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✉️ O que a ciência aponta sobre o desassoreamento do Guaíba, agricultura familiar gaúcha se adapta aos extremos do clima e outras notícias desta segunda-feira

Edição #1732

✉️ O que a ciência aponta sobre o desassoreamento do Guaíba, agricultura familiar gaúcha se adapta aos extremos do clima e outras notícias desta segunda-feira
Foto: Gustavo Garbino/PMPA

Olá! Você já ouviu falar em desassoreamento do Guaíba? A sugestão virou assunto constante desde a enchente de 2024, mas especialistas ouvidos pela Matinal explicam por que essa ideia não funciona na prática – e ainda pode trazer riscos ambientais. Você também vai ler:

🌾 Agricultura familiar gaúcha se adapta ao clima extremo

🌧️ Chuvas do fim de semana afetam mais de 9,5 mil pessoas no RS

🚗 Homens são responsáveis por 73% das multas de trânsito em Porto Alegre

🏛️ Radar político: os planos de Gabriel Souza para a cultura

⚽ Juremir Machado da Silva escreve sobre a eterna gangorra entre Grêmio e Inter, que pode estar acabando

🎺 OSPA convida American Brass Quintet para concerto e recital

☔
Previsão do tempo: Todo o Rio Grande do Sul está sob alerta do Inmet por perigo de chuvas fortes, ventos intensos e queda de granizo nesta segunda-feira. Na capital, a previsão é de 80 milímetros de chuva e rajadas de vento até 70 km/h – a Defesa Civil de Porto Alegre também emitiu alerta meteorológico, válido das 18h de ontem às 18h de amanhã, para chuvas intensas, ventos fortes, descargas elétricas e granizo. As temperaturas ficam entre 18ºC e 22ºC. 

Desassorear o Guaíba previne enchentes? Especialistas apontam limites e riscos da medida

Depois da enchente de 2024, desassorear o Guaíba passou a ser uma sugestão frequente nos debates sobre prevenção de cheias. Entretanto, especialistas ouvidos pela Matinal apontam que a medida não é eficaz para conter enchentes.

Uma das razões para essa ineficiência é a própria dinâmica dos mananciais. "O Guaíba é naturalmente uma zona de deposição”, explica o professor Fernando Recena, da Faculdade de Engenharia da PUCRS.

Além disso, os especialistas apontam que retirar areia e sedimentos de forma generalizada romperia o equilíbrio entre a vazão líquida e a vazão sólida do corpo d'água. A dragagem – principal procedimento para desassoreamento – já é utilizada periodicamente para manter aberto o canal de navegação criado artificialmente no Guaíba. Mas, neste caso, a areia retirada é depositada ao lado do canal, dentro do próprio rio, para não alterar o equilíbrio de sedimentos.

“Eu não consigo enganar a água, ela vai precisar buscar essa areia, então não se mexe no balanço”, afirma Fernando Meirelles, pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS. Ou seja, retirar a areia do corpo d'água pode provocar erosão em outro ponto como efeito colateral.

Além do risco ambiental, o impacto do desassoreamento na altura da água em uma futura enchente seria insignificante. “É um efeito de centímetros. Nós tivemos uma cheia de metros”, ressalta Meirelles.

Para o pesquisador, a discussão sobre prevenção de novas cheias precisa ir além de intervenções nos rios e abordar o zoneamento ecológico-econômico (ZEE) para repensar a disposição das cidades. Como exemplo, Meirelles cita o caso do município de Roca Sales, no Vale do Taquari. Após três grandes enchentes, o prefeito anunciou que em vez de reconstruir no mesmo lugar, iria transferir o centro e o parque industrial da cidade para outra região.

“Se tu ocupas o leito do rio, não tem como querer que ele não suba, nem invada. O Centro de Porto Alegre, o Quarto Distrito e a Zona Sul próxima da praia estão todos dentro da área de inundação", conclui.

Leia a reportagem completa:

Desassorear o Guaíba é solução para prevenir novas enchentes?
Pesquisadores ouvidos pela Matinal explicam por que a retirada de sedimentos do Guaíba teria impacto mínimo no nível de cheias


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O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Frente ao clima extremo, agricultura familiar no RS busca novas formas de adaptação

O extremo climático ameaça produtores rurais de forma geral, mas pode prejudicar principalmente agricultores familiares, cuja propriedade é tanto local de moradia quanto fonte de renda. O Extra Classe mostra como o planejamento da propriedade precisa agora considerar a sucessão de eventos extremos cada vez mais imprevisíveis e projetar adaptações.

