Olá! Os riscos à democracia e ao exercício do jornalismo apresentados pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República motivam um editorial coletivo, assinado pela Matinal e outros 46 veículos independentes que integram a Associação de Jornalismo Digital (Ajor). Destacamos os argumentos desse posicionamento na edição de hoje.
Leia também:
Feminicídios representam quase metade dos assassinatos de mulheres no RS
Secretaria da Mulher do RS promove formação gratuita sobre masculinidades
Três indígenas são mortos em conflito no norte do estado
Flávio Bolsonaro faz campanha em Porto Alegre
Juremir Machado revela que é um nacionalista sério quando o assunto é futebol
Claudia Tajes lembra que ainda temos motivos para rir
Troféu Eva Sopher anuncia homenageados da nona edição
Os resultados do primeiro turno das eleições, que consolidam a direita e a extrema direita no Congresso Nacional e no governo do Rio Grande do Sul, aumentam ainda mais os desafios para o jornalismo independente.
Paradoxalmente, esse cenário tão difícil e hostil também aumenta a importância do jornalismo investigativo para a manutenção da democracia no país.
Esse contexto e as reportagens que já publicamos a partir dos dados do Emendômetro Matinal nos mostram a importância do nosso projeto. Por isso, lançamos a segunda fase da campanha de arrecadação para manter a plataforma no ar até 2030.
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Veículos de jornalismo independente assinam editorial coletivo em defesa da democracia
A Matinal se uniu a 46 veículos de jornalismo independente que integram a Ajor (Associação de Jornalismo Digital) em um editorial coletivo no qual se posiciona diante dos riscos à democracia — e ao exercício do jornalismo — que traz a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
“A sociedade brasileira não pode pagar pra ver. E o jornalismo brasileiro não pode vacilar: é hora de adotar uma posição clara em defesa da democracia e contra o autoritarismo. Trata-se de uma situação que já vivemos antes. Em 2018, muitos acreditaram na ilusão de que o status quo político acabaria por moderar Jair Bolsonaro. Hoje, podemos afirmar com toda a certeza: foi o bolsonarismo que radicalizou o status quo.
O governo de Jair Bolsonaro apresentou sinais documentados de ataques à democracia: investidas contra a credibilidade das eleições, hostilidade à imprensa, uso político das Forças Armadas e tolerância a manifestações antidemocráticas, contestação da alternância de poder e confronto aberto com o Judiciário. O fato de as instituições terem resistido não significa que esses sinais não existiram e nem indica ausência de gravidade. Significa que os mecanismos de contenção funcionaram.
Não há nenhuma razão no horizonte para crer que seu filho teria uma relação melhor com o jornalismo e a democracia. O fato de não ser tão verborrágico e agressivo quanto o pai não faz com que seus atos se tornem menos graves. A promessa primordial de Flávio Bolsonaro é a libertação de Jair e a anulação do julgamento por tentativa de abolir o Estado democrático. Soma-se a isso a ameaça declarada de mudanças na Constituição. [...]
Não é possível ignorar a trajetória de um grupo político que questionou a legitimidade das eleições, confrontou instituições responsáveis por fiscalizar o poder e agora pretende modificar algumas dessas mesmas instituições.
O risco não se resume a um novo golpe de Estado: está também na possibilidade de enfraquecimento progressivo dos mecanismos que impedem a concentração de poder e garantem a responsabilização de governantes.
A população depende de uma imprensa livre para fiscalizar o poder. E uma imprensa livre depende de instituições capazes de assegurar direitos, garantir acesso a informações públicas, proteger profissionais contra intimidações e responsabilizar quem tenta impedir seu trabalho.”
A Matinal assina embaixo.
Leia o editorial completo:
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Feminicídios representam quase metade dos assassinatos de mulheres no RS
De janeiro a agosto, das 111 mulheres que foram assassinadas no Rio Grande do Sul, 54 foram vítimas de feminicídio. O número de mortes com motivação de gênero representa 48,6% dos casos, quase metade do total. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública e foram divulgados por GZH.
Em 2026, já incluídos o mês de setembro e a primeira metade de outubro, o estado contabiliza 61 feminicídios, e o 62º caso — de Natacha Rodrigues Mendes, 21 anos, encontrada morta na casa de um suspeito — está sob investigação. A média do RS neste ano é de três feminicídios a cada duas semanas.
Com 13 vítimas, Porto Alegre lidera o ranking dos 42 municípios do estado que registraram feminicídios em 2026. Em 2025, foram seis mortes motivadas por gênero. Ou seja, ao longo de nove meses e meio deste ano, a capital já registra mais que o dobro de feminicídios em comparação ao último ano inteiro.
