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✉️ Novas regras para recuperação ambiental do Pampa, aumento de medidas protetivas, Copa do Mundo feminina em Porto Alegre: as notícias desta terça-feira

Edição #1694

✉️ Novas regras para recuperação ambiental do Pampa, aumento de medidas protetivas, Copa do Mundo feminina em Porto Alegre: as notícias desta terça-feira
Foto: Arlei Antunes/CC BY-SA 4.0

Olá! O Pampa é o bioma mais degradado do Brasil — e, até recentemente, também era um dos que não contavam com critérios específicos para avaliar sua recuperação ambiental. Uma iniciativa conjunta do Ibama, ICMBio, Embrapa e Serviço Florestal Brasileiro mudou esse cenário, como você vai ler hoje na Matinal. E mais:

🚨 RS registra alta de 331% nas medidas protetivas em cinco anos

Porto Alegre pode receber até oito jogos da Copa feminina de 2027

🎭 Adaptação de O Avesso da Pele volta aos palcos

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O relato de um viajante francês sobre a enchente de 1833 no RS

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Clássico perturbador: Roger Lerina analisa por que A Professora de Piano continua chocando

Logo mais, assinantes dos planos Completo e Comunidade recebem a newsletter de Juremir Machado da Silva. A edição traz reflexões sobre a série A Casa dos Espíritos, baseada na obra de Isabel Allende. 

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Previsão do tempo: A terça traz o tempo instável de volta à capital. Com temperaturas entre 19ºC e 23ºC, o dia pode ter pancadas de chuva isoladas.

Pela primeira vez, Pampa tem parâmetros específicos para medir recuperação ambiental

Recuperar um ecossistema danificado ou alterado é tão importante quanto preservar áreas que conservam suas características originais. Mas como mensurar a qualidade das ações de recuperação ambiental? A estratégia dos órgãos ambientais era cobrar metas anuais e técnicas específicas de plantio dos responsáveis pelos locais degradados, o que dificultava a comparação entre pontos distintos do país. Era um desafio duplo: criar parâmetros ao mesmo tempo padronizados e específicos para a diversidade ecológica brasileira.

Por muitas décadas, os critérios de recuperação tomavam como referência a Mata Atlântica, o que criava distorções – a dinâmica ecológica de uma floresta tropical é muito diferente dos campos abertos do Pampa, da vegetação da Caatinga ou das planícies alagáveis do Pantanal. Esses três biomas, até então, não contavam com critérios próprios para avaliar sua recuperação.

Uma iniciativa conjunta do Ibama, do ICMBio, da Embrapa e do Serviço Florestal Brasileiro busca resolver esse problema. Um estudo, publicado na revista científica Springer Nature, fixou critérios unificados para monitorar a recuperação da vegetação nativa em todos os seis biomas brasileiros — e, pela primeira vez, Pampa, Pantanal e Caatinga passam a ter indicadores específicos para suas realidades ecológicas. No total, o sistema pode ser aplicado a 46 tipos diferentes de vegetação.

Os quatro indicadores são adaptáveis a qualquer bioma: cobertura vegetal do solo, densidade de plantas nativas regenerantes, riqueza de espécies e baixa presença ou ausência de espécies invasoras. Juntos, permitem avaliar se o ecossistema está em uma trajetória que, no futuro, leve a área a ser autossustentável. A novidade muda também a fiscalização: o foco passa a ser o resultado, avaliado em um prazo mínimo de quatro anos. O novo sistema deve facilitar o trabalho dos órgãos ambientais e incentivar investimentos em restauração em maior escala – além de ajudar o Brasil a cumprir a meta de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

O Pampa, bioma mais degradado do Brasil, enfrenta outro obstáculo: o RS foi um dos três últimos estados a regulamentar o Programa de Regularização Ambiental (PRA), exigido pela Lei de Proteção da Vegetação Nativa — mais conhecida como Código Florestal. O decreto só foi publicado em maio deste ano, 14 anos após a lei federal ser sancionada. Pelo programa, os proprietários rurais com passivos ambientais (Áreas de Preservação Permanente ou de Reserva Legal que devem ser recuperadas) são notificados pelo estado após uma análise e têm prazo para se comprometer com a recuperação das áreas. A demora em analisar o Cadastro Ambiental Rural também é uma barreira: dos mais de 397 mil interessados em aderir ao PRA, o governo gaúcho só iniciou a análise de 1% e apenas 37 cadastros tiveram a análise concluída.

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Medidas protetivas crescem 331% em cinco anos no RS

Nos últimos cinco anos, o número de medidas protetivas concedidas no Rio Grande do Sul teve um aumento de 331%. De acordo com dados do Judiciário gaúcho, em 2020 foram pouco mais de 12 mil concessões, enquanto em 2025 o número ultrapassou 53 mil. Somente no primeiro semestre deste ano, já foram deferidas 26,3 mil novas medidas.

