Olá! Na edição de hoje, destacamos a falta de transparência em relação às denúncias de violência policial no estado. O único boletim público e unificado sobre o tema chegou a um fim prematuro em 2023 – desde então, os dados só podem ser obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
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🚑 Vereador pede CPI para investigar o SAMU na capital
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📸 Exposição apresenta fotos, textos e correspondências de Caio Fernando Abreu
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Violência policial no RS está sem relatório público e unificado desde 2023
*Esta newsletter foi atualizada, na versão publicada no site, às 15h30 de 15/10/2026 para incluir a correção realizada na reportagem da Beta Redação que baseou esta nota. Não é possível comparar os dados da Brigada Militar com os dados gerais da SSP, como foi feito no texto antes da correção.
Desde 2023, o Rio Grande do Sul não tem nenhum levantamento público e unificado sobre denúncias de violência policial. O único instrumento do tipo, o boletim do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado (DPE-RS), teve um fim prematuro: durou apenas três anos – 2021, 2022 e 2023, quando deixou de ser divulgado, conforme reportagem da Beta Redação.
O boletim da DPE classificava os casos, apontando qual a instituição denunciada – Polícia Civil, Brigada Militar, Guarda Municipal, Polícia Federal ou outros – em qual município e com qual desfecho administrativo. Na terceira e última edição, referente a 2023, o registro foi de 1.316 atendimentos, representando uma alta de 24% sobre o ano anterior. A Brigada Militar foi apontada em 81,7% dos registros.
Em nota, a DPE-RS informou que o material segue sendo produzido, mas apenas para uso interno, e que há um grupo de trabalho junto à corregedoria do Tribunal de Justiça, no qual estão sendo estudadas formas de compilação e análise dos dados. Segundo a DPE, descontinuar a publicação “reflete legítima deliberação de política de governança interna e gestão de dados”.
Na ausência de informações sistematizadas, a única forma de acessar tais dados é via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Como informa a reportagem atualizada, a Beta Redação buscava um posicionamento da SSP quanto aos dados desde 26 de agosto de 2026. Após seis tentativas de contato via assessoria de imprensa, a pasta retornou ontem (14), com esclarecimentos do setor responsável. As informações atualizadas esclarecem que os números disponibilizados pela Brigada Militar se referem apenas a Porto Alegre, e não ao Rio Grande do Sul inteiro, como a versão anterior da reportagem apontava.
Por meio da LAI, a Brigada Militar informou queda de 82,86% nos inquéritos internos por abuso de autoridade entre 2022 e 2025 em Porto Alegre. Segundo a BM, também há redução nas mortes classificadas como “oposição à intervenção policial” na capital. Em 2024, 34 mortes foram informadas nessa classificação; em 2025, duas.
Os dados da Secretaria da Segurança Pública contabilizam 141 mortes por intervenção policial em 2024 em todo o estado do Rio Grande do Sul, sem detalhar corporações envolvidas nem desfechos das investigações.
Informações sobre violência policial chegam ao Ministério Público, responsável pelo controle externo da atividade policial, por diferentes vias: inquéritos policiais, comunicação de órgãos públicos, representação de familiares e advogados, denúncias anônimas ou por informações públicas e pela imprensa.
Para Miguel Tedesco Wedy, professor de Direito e Relações Internacionais da Unisinos, são necessárias novas soluções para garantir assertividade e transparência na fiscalização desses casos.
“O MPRS tem um papel vital, pois faz o controle externo da atividade policial e a regulação acerca disso. Mas quando há um crime doloso contra a vida ou um abuso de autoridade e não chega até o Ministério Público, quem fiscaliza isso? Ninguém”, afirmou à reportagem da Beta Redação.
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Melo veta projeto de bueiros inteligentes
Visando à prevenção de alagamentos, o projeto de lei que institui o Programa Bueiro Inteligente em Porto Alegre havia sido aprovado no plenário da Câmara de Vereadores. A proposta, da vereadora Natasha Ferreira (PT), consiste na instalação de cestos coletores removíveis nas bocas de lobo do município, com tecnologia capaz de identificar obstruções e monitorar o nível da água. Alegando custo elevado e necessidade de estudos, o prefeito Sebastião Melo (MDB) vetou o projeto.
Conforme a proposta, os cestos coletores removíveis seriam adaptados aos diferentes modelos de bueiros da cidade. Sem comprometer o fluxo das águas pluviais, os cestos reteriam os materiais sólidos, ajudando a evitar o acúmulo de resíduos e a manter o funcionamento da rede de drenagem. Além disso, os cestos coletores poderiam ser produzidos com materiais reciclados provenientes de obras municipais, contribuindo para a redução de custos e incentivando a sustentabilidade.
No veto, o prefeito apresenta uma série de justificativas. A primeira conta com um parecer técnico do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), que indicou que o acúmulo de resíduos não é de grande impacto para alagamentos e que o projeto, portanto, “não assegura, por si só, redução significativa da ocorrência ou da intensidade dos alagamentos”. No Instagram, a vereadora Natasha respondeu: “O programa não vai resolver tudo sozinho. É uma das medidas para resolver o problema”.
Vereador encaminha pedido de CPI para investigar gestão da SAMU em Porto Alegre
