José* acorda por volta das 6h, se arruma e pega o ônibus que o leva da zona sul de Porto Alegre até a escola pública onde estuda. Uma hora na condução, tempo em que aproveita para cochilar. Acompanha as aulas das 7h30 às 12h30 e vai direto para o trabalho como auxiliar de cozinha em um restaurante. Dá tempo de almoçar e de descansar um pouquinho (o chefe permite), antes de começar a rotina que se estende das 15h às 23h. Depois, mais um ônibus para casa. Já passa da meia-noite e, no outro dia, começa tudo de novo.
Aos 18 anos, José estudava no segundo ano do Ensino Médio quando o entrevistei. Foi uma das conversas mais interessantes e ao mesmo tempo difíceis que tive como pesquisadora em educação. O jovem contou que trabalha seis dias por semana, com apenas um domingo de folga no mês. Lamentou que aos fins de semana, enquanto outros da mesma idade estão indo a festas, aproveitando a vida, ele está lavando os pratos dos clientes ricos do restaurante.