De acordo com o levantamento, a maior parte dos feminicídios no RS é cometida por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Secretaria da Mulher do RS promove formação gratuita sobre masculinidades
Padrões de masculinidade, violência baseada em gênero, direitos das mulheres e o papel dos homens na construção de relações mais igualitárias são alguns dos temas do Programa H Masculinidades: Refletir para Transformar, uma iniciativa da Secretaria da Mulher do RS. A formação gratuita e a distância, com carga horária de 30 horas, oferece 1.500 vagas para discutir padrões culturais e expectativas sociais que influenciam comportamentos masculinos, o papel dos homens na sociedade e as relações de gênero.
“O enfrentamento à violência contra as mulheres exige um olhar sistêmico, que contemple diferentes frentes de atuação. Precisamos acolher e proteger as mulheres que já estão em situação de risco, cuidar das nossas crianças para que aprendam, desde cedo, formas saudáveis de se relacionar, e também dialogar com os homens sobre comportamentos e padrões culturais que perpetuam desigualdades”, ressaltou a secretária da pasta, Ana Costa.
O programa – que tem como público-alvo gestores públicos, lideranças comunitárias e representantes de organizações da sociedade civil e municípios – prevê capacitações presenciais nas macrorregiões do estado, entre novembro e dezembro, com a participação de aproximadamente 830 pessoas. Também será elaborado um guia de implementação a partir de experiências desenvolvidas em Ronda Alta, São Luiz Gonzaga e Tramandaí. O curso inicia no dia 27 de outubro. Inscrições aqui.
Três indígenas são mortos durante conflito em Terra Indígena Votouro, no norte do estado
Na Terra Indígena Votouro, entre os municípios de Faxinalzinho e Benjamin Constant do Sul, no norte do Rio Grande do Sul, três indígenas morreram após uma série de conflitos registrados na terça (13). Segundo informações do 3º Batalhão de Choque da Brigada Militar, uma das mortes aconteceu durante um conflito interno, e as outras duas em confronto com equipes da Brigada.
De acordo com o tenente-coronel Maurício Paraboni Detoni, em entrevista à Rádio Guaíba, o confronto inicial decorreu de divergências relacionadas à liderança do cacique atual. Ainda segundo o tenente, houve disparos contra os policiais, que reagiram, ocasionando as outras duas mortes. De acordo com a Polícia Federal (PF), as duas vítimas também eram indígenas e integrantes da área. Um indígena foi preso durante a operação. Cerca de 16 pessoas receberam atendimento médico após o ocorrido.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) manifestou indignação diante do ocorrido: “É grave e inadmissível que homicídios ocorram na presença de agentes de segurança pública sem que seja garantida a proteção das vidas envolvidas”. A APIB denuncia a ausência de proteção efetiva e cobra investigação sobre a atuação das forças de segurança, sem que as versões policiais sejam tratadas como conclusivas. Além disso, a organização encaminhou um ofício às autoridades cobrando o envio da Força Nacional à região para proteger as comunidades e evitar novas mortes.
Na newsletter de ontem (13), veiculamos a nota "Violência policial no RS está sem relatório público e unificado desde 2023", baseada em reportagem da Beta Redação. Ao contrário do que foi publicado, os números obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Secretaria de Segurança Pública (SSP), disponibilizados pela Brigada Militar, referem-se apenas à cidade de Porto Alegre e não a todo o estado do Rio Grande do Sul. Ou seja, não é possível comparar os dados da Brigada Militar com os dados gerais da SSP, como foi feito no texto antes da correção.
Como informa a reportagem atualizada, a Beta Redação buscava um posicionamento da SSP quanto aos dados desde 26 de agosto de 2026. Após seis tentativas de contato via assessoria de imprensa, a pasta retornou ontem (14), com esclarecimentos do setor responsável.
Os dados atualizados mostram que:
- Em Porto Alegre: em 2024, foram instaurados 16 inquéritos policiais militares por abuso de autoridade pela Brigada Militar; em 2025, foram seis. Em 2024, a BM registrou 34 mortes por “oposição à intervenção policial”; em 2025, três.
- No Rio Grande do Sul: a SSP registrou 141 mortes decorrentes de intervenção policial em 2024 e 80 em 2025. A pasta informou que de janeiro a 6 de maio de 2026, foram registrados 41 óbitos por intervenção policial no RS. Os dados da SSP não distinguem a corporação a que o agente pertencia.
Flávio Bolsonaro faz campanha em Porto Alegre
No dia seguinte ao ato em apoio à reeleição de Lula (PT) que reuniu dezenas de milhares de pessoas no Centro Histórico de Porto Alegre, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, esteve em campanha na capital.
À tarde, cumpriu agenda no bairro Sarandi, onde apoiadores ocuparam cerca de um quarto de um campo de futebol. O ato contou com a presença dos governadores eleitos Luciano Zucco (PL-RS), Jorginho Mello (PL-SC), Sérgio Moro (PL-PR) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e dos senadores eleitos pelo RS, Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo). Às 17h, Flávio discursou em comício no Largo Glênio Peres.