O vereador Roberto Robaina (PSOL) encaminhou à Câmara de Vereadores pedido para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue possíveis irregularidades no funcionamento e na gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Dos 35 vereadores, 12 já assinaram o pedido de CPI – número suficiente para garantir sua abertura.
Antes de fazer o pedido de CPI à Câmara, o vereador também entregou denúncias referentes ao SAMU diretamente à promotora de Justiça de Defesa do Patrimônio Público do MPRS. Entre os pontos destacados estão a indisponibilidade de condutores para dirigir as ambulâncias – em pouco mais de um ano, foram 400 denúncias referentes à falta de motorista –, além de questionar a contratação, manutenção e distribuição dos recursos do planejamento operacional.
Festival promove atividades na zona rural de Porto Alegre
A segunda edição do Festival Primavera Rural realiza atividades entre os dias 15 e 18 de outubro em 12 propriedades da zona rural de Porto Alegre. Voltado ao público em geral – incluindo crianças e grupos escolares –, o evento celebra o Ano Internacional da Mulher Agricultora, ressaltando o papel das mulheres na preservação e reinvenção do campo.
Segundo os organizadores, o objetivo é propor um novo olhar sobre o rural, não apenas como área produtiva, mas como território de qualidade de vida, gastronomia, natureza, cultura, conhecimento, bem-estar e convivência. Parte das atividades são gratuitas, e as pagas custam entre R$ 35 e R$ 200. Ingressos e mais detalhes da programação estão disponíveis aqui.
“O Festival nasce justamente para aproximar esse patrimônio de quem vive na cidade e, ao mesmo tempo, gerar renda, visibilidade e novas oportunidades para quem mantém o rural vivo”, afirma Noara Tubino, presidente do Grupo Mulheres Rurais de Porto Alegre.
Ato pró-Lula reúne milhares de pessoas no Centro Histórico
Na noite de ontem, um ato em apoio à reeleição do presidente Lula reuniu milhares de pessoas no Centro Histórico de Porto Alegre. A caminhada iniciou na Esquina Democrática e percorreu vias como Borges de Medeiros, Riachuelo e Andradas. Apoiadores e representantes de partidos políticos, movimentos sociais e entidades estudantis se manifestaram a favor da candidatura, defendendo o fim da escala 6x1 – com votação no Congresso marcada para hoje – e a preservação das garantias constitucionais.
Foto: Ricardo Romanoff
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OUTRAS NOTÍCIAS
A prefeitura de Porto Alegre sofreu nova derrota na Justiça, e o leilão do antigo prédio da Smov, no bairro Praia de Belas, segue suspenso. O ministro Marco Aurélio Bellizze (STJ) entendeu que o CAU/RS tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio histórico.
A Procuradoria-Geral do Município avalia recorrer da decisão. A Matinal já noticiou que a prefeitura foi oficiada a prestar esclarecimentos sobre o acervo urbanístico e que o MP vistoriou o prédio para apurar descaso com o patrimônio.
Porto Alegre registrou o quarto maior IPCA entre as capitais pesquisadas em setembro (0,96%), acima dos 0,82% do índice nacional. Em 2026, a alta na cidade é de 3,93%, e nos últimos 12 meses chega a 5,02%. No país, o principal impacto veio da energia elétrica residencial, que subiu 7,98% com o fim do Bônus de Itaipu.
O governador Eduardo Leite (PSD) e o governador eleito Luciano Zucco (PL) inauguraram ontem (13) o Escritório de Transição de Governo, no 11º andar do Edifício Guaíba.
A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (Pneumo 20) passa a ser oferecida em Porto Alegre a pessoas com 85 anos ou mais a partir de amanhã (15). O público estimado é de 23,9 mil idosos. Para se vacinar, basta apresentar documento com comprovação de idade em qualquer unidade de saúde com sala de vacina. A dose é única.
O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) virá a Porto Alegre hoje para as primeiras agendas do segundo turno na região Sul. Ele deve participar de uma reunião-almoço na Fiergs e de uma mobilização com eleitores no Centro Histórico, com local e horário a definir.
Um homem de 39 anos foi preso na manhã de ontem por suspeita de feminicídio em Porto Alegre. A vítima, Natacha Rodrigues Mendes, 21 anos, foi encontrada morta na casa dele, no bairro Aberta dos Morros. Se confirmado, será o 62º feminicídio do ano no RS.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou hoje carta em que declara apoio à reeleição do presidente Lula. O texto, do Conselho Pleno formado por reitores, também defende a democracia, o financiamento das universidades e a ciência. A entidade afirma que a decisão respeita a autonomia das instituições e a liberdade individual de voto.
Juremir Machado da Silva: “Uma biografia de política é como para-brisa de carro: com o tempo vai ficando cheia das mais variadas sujeiras”. Leia a coluna.
OPINIÃO

Pólis em risco
Um atrito civilizado no debate político em época de eleições faz parte, é normal e até salutar. Pior é a apatia. No entanto, a eleição do dia 4 passado acendeu um rastilho de pólvora de tirar o sono de quem, como eu, quer a cidade como pólis democrática.

Exposição exibe fotos, textos e cartas de Caio Fernando Abreu

No ano que marca os 30 anos da morte de Caio Fernando Abreu, o Multipalco Eva Sopher recebe a exposição Caio Quintessencial, reunindo fotografias de Dulce Helfer, que registrou o escritor em momentos de intimidade. Com curadoria do jornalista Salus Loch, a mostra também apresenta textos do escritor, reportagens sobre Caio, itens dos acervos da astróloga Amanda Costa e do jornalista Juarez Fonseca e ainda correspondências inéditas escritas pelo escritor para o amigo e diretor teatral Luciano Alabarse. A inauguração ocorre hoje, às 18h30, com entrada gratuita.
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