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✉️ Lições de Edgar Morin

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Com Edgar Morin na PUCRS

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Lições de Edgar Morin

Edgar Morin partiu, na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, aos 104 anos de idade. Viveu intensamente. Fez parte da história do século XX, tendo lutado contra o invasor nazista da França, na Segunda Guerra Mundial. Eu o visitei pela primeira vez, em Paris, num 1º de maio, nos anos 1990. Ele me ensinou de cara a importância das telenovelas brasileiras. Via Dona Beja na televisão francesa. A partir daí eu me liguei a ele, que fez parte da minha banca de doutorado, na Sorbonne, Paris V, e me supervisionou, junto com os mestres Michel Maffesoli e Jean Baudrillard, no pós-doutorado.

Dediquei parte da minha vida a traduzir para o Brasil a sua obra-prima: O Método. Meu amigo Luís Gomes, editor da Sulina, bancou a publicação dos seis volumes dessa obra enciclopédica fundamental para a compreensão da complexidade da vida e da humanidade. Em outro momento, resgatamos numa biblioteca parisiense o primeiro livro de Morin, O Ano Zero da Alemanha, que não era mais editado, e o lançamos no Brasil. Foi lindo.

Traduzi recentemente os últimos livros do mestre: Lições da história (L&PM), Só um instante (Sulina) e, com Luana Chinazzo, O método do Método: o original perdido (Edipucrs). Nunca esquecerei a primeira vez de Edgar Morin em Porto Alegre, ao lado de Michel Maffesoli e Jean Baudrillard, na Usina do Gasômetro, em evento organizado com Esther Grossi e Fernando Schuler. Quase 2.400 pessoas viram e ouviram os intelectuais falarem de um tema paradoxal: a decadência do futuro e a construção do presente.

Contra todas as modas intelectuais de cada época, em sua longa vida, Edgar Morin sempre defendeu o humanismo, sem a arrogância do antropoceno, o papel do sujeito na história, contra os determinismos estruturalistas, e a necessidade de um mundo mais justo, igualitário, autêntico e fraterno.

Neste vídeo, que gravamos com ele em Paris para um evento da PUCRS, Edgar Morin dá uma aula sobre complexidade, transdisciplinaridade e vida.

Não posso deixar de destacar a sua mais bela “lição da história”, a décima quarta do seu livro sobre o tema: “O imaginário faz parte da realidade humana, não apenas dos sonhos, acordados ou não, e das artes. Ele alimenta também os mitos e religiões que, como se viu, despenham um papel histórico determinante”. Para Morin, a realidade era também sonhada.

Morin sabia gozar a vida, divertir-se como um menino. Numa das suas vindas ao Rio de Janeiro, ainda jovem, com Baudrillard e Maffesoli, posou para uma foto que O Globo publicou sob o título “Filosofia e caipirinha”.

Em 2000, a PUCRS, por proposição do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Famecos, concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa.

Guardarei este abraço trocado em Montpellier como uma demonstração de afeto do velho mestre, já centenário, extremamente lúcido e afiado, antes de uma boa conversa sobre os dilemas do mundo pós-pandemia de Covid-19.

Morin veio, viu, viveu, venceu e partiu.

Deixa livros e saudades.