Bom dia! Hoje a repórter Valentina Bressan publica os apontamentos de um relatório elaborado por deputadas gaúchas a respeito dos feminicídios no Rio Grande do Sul. O cenário indica que é necessário aprimorar – e muito – a estrutura para a redução da violência contra a mulher no estado.
Já Tiago Medina esteve no Gasômetro, onde, num ato permeado por um clima de colaboração, governo do estado e prefeitura assinaram a cessão do espaço ao município, que se comprometeu a reabri-lo em breve, por meio de um edital antes da PPP do local.
O estrondoso show de Bad Bunny no Super Bowl segue repercutindo, agora na coluna de Juremir Machado da Silva. Em âmbito local, nossa equipe de cultura destaca a exposição de Valdson Ramos no Instituto Ling.
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Três em cada quatro cidades do RS não contam com atendimento especializado a mulheres
Para denunciar a violência do ex-companheiro, Juliana Proença, moradora de São Gabriel, teria de percorrer 115 quilômetros até Santa Maria, onde há uma Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM). Na cidade onde ela morava, não existe nenhuma DEAM. Juliana foi assassinada durante o feriado de Páscoa em 2025, quando 11 mulheres foram vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul.
A indignação com a brutalidade dos feminicídios daquele período levou seis deputadas federais gaúchas a formarem uma Comissão Externa sobre os Feminicídios ocorridos no Rio Grande do Sul. Nesta terça-feira, os resultados da comissão foram apresentados na Assembleia Legislativa do RS, pelas deputadas federais Fernanda Melchionna (PSOL), que coordenou os trabalhos, e Maria do Rosário (PT), que atuou como relatora.
A partir de reportagens e audiências públicas, a equipe encontrou o que se qualificou como um vazio de políticas e serviços especializados no estado, o que permite que tragédias como a da Páscoa do último ano se repitam: até o momento, em 2026, 13 feminicídios já foram registrados no RS, um a cada três dias. O relatório aponta que 77,1% dos municípios gaúchos não contam com atendimento especializado.
“Identificamos uma descontinuidade de políticas públicas no Rio Grande do Sul, que se reflete em uma desarticulação. Não temos uma política pública estruturada”, apontou a deputada Maria do Rosário. Para a secretária nacional de Enfrentamento à Violência do Ministério das Mulheres, Estela Bezerra, a situação do RS é de extrema inadequação dos serviços.
A secretária da Mulher do governo estadual, Fábia Richter, disse sentir falta de “transversalidade” no relatório. “Reitero o compromisso da secretaria em construir uma pauta verdadeira, voltada para evidência científica, com dados da realidade do RS, independente de questões políticas”, disse ela, que afirmou que a pasta já contatou mais de 370 municípios gaúchos a fim de solicitar a definição de “pontos focais” para receber denúncias de violência.
Leia a reportagem completa:
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Em clima afável, governo formaliza cessão do Gasômetro à prefeitura
Passados seis meses de reuniões e discussão judicial, o governo federal e a prefeitura de Porto Alegre formalizaram ontem o acordo de Cessão de Uso em Condições Especiais da Usina do Gasômetro. A medida viabilizará a reabertura definitiva do espaço, que desde 2017 esteve em reformas ou fechado. O acordo entre as esferas de governo vai viabilizar a iniciativa do município de realizar uma Parceria Público-Privada no local, mas com novos termos e fiscalização por parte da União, que é a proprietária do imóvel.
Nas próximas semanas, um edital de transição, a cargo da Secretaria Municipal da Cultura, será lançado a fim de que o Gasômetro volte a receber eventos ainda neste semestre. A vigência deste edital provisório vai até o novo gestor, via PPP, assumir, algo que é esperado ainda para este ano.
A cerimônia de assinatura da cessão contou com a presença do prefeito Sebastião Melo (MDB) e da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Ester Dweck, além de outras autoridades à esquerda e à direita do espectro político da capital. “O que nos moveu aqui foi o interesse público”, disse o prefeito, em tom compartilhado pelos presentes.