Segundo a reportagem, a sucessão de eventos climáticos em curtos intervalos impede que os produtores do estado tenham tempo para se recuperar. Nos dois últimos anos, as enchentes históricas de maio de 2024 atingiram 206 mil propriedades rurais e a estiagem entre 2024 e 2025, mais 205 mil. As fortes chuvas na segunda quinzena deste ano prejudicaram outros 30 mil.

A imprevisibilidade climática torna mais difícil planejar o calendário agrícola, prejudica o desenvolvimento do pasto e também afeta a produtividade de soja e leite. Somam-se impactos estruturais, com erosões, contaminação de fontes de água e perda da camada fértil do solo.

Frente a isso, os agricultores também modificam as práticas para se adaptar, o que inclui reserva de alimentos, garantir água para as estiagens e práticas de conservação do solo, como coberturas, rotação de culturas e diversificação da produção.

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Chuvas do fim de semana afetam mais de 9,5 mil pessoas no RS
Temporais com granizo e vendavais atingiram 29 municípios gaúchos no final de semana. O município que registrou o maior número de pessoas afetadas e danos materiais é Santiago, na região central, onde mil casas foram danificadas e 5 mil pessoas foram impactadas, de acordo com o balanço da Defesa Civil. A prefeitura decretará situação de emergência.

Houve registro de um ferido, no Alegrete. Há 30 pessoas desabrigadas ou desalojadas no estado.

O alerta para chuva intensa e volumosa é válido até amanhã. A Defesa Civil do estado prevê nova elevação no nível dos rios, com riscos de inundação em alguns pontos.

Homem no volante, perigo constante: condutores masculinos receberam 73% das multas por infração de trânsito na capital

Mulheres condutoras sofrem preconceito no trânsito, mas, segundo dados obtidos pelo Laboratório de Jornalismo (LabJ) da PUCRS, homens são os responsáveis pela maioria das infrações ao volante em Porto Alegre. A reportagem mostra que motoristas homens receberam 73% das multas no município, de janeiro a junho de 2026.

Obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação, as informações são registradas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Homens respondem por 134.542 das 182.768 autuações aplicadas no primeiro semestre deste ano, proporção superior à participação masculina no total de pessoas habilitadas na capital gaúcha. O cenário se repete nos seis meses anteriores: entre julho e dezembro de 2025, eles receberam 143.155 das 195.701 multas (também 73%). 

Os dados contrariam o imaginário popular machista, que atribui a má-conduta no trânsito às mulheres. Para a geógrafa e professora da PUC-PR Ágnes Araújo, uma construção social e histórica insiste em limitar as mulheres a posições subalternas: "Querem sempre colocar as mulheres num lugar de submissão. Então, associar a mulher a uma péssima condutora faz com que os homens detenham a capacidade de serem os motoristas".

Dentre as violações cometidas pelos condutores masculinos, 47% são graves ou gravíssimas. Até junho deste ano, homens receberam 35.199 multas por infrações gravíssimas, cerca de 75,5% do total de 46.570 infrações. À reportagem do LabJ, a EPTC afirmou não ter iniciativas de educação com recorte de gênero e disse que suas campanhas devem ser voltadas ao público em geral.


Pioneiro no Brasil, Museu da Eletricidade do RS inicia obras de renovação

Instalado no 2º andar do histórico Edifício Força e Luz desde 2002, o Museu da Eletricidade do RS (MERGS) iniciou obras de renovação, no valor de R$ 5 milhões, que devem ser concluídas no primeiro semestre de 2027. O espaço terá uma nova exposição de longa duração, museografia renovada e ações educativas. Primeiro museu do Brasil dedicado ao setor elétrico, o MERGS foi criado em 1977. O acervo da instituição conta mais de 2 mil peças tombadas como patrimônio histórico-cultural, documentando o início da iluminação pública e a evolução do setor elétrico no Rio Grande do Sul.

Foto: Sede atual do Museu/Acervo Força e Luz


🗳️
Radar político: os planos dos candidatos para a cultura no RS

Ao longo desta semana, o Radar Político apresenta um resumo das propostas para a cultura dos planos de governo de todos os candidatos ao Piratini: Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL), Marcelo Maranata (PSDB) e Rejane de Oliveira (PSTU). O candidato Cesar Pontes (PCO) apresentou documento de plataforma nacional, sem itens específicos para o RS, e Priscila Voigt (UP) não incluiu a pauta da cultura em seu plano.

