Olá! O repórter João Neto escreve hoje sobre um lançamento que valoriza a memória: a abertura do acervo online do Clube de Cultura, que contará com a digitalização de milhares de documentos em posse da instituição.
Também falamos sobre o mercado imobiliário de Porto Alegre, que mantém a produção de lançamentos apesar da queda nas vendas; e a redução da letalidade policial no RS, na contramão da tendência nacional.
Na seção de cultura, a repórter Mariana Dawas traz detalhes sobre o Esquenta BatukBaile, festa que exalta o protagonismo negro dentro e fora das pistas. No podcast do Cineclube Matinal, Roger Lerina e Marcelo Perrone resenham documentários sobre jornalismo que estrearam recentemente nas plataformas de streaming.
Dentre os colunistas, Claudia Tajes celebra a cultura e a premiação do curta Roxo Lilás Violeta, que tem como foco a Casa Mirabal, em Porto Alegre. Também sobre cultura, Juremir Machado da Silva recomenda Oração para desaparecer, livro mais recente de Socorro Acioli.
Temos uma ótima notícia para quem nos apoia: a newsletter Tudo É Gênero está de volta! Nesta edição, que chega às 11h na caixa de e-mail dos assinantes, Marcela Donini escreve sobre a relação entre a morte do cachorro Orelha, brutalmente agredido por adolescentes em Santa Catarina, e a violência contra a mulher – pauta que nesta semana ganhou evidência com a assinatura do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.
No final de semana, nossos apoiadores também recebem a Parêntese. A edição de sábado traz um relato de Carlos Gerbase sobre como ele conseguiu duas fotos autografadas por Wim Wenders, além de resenhas, artigos e o segundo capítulo do folhetim A medida das coisas humanas.
Boa leitura!
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Clube de Cultura lança acervo online gratuito sobre arte e resistência
A três meses de completar 76 anos, o Clube de Cultura redobra esforços para manter viva sua memória e relevância para a história de Porto Alegre. Desde a última terça-feira, o centro cultural disponibiliza décadas de documentos em um acervo online, gratuito e de fácil acesso para quem deseja pesquisar, lembrar e saber mais sobre o universo artístico e político da capital. Viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc, a plataforma foi concebida após um processo meticuloso de restauração, catalogação e digitalização de cerca de 30 mil documentos e itens sob posse do clube.
Mergulhado no turbilhão político do século passado, o Clube de Cultura sobreviveu à ditadura militar, e registros desse período estão resguardados no recém-lançado acervo, que reúne documentos da relação do espaço com o aparato de censura estatal. Além da ficha de João Carlos Hass Sobrinho, líder estudantil que se formou em Medicina na UFRGS e foi perseguido e morto pela ditadura no Pará, há uma intimação ao presidente do clube para “tratar de assunto de seu interesse”, cujo descumprimento poderia acarretar sanções.
O arquivo online também mantém fotografias, cartazes de filmes, peças, palestras e programações de atividades culturais que marcaram época – como shows de Nei Lisboa e Elis Regina, e eventos com personalidades como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Vinicius de Moraes, Cyro Martins e Dyonélio Machado.
Saiba mais sobre a história do clube e os materiais que integram o acervo:
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Vendas caem, mas lançamentos imobiliários seguem em alta em Porto Alegre
Mesmo após registrar mais de 100 mil imóveis vagos no último Censo, em 2022 – e ter um déficit habitacional de cerca de 32 mil unidades – o número de lançamentos imobiliários seguiu em expansão em Porto Alegre, crescendo 17% no ano passado. Os dados constam de levantamento do Panorama do Mercado Imobiliário, produzido pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon).
Quase metade das mais de 3,3 mil novas unidades lançadas é de studios, seguida pelo modelo com três dormitórios, que correspondeu a 28% dos lançamentos. A maioria das construções se concentra nos bairros Moinhos de Vento, Menino Deus e Centro Histórico. Apesar de uma queda de 5,9% nas vendas, a entidade empresarial avalia o cenário com otimismo para 2026.
De acordo com o Sinduscon, o principal perfil de comprador dos studios é o de investidor, o que dialoga com o diagnóstico de financeirização do mercado imobiliário, por meio da produção especialmente voltada a aluguéis de curta temporada.
Letalidade policial cai no Rio Grande do Sul em 2025
Um levantamento da Folha de S.Paulo, com base em dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontou que a letalidade policial diminuiu no Rio Grande do Sul ao longo de 2025. O estado teve a segunda maior redução no período, de 43% (141 para 80), atrás do Tocantins.
Ouvido pela reportagem, o coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, Rafael Rocha, afirmou que o índice cai a partir da vontade política de governadores e secretarias, por meio de investimentos em formação e aspectos técnicos.
Nos últimos meses, a Brigada Militar se viu envolvida em casos que desgastaram a imagem da instituição. A redução da criminalidade no RS foi ofuscada por ações policiais, em especial as que culminaram nas mortes de homens em surto e na do agricultor Marcos Nörnberg, em Pelotas.
Ontem, o secretário de Segurança Pública, Mauro Ikeda, disse à Rádio Gaúcha que o lançamento do protocolo para atendimento de pessoas em surto deve ocorrer ainda neste mês. Ao comentar o caso de Pelotas, Ikeda afirmou ser precipitado confirmar que houve erro e que aguarda a conclusão do inquérito.
