Bom dia! A repórter Valentina Bressan seguiu informações recebidas pela redação e publica hoje uma longa reportagem sobre a exclusão do ensino de francês na rede pública municipal. A medida, anunciada verbalmente, mas não confirmada de maneira formal, foi decidida sem consulta à comunidade escolar e afeta diretamente imigrantes haitianos que estudam na capital.
Também contamos sobre a ideia do prefeito Sebastião Melo em elevar o IPTU de imóveis sem uso – proposta já prevista pelo Estatuto da Cidade, sugerida pela oposição e descartada pela base do governo durante as discussões na comissão do Plano Diretor. E, de olho no ensino superior, registramos a promessa da reitora da UFRGS de não aumentar o preço do RU, apesar dos cortes no orçamento.
Na coluna de hoje, Juremir Machado da Silva reflete sobre a distância de 2025, quando ainda sonhávamos com um outro mundo possível. Na cultura, além de organizar a agenda para o fim de semana, trazemos uma reportagem sobre a Brasa Editora.
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Gestão Melo acaba com ensino de francês e reduz língua estrangeira nas escolas
O ano letivo vai começar com mudanças em quatro escolas públicas de Porto Alegre. Professores de francês da rede municipal da capital relatam que o idioma foi retirado da grade curricular de 2026. A carga horária da língua estrangeira em projetos do contraturno também foi reduzida.
A decisão foi comunicada verbalmente pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) aos diretores das escolas ainda no final de 2025, sem um comunicado formal. A vereadores que questionaram sobre o assunto, a pasta enviou respostas contraditórias. A secretaria não retornou à reportagem.
A medida pode prejudicar os professores concursados para lecionar esta disciplina, que precisam cumprir determinada carga horária em sala de aula para cumprir os critérios da aposentadoria. Estudantes também saem prejudicados – em especial, alunos cujas famílias são imigrantes do Haiti.
A comunidade escolar não foi consultada, e a medida suscitou críticas de especialistas, que advertiram que a exclusão do francês também poderá prejudicar o acolhimento de filhos de imigrantes nas escolas:
“Reduzir a oferta de línguas é empobrecer a visão de mundo”, explica Sandra Loguercio, representante docente do Conselho Universitário de Letras da UFRGS.Leia a reportagem completa:

