Réguas, materiais acumulados por décadas e fragmentos de construções às margens do Guaíba são os pontos de partida de três exposições em cartaz em Porto Alegre. Os artistas Tiago Gasperin, Claudio Cretti e zarro transformam elementos do cotidiano em investigações sobre convenções, memória e as múltiplas camadas de significado inscritas em objetos e vestígios.
A medida humana das coisas

Exibida no Centro Cultural da UFRGS até 1º de julho, a mostra Estândar, de Tiago Gasperin, evidencia que métricas e convenções, associadas à precisão e à objetividade, são criações humanas. “Não tenho a pretensão de fazer um juízo de valor, mas de sublinhar que esses sistemas – criados a partir de necessidades e grupos específicos – não são naturais e, a partir disso, mostrar que é possível transformá-los em outras coisas, a partir de apropriações”, explica.
Na mostra, Gasperin busca uma dimensão mais sensível desses sistemas, aproximando-os dos corpos e subjetividades, como nas obras Para Medir de Olho e Medido de Cabeça. Na primeira, o artista traçou manualmente, milímetro por milímetro, ripas de madeira, até completar um metro. Na segunda, memorizou as dimensões de uma parede da galeria e, dez dias depois, escreveu no espaço expositivo as medidas que recordava.
“Me pergunto se nosso corpo é insuficiente para reproduzir essas medidas com precisão ou se ocorre justamente o oposto: as medidas se tornam insuficientes para reproduzir o que somos”, reflete.