Presentes em instituições de ensino superior do país, saberes hegemônicos da cultura ocidental não facilitam a entrada de indígenas em universidades federais. Prova disso são as histórias de Rosani Fernandes, Rejane Paféj Kanhgág e Edson Ribeiro. O trio, com trajetória que passa pela UFRGS, vê nos mecanismos pedagógicos da academia a possibilidade de um choque cultural que mais repele do que favorece o aprendizado.
Natural da aldeia indígena da Guarita, em Tenente Portela, Ribeiro relata a dificuldade em se adaptar ao mundo universitário, repleto de códigos próprios. Rejane chegou a considerar que os conhecimentos da floresta não tinham validade, depois que uma professora categorizou um argumento seu – sobre ouvir as vozes na natureza – como unicamente “carente de comprovação científica”. Natural de uma aldeia em Marabá, no Pará, Fernandes comenta que não teria se tornado docente na Faculdade de Educação se não fosse pelo apoio de orientadores, que compreendiam seu contexto e dificuldades.
Saiba mais sobre a trajetória de cada um na matéria do JU.
OUTRAS NOTÍCIAS
A retomada das obras da nova ponte do Guaíba pode ocorrer no início do segundo semestre, após a análise das propostas do edital de licitação pública. O empreendimento deve ser entregue em até 30 meses.
Uma nova liminar reiterou a impossibilidade da construção de um prédio de mais de 40 andares nas proximidades do Museu Julio de Castilhos, no Centro. A tentativa da Melnick e do Zaffari vem desde 2023.
Disposto a uma boa ação? Um projeto social da zona sul de Porto Alegre está em busca de materiais escolares para aulas de alfabetização de crianças e idosos.
Neste ano, o RS preencheu 98% das vagas em universidades ofertadas via Sisu, sistema que utiliza a nota do Enem para garantir o ingresso nas instituições. Ao todo, o estado registrou 142.029 inscrições.
A Sedac lançou na quarta a programação dos 400 anos das Missões Jesuíticas. No ano passado, o MPF chegou a ajuizar ação civil pública para a inclusão de indígenas no cronograma de atividades.
No RS, a busca por medicamentos que previnem o contágio pelo HIV cresceu acima da média brasileira em 2025, mas um terço dos gaúchos que iniciaram tratamento abandonou o processo terapêutico ao longo do ano.
Em Torres, o Ministério Público recomendou a suspensão das licenças para construção de prédios próximos ao Parque da Guarita, por risco de dano ambiental.
O número de acidentes graves e de vítimas fatais em acidentes nas estradas da malha federal do RS teve queda em 2025 na comparação com 2024. Conforme a PRF, 19 vidas foram preservadas no ano passado.
Juremir recomenda um livro de Socorro Acioli marcado por amor, mistério e fábulas ancestrais.

Ouçam o Carlos, crianças
Na semana passada estivemos na Mostra Regional do Festival Internacional da Fronteira, em Bagé, com o curta Roxo Lilás Violeta, uma mistura de documentário e ficção sobre a Casa Mirabal. Para quem não sabe, a Mirabal é um lugar de acolhimento para mulheres vítimas da violência doméstica e seus filhos. O trabalho nunca foi reconhecido, se mantém sem recursos oficiais e, pior, desde sempre enfrentou a sanha das prefeituras de direita de Porto Alegre para deixar de existir.
Fato é que Roxo Lilás Violeta saiu com o prêmio de Melhor Montagem do Festival da Fronteira. O Theo Tajes, diretor do curta, a Nana Sanches, coordenadora da Casa Mirabal, e eu, roteirista – que escrever é minha única serventia nessa vida –, passamos três dias incríveis em Bagé. Tenho certeza de que todos os demais premiados e concorrentes saíram com a mesma impressão.
CULTURA
Roger Lerina e Marcelo Perrone comentam quatro documentários que estrearam recentemente nas plataformas de streaming e abordam o jornalismo em suas temáticas: Seymour Hersh: Em Busca da Verdade, The New Yorker: 100 Anos de História, O Freelancer: O Homem por Trás da Foto e 1975: O Ano do Colapso. Assista ao podcast do Cineclube Matinal aqui.
Festa BatukBaile afirma o protagonismo negro dentro e fora da pista

A repórter Mariana Dawas conversou com os organizadores do Esquenta BatukBaile, festa que exalta o protagonismo negro dentro e fora das pistas. A noite será conduzida pela mestre de cerimônias Lays Ayana e tem entre suas atrações a porto-alegrense DJ Cremosa e o carioca Crazy Jeff – que leva o funk e o passinho para o Cine Theatro Ypiranga, hoje, a partir das 23h. “A população negra do Sul do Brasil precisa e merece mais opções de confraternizações pensadas por e para pessoas negras. A Batuk vem como mais uma opção de um encontro seguro”, afirma Anne Borges, uma das idealizadoras do projeto. Leia a reportagem.
Muito obrigado pela sua leitura! Quem apoia a Matinal segue conosco com uma curadoria de agenda cultural para o final de semana. Quer ler agora? Então apoie e leia hoje mesmo! Até a próxima edição!