Anteriormente contrário ao fim da escala de trabalho 6x1, ontem o senador votou, de forma remota, a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da modalidade, tanto no primeiro quanto no segundo turno de votação no Senado Federal.
Foto: Reprodução/Redes Sociais. A imagem mostra o Largo Glênio Peres às 16h50, minutos antes de o candidato chegar ao comício.
OUTRAS NOTÍCIAS
Termina hoje o prazo de inscrição no Edital de Fortalecimento do Ecossistema Audiovisual de Porto Alegre, que selecionará 20 projetos, com aportes entre R$ 40 mil e R$ 140 mil.
Além de votar para presidente, eleitores de Arroio do Sal, no Litoral Norte, vão escolher um novo prefeito no dia 25 de outubro. A votação municipal fora de época foi convocada após a cassação de Luciano Pinto (Republicanos) e de seu vice, Valdir Cenci (PP), por abuso de poder econômico, captação e gastos ilícitos de recursos de campanha. Embora o TRE tenha declarado Pinto inelegível, Cenci não teve os direitos políticos retirados e vai disputar a prefeitura com Felipe Valim (MDB).
A Justiça condenou 15 investigados na Operação Leite Compensado por associação criminosa e adulteração de alimentos. O esquema de fraude ocorria em uma indústria de Taquara, onde substâncias como soda cáustica e água oxigenada eram utilizadas para mascarar a deterioração e a adulteração do leite e de seus derivados.
Um incêndio atingiu a área externa das obras do novo presídio de Rio Grande na madrugada de terça-feira (13). O espaço é usado para apoio administrativo e logístico da obra. Não houve registro de feridos.
A 22ª Vara de Porto Alegre condenou 13 investigados na Operação Hinterland pelos crimes de associação criminosa e tráfico internacional de drogas. O grupo atuou entre 2019 e 2022 e é suspeito de ter movimentado mais de R$ 3 bilhões com o envio de cocaína para a Europa, países da América Latina e diversos estados brasileiros.
O governador Eduardo Leite declarou que ficará neutro no segundo turno da eleição presidencial. Apoiador de Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno deste ano, Leite agora repete a postura de 2022, quando não declarou apoio a Lula nem a Bolsonaro.
Juremir Machado: "Somos inimigos Carlo Ancelotti e eu. Torço contra ele em nome da soberania nacional."
OPINIÃO

Botamos o humor pra brigar
No meio da tempestade, sem saber ao certo se o Brasil vai escapar da tragédia de um Bolsonaro que aparenta ser ainda mais perverso que o anterior, mesmo assim conseguimos rir.
Nós vamos sorrir, como disse a personagem do filme que deu um Oscar para o Brasil falando, justamente, sobre a ditadura.
Orquestra da Ulbra percorre tradição musical russa no próximo Domingo Clássico Petrobras
No próximo concerto da série Domingo Clássico Petrobras, a Orquestra de Câmara da Ulbra se dedica à tradição musical russa do final do século XIX. O programa terá obras de Vasily Kalinnikov, Anton Arensky e Piotr Ilitch Tchaikovsky, que têm em comum o lirismo, a riqueza melódica e a expressividade características dessa escola musical. A apresentação será no domingo (18/10), às 19h, na Associação Leopoldina Juvenil, com regência de Tiago Flores. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados antecipadamente.

Troféu Eva Sopher anuncia homenageados da nona edição

Criado em 2018, o Troféu Eva Sopher homenageia personalidades que contribuem para movimentar e fortalecer a cultura de Porto Alegre. A cerimônia de premiação será realizada no dia 29 de outubro, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto, com entrada gratuita e aberta ao público.
Os homenageados desta edição são: a artista e gestora cultural Adriana Boff, os diretores teatrais Dilmar Messias, Jezebel de Carli e Patricia Fagundes, o historiador Francisco Marshall, os jornalistas Juarez Fonseca e Juliana Bublitz, a cantora e compositora Loma Solaris e os professores Ricardo Barberena e Luís Augusto Fischer – editor da Parêntese, nossa newsletter literária.
A noite terá ainda performances musicais de três duplas formadas por mulheres. Kiti Santos e Marisa Rotenberg apresentarão trechos do espetáculo Aos Trancos e Barrancos. Adriana Deffenti e Bruna Paulin levarão ao palco parte do baile-show da Banda das Ovelhas Desgarradas. Já Simone Rasslan e Madalena Rasslan, mãe e filha, apresentarão o espetáculo Casa.
Muito obrigado pela sua leitura! Quem apoia a Matinal segue conosco com uma curadoria de agenda cultural para o final de semana. Quer ler agora? Então apoie e leia hoje mesmo! Até a próxima edição!

