italianos reais sob o comando do cineasta: os ex-primeiros-ministros Giulio Andreotti em O Divo (2008) e Silvio Berlusconi em Loro (2018). Obra de maturidade do realizador, A Graça deixa de lado o tom estilizado e mesmo histriônico desses títulos anteriores do realizador, apresentando uma narrativa mais reflexiva e dramática.
“Vivemos um momento histórico em que a ética às vezes parece opcional, evasiva, opaca, ou muitas vezes invocada apenas por razões instrumentais. A ética é uma questão séria. Ela sustenta o mundo. Mariano De Santis é um homem sério. E Toni é o único ator que me transmite uma sensação imediata de autoridade ⎯ ao mesmo tempo em que emana grande humanidade só com seu olhar”, declarou o diretor e roteirista em entrevista à revista Variety.
Sorrentino não abdica de todo do olhar poético e crítico característico com que vê a sociedade e o mundo contemporâneo, que comumente remete ao universo extravagante dos filmes do mestre Federico Fellini ⎯ sintetizado em A Graça na figura de um papa negro de origem africana, que tem o cabelo trançado e anda de motocicleta.

A Graça: * * * *
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