Prudêncio Final é estatístico e analista político. Segundo ele, há algo no ar. Pode ser apenas uma teoria da conspiração. Salvo se for uma intuição alertando para o perigo de o escorpião atacar novamente.
Todos conhecem a anedota do sapo e do escorpião.
O escorpião pediu uma carona ao sapo para atravessar um rio. Na metade do percurso, não resistiu à sua natureza e picou o sapo. Na manchete do jornal da aldeia saiu: “Escorpião não suportou pregação comunista”.
Manchete do UOL, braço digital da tradicional Folha de S. Paulo: Datafolha: Flávio se consolida e empata com Lula no 2º turno.
Onde está o problema? Notícia é notícia. Mais ou menos. O problema está no “consolida-se”. O jornalismo sempre tem como embutir a sua opinião.
O verbo dicendi, por exemplo, serve para isso. É o famoso "disse ele" colocado depois de fechar aspas para encerrar uma declaração. “O sapo era vermelho”, disse o escorpião antes de se afogar.
Alguns não se contentam com essa suposta neutralidade do verbo dizer. Então, pelo colorido da coisa, capricham no dicendi: denunciou ele.
Caldas Júnior, fundador do Correio do Povo, era adepto de um jornalismo mais descritivo, ainda que o pai dele tenha sido executado em Desterro, hoje Florianópolis, pelas forças de Floriano Peixoto. Em uma das polêmicas que não conseguiu evitar, disparou um dicendi original:
– Defecou ele.