Feminicídio não é problema meu
O estupro e o assassinato de Catarina Kasten, 31 anos, na Trilha do Matadeiro, em Florianópolis (SC), assim como outros feminicídios e casos de violência contra a mulher, são problemas de vocês homens. São vocês que praticam esses crimes.
Eu leio na 5ª edição do estudo “Visível e Invisível: Vitimização de Meninas e Mulheres”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025. Sei o seu perfil de raça, escolaridade, idade. Mas quantos são os agressores? Quem são eles? Sabemos que, em sua maioria, são conhecidos das vítimas, como parceiros ou ex – o que faz do caso de Catarina uma exceção, mas não menos pavoroso.
Mas eu quero saber mais. Eu quero os agressores na mira.
Quero manchetes que digam: “Em 2024, X milhões de homens abusaram de suas esposas e filhas”;
“X mil homens mataram mulheres por sua condição de gênero”.
Eu quero jogar esse problema no colo de quem tem que resolvê-lo. O problema é de vocês homens.
“Ah, mas nem todo homem”. Parem de reproduzir essa bobagem. É óbvio que não é todo homem, mas a gente tem que explicar isso sempre que um alecrim dourado abre a boca para falar que nunca bateu na esposa. Não é sobre você, querido, é sobre o grupo ao qual você pertence. E não se trata de promover uma guerra dos sexos. São fatos.
Assim como também é realidade que quando um homem fala algo para outro ele tem mais chance de ser ouvido. Então, parem de rir da piada machista do colega. Em vez disso, repreendam o amigo. Cobrem que se fale de misoginia na escola do seu filho. Fale com ele sobre respeitar as mulheres e valide suas emoções. Criem meninos sensíveis e atentos. Em 2026, votem em quem tem projeto de política pública de letramento de gênero e combate à violência contra a mulher.
Digo que não é problema nosso porque não somos nós as autoras dessa violência e, infelizmente, nós sozinhas não vamos resolver a situação. Quem tem que mudar são os homens. Já é uma carga enorme ter que se proteger – em casa ou no caminho da natação, como ocorreu com Catarina, violentada e morta por Giovane Correa Mayer, 21 anos.
“Não vai sozinha”. “Vai por outra rua”. “Não vai à noite”. “Melhor uma roupa que chame menos atenção”. Tudo isso e ainda ter que convencer os homens de que nossas vidas valem tanto quanto a deles.
Então, caros amigos, impliquem-se. Assumam a responsabilidade de resolver esse problema.
Enquanto vocês seguem cheio de dedos dizendo que não são machistas, mas não sabem o que fazer, nós seguimos morrendo. Pelas mãos de vocês.
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