Gabriel Souza (MDB)
Tem propostas para a cultura no plano de governo? Sim.
Onde aparecem? Item “Cultura”, no eixo “Cuidar das pessoas”.

O plano de governo de Gabriel Souza (MDB) apresenta o que considera avanços recentes ligados à cultura, promovidos pelo governo Eduardo Leite, do qual era vice-governador. Aponta também desafios, como a concentração de oportunidades culturais em um número reduzido de municípios, a falta de qualificação e profissionalização do setor para acesso a editais e a reforma tributária – que, segundo o plano, exigirá novas formas de financiamento para garantir a continuidade das políticas culturais.

Souza enumera nove propostas prioritárias, incluindo modernizar e descentralizar o fomento à cultura, fortalecendo o Pró-Cultura RS; implementar de atividades culturais no contraturno escolar e em espaços comunitários; ampliar investimentos em patrimônio cultural e equipamentos públicos; criar o Observatório Gaúcho da Economia Criativa; e estruturar uma rede estadual de formação para agentes culturais, visando ampliar o acesso a editais.

OUTRAS NOTÍCIAS
O advogado e representante da Associação de Moradores do Bairro Chácara das Nascentes declarou à Rádio Guaíba que deve recorrer da decisão de retomada das obras no condomínio Belvedere II. A suspensão foi decretada pelo TRF-4 em julho, após controvérsias no licenciamento em razão da presença de Mata Atlântica e áreas protegidas, como mostrou a Matinal.
O Dmae realiza na noite de hoje a manutenção de duas estações de bombeamento que abastecem 19 bairros das zonas Sul e Leste. O serviço começa às 22h e pode afetar o abastecimento na região até a madrugada de terça-feira.
Com nova previsão de chuvas intensas na capital, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão temporária da instalação de “windbanners" de propaganda política nas ruas de Porto Alegre. A medida, que segue válida até amanhã, foi tomada após pedido da prefeitura e considera os riscos de acidentes em função das rajadas de vento.
Três galerias no bairro Anchieta, na Zona Norte de Porto Alegre, receberam novas comportas de proteção contra as cheias neste domingo. As novas estruturas serão usadas para impedir que as águas invadam os bairros e devem permanecer abertas, para drenagem da água, em condições normais. 
Nos primeiros oito meses deste ano, o Hospital de Pronto Socorro superou o número de doadores de órgãos efetivos registrados em todo o ano de 2025. O hospital contabilizou 18 doadores entre as 20 famílias entrevistadas, o que representa um índice de recusa de 10%, bem abaixo da taxa estadual de 46%. 
O TJ-RS condenou a CEEE Equatorial a indenizar em R$ 3 mil moradores de Arroio Grande afetados pela falta de energia elétrica após o temporal de março de 2024. Na época, o município da região sul permaneceu quase um mês sem luz após as fortes chuvas. 
O governo do Estado assinou um acordo com a empresa Edge para estruturar um projeto de gás natural em Rio Grande. O investimento inicial é estimado em R$ 1 bilhão, valor que deve crescer ao longo do desenvolvimento do projeto.
Em agenda na capital, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho declarou que Porto Alegre tem potencial para se tornar um “grande hub” tecnológico de data centers. À GZH, Filho destacou que a atração deve ocorrer também em função da construção do cabo submarino internacional Malbec, no litoral.
Juremir sobre a relação entre Grêmio e Internacional, e a situação atual dos clubes: “Vai ser preciso voltar às raízes sem regredir no tempo, incorporando modernidades sem, contudo, cair no conto da vira-latice que desfigura.”

CULTURA

OSPA convida American Brass Quintet para concerto e recital

Foto: Matt Dine

Reconhecido mundialmente como um dos conjuntos de câmara mais relevantes da atualidade, o quinteto norte-americano American Brass Quintet desembarca na capital gaúcha para participar do concerto sinfônico Metais e Mitos, na sexta-feira (2/10). O conjunto também realiza duas atividades gratuitas: uma masterclass, na quinta (1º/10), e um recital, no sábado (3/10). Será a segunda visita do grupo a Porto Alegre, 50 anos após a primeira, em 1976. Saiba mais aqui.


Muito obrigado pela sua leitura! Quem apoia a Matinal segue conosco com uma curadoria de agenda cultural para o final de semana. Quer ler agora? Então apoie e leia hoje mesmo! Até a próxima edição!