Este crescimento é o resultado de uma série de mecanismos criados para ampliar a proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. Entre eles está o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), preenchido quando se registra ocorrência policial. Com 27 perguntas, o documento ajuda a identificar o grau de vulnerabilidade e a orientar decisões judiciais. 

As informações coletadas vão além do episódio relatado: buscam histórico de agressões, descumprimentos de medidas anteriores, acesso do agressor a armas de fogo e possíveis problemas relacionados ao uso de álcool, drogas ou medicamentos. Com base nessas informações, a Justiça tem acelerado a análise dos pedidos – embora a Lei Maria da Penha estabeleça prazo de até 48 horas para a concessão da medida protetiva, o tempo médio no estado é de um dia.

Segundo especialistas ouvidos pelo G1, um ponto de atenção é a revogação das medidas. A Lei não estabelece prazo de validade para a proteção, que só pode ser encerrada por solicitação da própria vítima – o que nem sempre ocorre de livre vontade, podendo estar relacionada ao medo, à dependência emocional ou à pressão exercida pelo agressor. Por isso, uma análise psicossocial tem sido aplicada quando a vítima solicita o fim da medida protetiva.

Casa Mirabal receberá chaves da nova sede em agosto
Iniciativa que apoia mulheres vítimas de violência em Porto Alegre, a Casa Mirabal recebrá as chaves da nova sede para o projeto ainda neste mês. O endereço na zona Sul foi escolhido em negociação entre a prefeitura e o Movimento de Mulheres Olga Benário. A prefeitura pediu um prazo maior para reformar o forro, portas e portões do imóvel, que estava abandonado. "A reforma de fiação, corrimãos e adaptação das estruturas ficará por conta da Mirabal", explicou à Matinal a coordenadora Thainá Battesini. Para viabilizar as obras e manter os serviços de orientação jurídica, psicológica e cursos de formação, a Mirabal está arrecadando doações via Pix.

Porto Alegre espera receber até oito jogos da Copa do Mundo feminina, mas aguarda definição da Fifa

Para quem está com saudades da Copa, o Mundial Feminino de 2027 já tem data: será disputado entre 24 de junho e 25 de julho. A capital gaúcha poderá receber até oito jogos do torneio, mas ainda aguarda a confirmação da Fifa sobre quantas e quais partidas sediará. A menos de 11 meses do torneio, a entidade não divulgou o calendário para as cidades-sede.

A expectativa é ampliar a participação de Porto Alegre no Mundial: décadas atrás, em 1950, duas partidas ocorreram em solo gaúcho; em 2014, foram cinco. Agora, a projeção é sediar até oito jogos.

Segundo o secretário estadual do Esporte e Lazer, Joel Maraschin, cada uma das oito cidades-sede brasileira deve receber em média, seis jogos – na lista, estão também Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Com isso, Porto Alegre poderá receber, pela primeira vez, uma partida de quartas de final. À Matinal, Maraschin afirmou que espera receber as primeiras informações sobre o calendário ainda neste mês.

Assim como na última edição, a cidade poderá voltar a ter o Caminho do Gol – atividade que, desta vez, não prevê novas intervenções na infraestrutura urbana.

Enquanto a Fifa não confirma a programação, é possível se inscrever como voluntário para a Copa feminina de 2027 ou registrar o interesse em ingressos. Quem desejar trabalhar como voluntário deve realizar o cadastro prévio no site Volunteer Fifa – é possível escolher a cidade-sede de preferência. A previsão é selecionar cerca de 6 mil pessoas para apoiar as operações. Também já é possível registrar o interesse por ingressos para assistir às partidas – as entradas ainda não estão à venda. 

Saiba mais:

Porto Alegre espera receber até oito jogos da Copa do Mundo feminina, mas aguarda definição da Fifa
Sem maiores aportes em infraestrutura, capital será uma das sedes do evento em 2027. Nova versão do “Caminho do Gol” entra em discussão na prefeitura

CULTURA

Espetáculo que adapta “O Avesso da Pele”, de Jeferson Tenório, volta a Porto Alegre

Foto: Helt Rodrigues

Adaptação do livro homônimo de Jeferson Tenório, a peça O Avesso da Pele, dirigida por Beatriz Barros, será apresentada no dia 7 de agosto, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto. O elenco da montagem é composto por quatro atores negros com menos de 30 anos que se identificaram com a trama da obra – vencedora do Prêmio Jabuti 2021 na categoria Romance Literário.

Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto encenam o espetáculo, que narra a história de Pedro e seu pai Henrique – um homem negro, professor de literatura na rede pública de ensino, que é assassinado pela polícia na volta para casa.

