Olá! Em uma virada histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu a reeleição para um quarto mandato, com 51,79% dos votos válidos. Para especialistas, a vitória serve como contenção institucional frente ao avanço da extrema direita.
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🗳️ Abstenção no segundo turno é a menor do país desde 2006
🚌 Após falhas no transporte público e chuvas, STF determina prorrogação inédita da votação
📍 Porto Alegre registra maior votação para Lula entre as capitais do Sul e Sudeste
✍️ Juremir Machado da Silva comemora a vitória de Lula, do bom senso e da democracia.
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Vitória de Lula é barreira contra avanço da extrema direita na América Latina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições ontem, com 51,79% dos votos válidos, e foi reeleito para seu quarto mandato, feito inédito no Brasil. Flávio Bolsonaro (PL) fez 48,21% dos votos. O resultado é histórico: é a primeira vez que um candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno virou a disputa na etapa final.
Lula ampliou sua votação em 10,3 milhões de votos em relação ao primeiro turno, enquanto Bolsonaro fez 3,7 milhões de votos a mais.
Mesmo com a maioria de extrema direita eleita para o Congresso e para os governos estaduais, o filósofo Moysés Pinto Neto, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, considera que a vitória de Lula funcionará como uma contenção institucional, "para segurar o rojão por quatro anos, evitando que haja o colapso total da Nova República e mantendo um esqueleto institucional mínimo."
Segundo Pinto Neto, o novo mandato impede a ruptura do pacto constitucional de 1988 e do processo de redemocratização. "Um novo mandato de Lula significa apenas segurar por mais quatro anos o avanço da avalanche fascista, e talvez, aqui a esperança, organizar melhor a resistência para que nas próximas eleições seja possível figurar melhor no parlamento", pontua.
Para a cientista política Tatiana Vargas-Maia, professora do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS, o novo mandato tende a dar continuidade a políticas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, investimento público e fortalecimento do Estado. No entanto, exigirá respostas a problemas persistentes, como as desigualdades e a construção de maiorias políticas, além de transformar os resultados das políticas públicas em percepção de impacto na qualidade de vida.
"O desafio que permanece é o de transformar esses avanços sociais em mudanças estruturais, sustentando o crescimento, a geração de empregos de qualidade e a redução das desigualdades", afirma Vargas-Maia. A bancada eleita para o Congresso aprofunda esse desafio. "A relação com um Congresso fragmentado, no qual as forças de extrema direita têm peso significativo, exigirá negociações permanentes e pode dificultar e limitar a implementação da agenda do governo."
Na política externa, a expectativa é de manutenção do multilateralismo, fortalecimento da integração latino-americana e defesa de soluções negociadas. "O Brasil procurará preservar sua autonomia diante da rivalidade entre grandes potências e manter espaço de interlocução tanto com os Estados Unidos quanto com a China. Na agenda climática, espera-se a continuidade do protagonismo brasileiro, embora os resultados dependam da capacidade de conciliar preservação ambiental, agronegócio e desenvolvimento econômico", pontua a pesquisadora.
A primeira virada entre os resultados do primeiro e segundo turno de uma eleição presidencial no Brasil chegou acompanhada da menor abstenção em 20 anos. No país, o índice atingiu 19,21% neste domingo (25), marcando quase dois pontos percentuais de diferença em relação ao primeiro turno. O valor corresponde a 30,4 milhões de brasileiros que optaram por não comparecer às urnas.
Dentre os estados da região Sul, os gaúchos foram os que mais deixaram de votar (19,16%), à frente dos paranaenses (18,04%) e catarinenses (16,96%) – vale lembrar que o Rio Grande do Sul é segundo estado mais populoso da região (11,2 milhões de habitantes, conforme população estimada em 2026 pelo IBGE), atrás do Paraná (11,9 milhões de habitantes). Em Porto Alegre, a abstenção caiu de 24% no primeiro turno para 21,09%.

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Após falhas no transporte público e chuvas, STF determina prorrogação inédita da votação
Denúncias de eleitores levaram o Procon da Bahia a identificar que 544 ônibus do transporte público de Salvador estavam parados em garagens, quando deveriam cumprir com a determinação de circular com passe livre no segundo turno. São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro também registraram falhas no transporte, segundo o Ministério da Justiça.
Em razão dos problemas no transporte em pelo menos nove estados, a campanha de Lula (PT) requisitou a prorrogação do horário de encerramento da votação em duas horas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao TSE a ampliação do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo devido a chuvas que causaram alagamentos, queda de energia e dificuldade de deslocamento durante o domingo.
Devido ao episódio com os ônibus, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) mandou prender o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, atendendo a pedido do Partido dos Trabalhadores, ordem que não pôde ser cumprida porque Souza estava na França. Após definir multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento, o TRE também determinou o restabelecimento integral da frota de ônibus da capital baiana, o que levou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, a colocar a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública a identificar agentes aptos a dirigir os veículos, se fosse necessário.
