Devo desculpas aos motoristas de ônibus de Porto Alegre. Achava-os antipáticos, para não dizer grosseiros, ao vê-los ignorar o apelo de passageiros pedindo que abrissem a porta do ônibus para acessá-lo. Presenciei essa cena inúmeras vezes e generalizei a falta de gentileza para todos eles. Eu mesmo passei por isso, um motorista fingindo que não me via enquanto eu acenava freneticamente para ele.
Não é que descobri o contrário? Eles são gentis. Outro dia usei minha condição de idoso e fiquei embretado entre o pouco espaço entre a roleta e o motorista. Como não tenho o cartão TRI de Isenção não pude ultrapassar a roleta e aproveitar os inúmeros assentos vazios da parte de trás. Não quis pagar, estava em modo ver como o sistema funciona. Fora a ginástica para me manter de pé nos trancos da viagem, foi proveitoso, aprendi o que não sabia.
Uma senhora do lado de fora, correndo, acenou para o motorista que já tinha aberto e fechado a porta no início da longa parada de ônibus. Como eu esperava, e imagino que todo mundo que tenha uma boa educação também, vi o motorista parar e reabrir a porta para a senhora subir agradecendo. Foi aí que ele disse, com o cenho franzido, contrariado: “não posso abrir a porta duas vezes, sou multado”. Mas abriu, não resistiu ao impulso gentil que lhe é próprio. Mil desculpas, motoristas dos ônibus de Porto Alegre!
Ao mesmo tempo que fiquei satisfeito, a cena me indignou. Como assim, não pode recolher os passageiros na parada? Que raio de sistema de transporte é esse que despreza o passageiro que lhe dá razão de ser?