“Como fio condutor, escolhemos focar na relação pai e filho presente no livro, e como essa narrativa evoca o mergulho em outros caminhos, como a construção de uma memória, as diferentes circunstâncias onde o racismo opera, o sucateamento da educação, a condição psíquica dos profissionais da educação, dentre outros temas emergentes”, contou a diretora do espetáculo à Matinal em 2024.

Confira a matéria:

Espetáculo adapta “O Avesso da Pele”, de Jeferson Tenório
Montagem será apresenta no Teatro Simões Lopes Neto no dia 7 de agosto

Quase 200 anos atrás, viajante francês registrava em livro as enchentes no RS

Entre 1833 e 1834, o viajante francês Arsène Isabelle percorreu as cidades de Rio Pardo, Charqueadas e Porto Alegre. No livro em que relata a excursão, Viagem ao Rio da Prata e ao Rio Grande do Sul, registra também as enchentes que assolaram o estado à época. Sobre a capital, escreveu que "na parte mais baixa da cidade, à beira d'água, construíram-se e constroem-se ainda, diariamente, casas muito bonitas. São as do porto, expostas, às vezes, a inundações, como aconteceu nos fins de 1833" — e mencionou um projeto de aterro do cais que só seria concluído no século 20.

O francês foi direto quanto aos impactos das cheias no desenvolvimento da região: "É lamentável que essas belas planícies baixas estejam expostas a inundações tão frequentes. Isso constitui um obstáculo, até agora intransponível, para o seu cultivo." O Almanaque Gaúcho resgatou o relato, publicado em 1835, que descreve um cenário que não é desconhecido para os gaúchos do século 21.

Imagem: Paranaguá, aquarela de Jean-Baptiste Debret, com a paisagem de Porto Alegre (1827)


OUTRAS NOTÍCIAS
Oito policiais militares acusados pela morte da líder comunitária da Vila Cruzeiro, Jane Beatriz da Silva Nunes, em 2020, serão julgados pelo Tribunal do Júri. Após recurso do Ministério Público (MP), o Tribunal de Justiça do estado reverteu a decisão de primeira instância que havia encerrado o processo sem submeter os acusados a júri.
As obras dos pôlderes 7 e 8 na capital se aproximam dos 70% de conclusão, e a previsão é que os trabalhos sejam encerrados até o final do mês. A estrutura que protegerá as galerias dos arroios Passo das Pedras e Areia, na zona Norte, entrou na etapa de fabricação das comportas móveis.
Aliás, a prefeitura iniciou ontem a demolição das moradias na Vila Dique para continuar as obras de proteção contra cheias na zona Norte. Serão demolidas 70 casas, e, até o momento, 53 famílias foram ressarcidas com imóveis por meio do programa Compra Assistida.
Pode faltar água no bairro Sarandi ao longo do dia devido a uma obra do Dmae na avenida Souza Melo. O abastecimento volta ao normal à noite. 
Dá tempo de opinar: hoje é o último dia para participar da consulta pública sobre a nova regulamentação da gestão de resíduos de estações de tratamento de água do RS. 
Em Cachoeirinha, a prefeitura adquiriu 2,5 mil big bags de areia para contenção de possíveis cheias no município. Os trabalhos de instalação iniciaram na última sexta (31).
O nível do Guaíba segue em redução, segundo boletim da Defesa Civil. Na Ilha da Pintada, com o recuo da água, os moradores iniciaram a limpeza das áreas atingidas. O mesmo acontece em Eldorado do Sul, onde o rio Jacuí deixou a faixa de inundação, e famílias que haviam deixado suas casas começaram a retornar. No entanto, três rios permanecem acima da cota de inundação em cinco municípios gaúchos: rio dos Sinos, Jacuí e Uruguai.
O coordenador da Defesa Civil do RS, o coronel Luciano Boeira, disse, em entrevista à Rádio Gaúcha, que será lançado um edital para estudo que identificará as áreas de vulnerabilidade dos 497 municípios gaúchos. O documento será entregue para as prefeituras para orientar futuros planos diretores.
Iniciada há 14 anos, a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, segue inacabada. Falta ampliar 31 quilômetros restantes, e a previsão de finalização é em 2028.

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Radar político
Com parlamentares de seis partidos buscando cargos mais altos nas eleições de outubro, o Rio Grande do Sul terá ao menos dez novos deputados estaduais em 2027.

CULTURA

“A Professora de Piano” continua chocando

Foto: FILMICCA

Um dos filmes mais perturbadores do cinema internacional contemporâneo, A Professora de Piano (2001) foi triplamente premiado no 54º Festival de Cannes, levando inclusive o Grande Prêmio do Júri. O sombrio drama sexual dirigido por Michael Haneke e protagonizado por Isabelle Huppert volta aos cinemas brasileiros em versão restaurada. Leia a resenha.


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