Por volta das 17h, o ministro Cristiano Zanin, do STF, aceitou o pedido da campanha de Lula e determinou o adiamento do encerramento da votação até as 19h. Depois, publicou esclarecimento de que a prorrogação era válida para locais onde as urnas ainda não haviam sido fechadas. Depois, Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, enviou ofício aos tribunais regionais eleitorais orientando o cumprimento da decisão.
A prorrogação inédita no país – pelo menos desde que as urnas eletrônicas foram implementadas, em 1994 –, causou confusão entre mesários e presidentes de seção onde a informação sobre a prorrogação chegou apenas depois das 17h, horário anteriormente definido para encerrar o período válido dos votos. Em meio às incertezas, o TRE-RS descartou a possibilidade de reabertura de urnas que já haviam sido fechadas.
Conforme Souza, o Secretário de Mobilidade assegurou ao partido que manteve a determinação de assegurar a frota de ônibus, e vai apurar o caso. “Mesmo assim, peticionamos na justiça em relação a essa redução da circulação de ônibus e o comprometimento dos eleitores de chegarem aos seus locais de votação”, relata à Matinal.
Além dela, a deputada estadual Laura Sito (PT) também recebeu denúncias similares em Porto Alegre e Cachoeirinha. A parlamentar se pronunciou por meio de suas redes sociais, e explicou que também peticionou o caso à justiça eleitoral.
Porto Alegre é a capital mais à esquerda da Região Sul e Sudeste: com 55,84% dos votos, o presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva vence na capital gaúcha neste segundo turno. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral, o petista somou 456 mil votos na cidade.
A capital gaúcha também foi a que registrou maior votação para Lula fora da região Nordeste.
OUTRAS NOTÍCIAS
Segundo o TRE-RS, foram identificadas 51 ocorrências entre a manhã de sábado e 19 horas de domingo. Em Porto Alegre, o órgão constatou de boca de urna, tentativa de violação ao sigilo de voto, furto, lesão corporal e vias de fato em local de votação, além de outro crime eleitoral não identificado.
Um voo da empresa Gol, com destino a Recife, atrasou neste último sábado em Porto Alegre. Outros dois, com destino à São Paulo, foram cancelados, o que gerou protestos de passageiros. O Ministério de Portos e Aeroportos cobrou explicações das companhias e pediu acompanhamento à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Duas mulheres denunciaram, nas redes sociais, que foram ameaçadas por um vizinho com uma arma de fogo, por exporem uma bandeira partidária na última sexta-feira (24), no Centro Histórico. A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão e apreendeu uma pistola e munições no apartamento do homem.
Alianças favoráveis à Lula e Flávio discursaram em tom otimista para o 2° turno no último domingo. Edegar Pretto, coordenador da campanha de Lula, falou junto à Olívio Dutra (PT), ex-governador do estado, e Juliana Brizola (PL), e destacou que seria uma “vitória da coletividade”. Já o governador eleito Luciano Zucco (PL), declarou que o bolsonarista iria ampliar a vantagem em relação ao primeiro turno.
Durante as eleições, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) realizou uma força-tarefa para proteger participantes do Programa de Monitoramento do Agressor no RS. A Central de Monitoramento ampliou a estrutura e aumentou o efetivo responsável pela análise dos alertas emitidos pelo sistema durante as eleições.
Até as 12 horas de ontem, o Tribunal Superior Eleitoral registrou 2,6 milhões de justificativas de ausência no segundo turno de eleições, além de 1,17 milhões de notificações de eleitores que tiveram alterações nos locais de votação.
O Ministério da Igualdade Racial encaminhou ontem ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do RJ, para que os órgãos investiguem um caso de racismo durante manifestação a favor de Flávio Bolsonaro, após um vídeo retratar um militante bolsonarista branco conduzindo um homem negro acorrentado.
Em Minas Gerais, a vereadora de Montes Claros, Iara Pimentel (PT), ficou gravemente ferida após bolsonaristas arremessarem um tijolo, enquanto ela participava de uma carreata em favor de Lula no último sábado. A parlamentar foi atingida na cabeça e teve de ser socorrida pela Samu, posteriormente levada ao hospital.
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OPINIÃO

Vitória da democracia
O Brasil venceu. Ganhou a democracia. Ganharam também a soberania nacional, o bom senso, a experiência de governo, a sensibilidade social, a cultura, a ciência, a educação e a liberdade.
A vitória de Lula foi um triunfo do engajamento popular nas ruas e nas redes sociais. A entrada de André Janones no jogo teve um grande peso, abrindo o mundo virtual para Lula, mas o capital simbólico do presidente foi ainda mais decisivo, sendo o barro com o qual se construiu a maior virada da história das eleições no Brasil. Um feito!
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