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Restaurado digitalmente, longa-metragem gaúcho Vento Norte irá estrear no Festival Internacional de Cinema de Roterdã

Elo entre o neorrealismo italiano e o cinema novo brasileiro, obra de Salomão Scliar está na seleção da mostra Cinema Regained

Restaurado digitalmente, longa-metragem gaúcho Vento Norte irá estrear no Festival Internacional de Cinema de Roterdã

O longa-metragem gaúcho Vento Norte, de Salomão Scliar (1925 - 1991), vai ser um dos destaques da programação oficial da próxima edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, na Holanda — considerado um dos cinco maiores do gênero na Europa. O filme vai ser exibido nos dias 2 e 6 de fevereiro na mostra Cinema Regained, que reúne obras clássicas restauradas, documentários e produções experimentais sobre a cultura cinematográfica. 

 Será a estreia da versão restaurada em 4K do primeiro longa-metragem de ficção sonoro filmado no Rio Grande do Sul, rodado no início da década de 1950. O processo de digitalização foi realizado pela Cinemateca Capitólio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, em parceria com a Cinemateca Brasileira, de São Paulo. O projeto tem apoio da Link Digital e Mapa Filmes e coordenação técnica de restauração de Débora Butruce, da Mnemosine Serviços Audiovisuais.

Considerada o elo entre o neorrealismo italiano e o cinema novo brasileiro, a produção foi rodada em preto e branco na cidade de Torres, no litoral gaúcho. A trama retrata a rotina de uma pequena vila de pescadores abalada pela chegada de um misterioso forasteiro. A presença dele irá despertar paixões e desencadear uma série de ações violentas entre os habitantes locais, conduzindo a trama um desfecho trágico.

Salomão Scliar acumulou as funções de diretor, roteirista, produtor, fotógrafo e still. O longa foi montado no Rio de Janeiro, onde foi projetado pela primeira vez no Círculo de Estudos Cinematográficos do Rio de Janeiro, em janeiro 1951. Em maio do mesmo ano, teve sessões no Museu de Arte de São Paulo e no Clube de Cinema de Porto Alegre. Em julho, também entrou em cartaz no Cinema Imperial, na capital gaúcha.

"Vento Norte é um filme pouco conhecido, visto em cópias VHS com baixíssima resolução ou para quem teve a sorte, visto em algumas poucas sessões realizadas em 35mm. É uma obra muito bem realizada e destaca uma região do Rio Grande do Sul pouco conhecida internacionalmente, como a Praia de Torres. Ele é um marco na história do cinema brasileiro por toda sua realização, e o único longa-metragem realizado por Salomão Scliar" explica Daniela Mazzilli, diretora da Cinemateca Capitólio e coordenadora de Cinema e Audiovisual da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.

Além da projeção no Festival Internacional de Cinema de Roterdã, a versão digital de Vento Norte será exibida em outras mostras cinematográficas em 2026, como também na Cinemateca Capitólio

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