
Doutrina Donroe: Estados Unidos inauguram nova fase da Doutrina Monroe
Manda no mundo quem tem a força militar: Estados Unidos, China e Rússia. Isso já se sabia. Com a invasão da Venezuela por ordem de Donald Trump ficou ainda mais claro. Países sem poderio militar devem ser satélites dos patrões nas suas áreas de vassalagem. Uma frase do poderoso Marco Rubio diz tudo: "Esse bloqueio permanecerá em vigor até que vejamos mudanças que não apenas promovam o interesse nacional dos Estados Unidos, que é o número um, mas que também levem a um futuro melhor para o povo venezuelano". Fim da autodeterminação dos povos e da soberania nacional.
Não seria difícil entender e aplaudir a derrubada de um ditador como Nicolás Maduro, ainda que isso viole a soberania nacional e que os Estados Unidos tenham ótimas relações com a ditadura saudita, se fosse pela democracia. Mas Trump deixou bem claro que é pelo petróleo, tanto que vai entregar o petróleo da Venezuela a empresas dos Estados Unidos. Com que direito? O direito da força e de comandar o que considera o seu quintal. Trump considera que Hugo Chávez roubou de empresas americanas o investimento feito em infraestrutura para exploração de petróleo.
Qual o principal objetivo da operação? Estancar a influência da China, da Rússia e do Irã na sua zona de controle, ainda mais com a negociação do petróleo em outras moedas que não o dólar. Entramos na era da geopolítica da franqueza. Vladimir Putin ficará com um pedaço da Ucrânia. Trump vai administrar a Venezuela. Xi Jinping rosna para Taiwan. Quem poderá dar-lhe lições de moral? Boa parte da esquerda latino-americana está numa saia justa: apoia a violação da soberania ucraniana pela Rússia e deplora a violação da soberania da Venezuela pelos Estados Unidos.
A direita vive a mesma contradição ao contrário. Soberania nacional era só uma elegante concessão dos poderosos aos mais fracos para que tivessem a ilusão da plena autonomia. O preço a pagar era a vassalagem.
Maduro não merece um só argumento de defesa. O conjunto da sua obra é um desastre. Porém, os maiores jornais do mundo, como New York Times e Le Monde, condenaram o desrespeito aos princípios básicos do direito internacional. Até jornais brasileiros espantaram-se com a arrogância de Trump, que assumiu abertamente o papel de dono da América Latina.
O sinal ficou dado para todo mundo. Quem tiver riquezas do interesse dos Estados Unidos e não colaborar com os controladores da região poderá ser atacado. O próximo a ser alvo, por não se comportar bem, é a Colômbia, cujo presidente, Gustavo Petro, tem incomodado Trump com suas declarações. O colombiano começa a ser enquadrado na “fórmula Noriega”, a quem permitiu invadir o Panamá em 1986 e agora a Venezuela, sendo acusado de ser narcotraficante. O Brasil, com as suas “terras raras”, que se cuide.
Canadá e México já estão com as barbas de molho. Na era da geopolítica da franqueza brutal ninguém está ao abrigo de um vizinho armado até os dentes comandado por um kamikaze sedento de poder e aventuras que assiste aos sequestros de seus inimigos da sala da sua mansão. Sincero, Trump declarou a Venezuela morta. Virou um protetorado dos Estados Unidos.
É a Doutrina Donroe (Donald + Monroe) ou Tonroe.