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Melo sinaliza lei para elevar IPTU de imóveis sem uso, como proposto pela oposição
O prefeito Sebastião Melo sugeriu a criação de uma lei, por parte do município, ou em conjunto com os vereadores, para elevar o IPTU a proprietários de prédios ou terrenos abandonados. A medida, explicou ele durante a posse da nova Mesa Diretora da Câmara nesta semana, visa mitigar problemas de segurança no entorno desses locais abandonados. “Não é possível continuar deste jeito”, afirmou. A iniciativa não chega a ser novidade. Mecanismo semelhante já consta no Estatuto da Cidade, e prevê o IPTU Progressivo, que vai majorando a alíquota conforme a não utilização dos imóveis. Cabe, porém, ao município regular a cobrança.
No último mês, ao menos três emendas ao Plano Diretor, a 125, a 308 e 332, previam a utilização do IPTU Progressivo, como forma de incentivar o uso social dos imóveis e à melhoria do ambiente e do desenvolvimento urbano. As propostas partiram da oposição, de Giovani Culau (PCdoB), Juliana de Souza (PT) e Jonas Reis (PT). Como a maioria das emendas propostas pela esquerda, receberam parecer pela rejeição por parte do relator-geral da Comissão do Plano Diretor, Jessé Sangalli (PL). Os textos, ainda assim, poderão ser discutidos no plenário, caso sejam destacados.
Reitora da UFRGS garante manutenção do preço do RU apesar de corte orçamentário
Mesmo com o corte de 7,2% no orçamento, equivalente a cerca de 14,5 milhões de reais, a reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, descartou elevar o preço dos restaurantes universitários, atualmente em 1,30 por refeição. “Alimentar esses jovens é o que faz eles permanecerem na universidade”, argumentou a reitora, mantendo, também, a ideia de inaugurar um novo RU em março. Barbosa, que já havia definido a redução orçamentária como “desesperadora”, mantém a expectativa de conseguir mais recursos em Brasília no início deste ano.
A reportagem de GZH conversou com as instituições de ensino afetadas pelos cortes em despesas não obrigatórias. O quadro geral indica a redução na área da pesquisa, com o corte de bolsas, assim como impactos no funcionamento de laboratórios e até mesmo no atendimento na área da saúde pública.
Contrariando diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), escolas da rede pública da capital gaúcha ainda não garantem padrões nutricionais de qualidade para os alunos. O cenário foi revelado pela pesquisadora Muriele Betencourt, em dissertação de mestrado defendida na UFRGS.
Ao analisar 400 cardápios de creches da rede municipal porto-alegrense, Betencourt identificou que apenas 15,3% estão adequados segundo o índice IQ COSAN, que avalia refeições no âmbito do PNAE. Do total, 68,8% demandam melhorias, e 16% são inadequados. Ainda que ingredientes regionais estejam presentes em 96,75% dos cardápios, frutas nativas e outros produtos da biodiversidade brasileira aparecem só em 14%.
Os fatores que influenciam no resultado, até a refeição chegar aos pratos, passam por dificuldades das instituições ao adquirir alimentos regionais, capacitar equipes de cozinha e lidar com questões de logística. Pela praticidade, escolas optam pelo uso de ultraprocessados. Diante disso, o trabalho indica a necessidade da formação contínua de funcionários, monitoramento do que é servido e o estreitamento de laços com agricultores familiares, para garantir o contato com ingredientes nativos.
OUTRAS NOTÍCIAS
A Polícia Civil constatou que 15 pavilhões de escolas do Complexo Porto Seco operavam por meio de ligações ilegais de energia. Após a operação, ao menos duas escolas passaram a utilizar geradores.
Após a operação, a prefeitura e a CEEE Equatorial firmaram acordo para regularizar o fornecimento elétrico no local.
Também na zona norte, moradores do Jardim Itu reclamam da condição dos fios nos postes da região que, somada aos buracos nas calçadas e vias, consideram um descaso com a população.
Devido a dificuldades financeiras ampliadas depois da pandemia, a tradicional Sociedade Germânica de Porto Alegre vai encerrar suas operações, após 170 anos em atividade.
O Rio Grande do Sul recebeu 1,4 milhão de turistas estrangeiros entre janeiro e novembro de 2025, o que representa um crescimento de 86% em relação ao número observado em 2024.
Trinta e cinco apenados não retornaram à detenção após a saída temporária de final de ano no RS, em 2025. O índice correspondente a menos de 2% do total que recebeu o benefício.
O município de Santiago, no Vale do Taquari, agora tem a primeira usina do país capaz de produzir etanol a partir do trigo.

Lembranças do ano de 2025
Só faz uma semana que o mundo entrou no fictício ano de 2026 e quem ainda se lembra de 2025? A sensação é de que já faz muito tempo que o ano passado acabou. Esse longínquo ano de 2025 é justamente isto: passado.
A aceleração da qual gostam de falar os filósofos da técnica veio com uma canetada de Donald Trump: ataquem. A Venezuela foi tomada com a facilidade de um assalto à mão armada contra uma clínica de repouso.
CULTURA
Quadrinhos na esquina

Localizada na esquina das ruas José do Patrocínio e Luís Afonso, em um imponente casarão de dois andares, a loja da Brasa Editora é muito mais do que o nome sugere. Além de livraria de calçada, o espaço também funciona como bar e ponto cultural multifacetado, abrigando uma ampla variedade de eventos e expressões artísticas em Porto Alegre. Leia a matéria de Eduardo Barcelos.
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