Pesquisa do Serasa calcula custo médio de vida dos brasileiros
Levantamento inédito do Serasa contabilizou que o custo médio de vida mensal no Rio Grande do Sul é de 3.360 reais, abaixo do índice em nível nacional, calculado em 3.520 reais. Pela pesquisa, o RS é o 10º mais caro do país, empatado com Mato Grosso e Minas Gerais, e atrás de Paraná e Santa Catarina, que também integram a Região Sul. Compras de supermercado, contas recorrentes e moradia são as despesas que mais pressionam o orçamento das famílias. No recorte apenas de moradia, o RS teve o sexto maior valor entre os estados, segundo a pesquisa, com custo médio de 1.190 reais.
“Quando as despesas essenciais ocupam uma fatia tão grande do orçamento, sobra menos espaço para ajustes e imprevistos. Isso torna o planejamento financeiro ainda mais necessário”, comentou Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
O levantamento aferiu que apenas 19% dos brasileiros consideram fácil gerenciar pagamentos e despesas do dia a dia. Ainda assim, apenas um em cada dez considera mudar de cidade neste ano para reduzir despesas. A pesquisa da Serasa entrevistou 6.063 pessoas em todo o Brasil, entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026.
O prazo final para a atualização da Carteira de Identidade Nacional (CIN) no Brasil termina em 2032, porém mais de 11 mil gaúchos já solicitaram o novo documento sem sair de casa. Desde junho de 2025, o governo do RS disponibiliza um sistema por meio do qual a nova CIN pode ser requisitada pela internet. A iniciativa foi criada para digitalizar parte importante do processo de emissão, incluindo o preenchimento de dados e envio de comprovantes.
Para usuários que já possuem uma versão do documento emitida no estado, a tarefa é simples: basta acessar o site identidadefacil.rs.gov.br, ou então usar o celular, por meio do aplicativo Identidade Fácil. Ainda obrigatória, a etapa presencial não foi totalmente descartada, e depois da solicitação o cidadão deve comparecer a um posto de identificação para realizar a coleta biométrica de digitais e a fotografia. Confira aqui os detalhes do processo de emissão.
OUTRAS NOTÍCIAS
Há quase dois meses sem titular, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre ficará nas mãos de Susana Kakuta, indicada pelo PL.
Os sindicatos dos Rodoviários e das Empresas de Ônibus da capital firmaram acordo sobre reajuste salarial, considerando a inflação, o que também vai aumentar o vale-alimentação dos trabalhadores.
Aliás, durante o evento no Gasômetro, ontem, o prefeito Sebastião Melo disse que anunciaria o reajuste da tarifa dos ônibus hoje. Em sua agenda, nada constava a respeito, até a noite de ontem.
A rede de lojas de conveniência Alegrow vai encerrar as operações de três unidades espalhadas pela capital, após registrar prejuízo financeiro nos locais.
A venda de ingressos para o show de abertura da Fly 51 já começou. A inauguração do que será o maior centro de eventos da capital, próximo ao aeroporto Salgado Filho, está prevista para março.
No ano passado, 53,6 mil imigrantes tiveram a carteira assinada no RS. O cenário pode ser explicado pela redução da natalidade, o envelhecimento da população e a escassez de mão de obra no estado.
Ao mesmo tempo, os pedidos de demissão voluntária aumentaram no RS em 2025. Dos 1,5 milhão de contratos com carteira assinada encerrados no estado, 41% tiveram iniciativa dos trabalhadores.
Há dez anos o passivo de precatórios do RS é superior a 16 bilhões de reais. Em 2025, o governo gaúcho conseguiu reduzir o estoque nominal pela primeira vez em quatro anos, pagando 2,8 milhões de reais.
Juremir faz um elogio à performance do porto-riquenho Bad Bunny, que se apresentou no intervalo do Super Bowl no último domingo.

CULTURA
Valdson Ramos traça paralelos entre arte, religião e cultura jesuíta no Instituto Ling

Quem visitar o Instituto Ling até 21 de fevereiro (exceto no período de Carnaval, entre os dias 14 e 17) pode conferir o mural de grandes dimensões criado por Valdson Ramos para conectar a cultura do Rio Grande do Sul com a do Centro-Oeste do Brasil. A intervenção do artista goiano faz parte do projeto Ling Apresenta: Quando as Fronteiras se Dissolvem, com curadoria de Paulo Henrique Silva, e pode ser contemplada de segunda a sábado, das 10h30 às 19h, com entrada franca. Saiba mais aqui.
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