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✉️ Donald Trump na lona

Newsletter do Juremir #201

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Foto: The White House

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Donald Trump na lona

Suprema Corte dos EUA derrubou tarifaço do presidente

Fim de papo. A lei não dá ao executivo a atribuição de criar impostos. É tarefa do legislativo.

Quando alguns mais afoitos já comparavam os Estados Unidos com a Venezuela e Donald Trump com Nicolás Maduro, uma luz piscava e uma placa se acendia com os dizeres: “Freios e contrapesos”. É isso que diferencia a democracia de um país que perdeu a capacidade de se autogovernar. Numa ditadura, os poderes não são mais independentes e não contrabalançam o executivo, que incha e toma conta de tudo. A Suprema Corte dos Estados Unidos, mesmo sendo de extração conservadora, deu um megatranco no candidato a autocrata Donald Trump e derrubou o seu tarifaço.

Fim de papo. A lei não dá ao executivo a atribuição de criar impostos. É tarefa do legislativo. Trump, que não pratica a língua política da dissimulação, ficou puto da cara e chamou os juízes que o desagradaram de traidores da pátria. Agarrou-se a outra lei para impor tarifas gerais.

Só que o novo dispositivo só permite tarifas de 10% por 150 dias. Depois disso, precisa ter o aval do Congresso Nacional. Fim de farra.

Fazer a América grande sugando os outros é barbada. O rolo agora será na justiça. Quem pagou vai querer de volta o que entregou indevidamente.

Quem recebeu a mais, vai devolver? Em quanto tempo?

Em 2026, Trump vem acumulando derrotas. Até parece time que vai cair para a segunda divisão. Foi obrigado a retirar a sua tropa de caça a imigrantes de Minneapolis. O ICE voltou para as bases com o rabo entre as pernas, deixando o saldo de dois assassinatos que não serão esquecidos.

O próximo jogo será contra o Irã. É provável que Trump ataque o país dos aiatolás para mostrar força e recuperar a sensação de estar mandando.

Se nenhuma nação conseguiu derrotar Trump no campo aberto da guerra tarifária, tendo o Brasil conseguido um empate honroso, o contra-ataque veio de dentro. Trump beijou a lona ao receber um direto no queixo dado pelo poder judiciário que ele vinha desafiando, humilhando e provocando.

A Europa, que se ajoelhou rapidamente diante da pressão de Trump, vai humildemente pedir para cancelar os acordos que fez para não se incomodar?

A imprensa europeia recebeu a notícia com um pé atrás. O jornal francês Le Monde mostrou a sua cautela em manchete com declaração de um economista: "A decisão da Suprema Corte sobre as tarifas não marca o fim das guerras comerciais de Donald Trump”. Tudo parecia resolvido. Não está?

O britânico The Guardian limitou-se ao anedótico: “Furioso, Trump assina imposto global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifas. O presidente chamou seis juízes de ‘desgraça para a nação’ e elogiou os três que discordaram”. Um dia depois, Trump descobriu nova fresta na lei e aumentou as taxas para 15%. Com Trump é assim, sem disfarce nem palavras bonitas, quem está com ele é genial e patriota, quem não está, é desgraçado e traidor. No mundo binário é assim. Donald Trump continua esbravejando.

The New York Times também se mostrou cauteloso: “Águas Turvas para negócios globais após a derrota das tarifas de Trump. Mesmo após a Suprema Corte ter invalidado muitas das taxas do presidente, líderes e executivos estrangeiros presumem que as tarifas americanas vieram para ficar, de uma forma ou de outra”. Como diz a sabedoria ancestral gaudéria, cachorro comedor de ovelha não tem jeito, só mantendo bem longe do poder.