Vivemos num mundo cada vez mais opaco, sem utopia nem poesia. As utopias foram declaradas caducas. A poesia precisa ser tão discreta que teme não ir até o final da linha. A literatura não pode expressar ideias. Um romance maravilhoso como A idade da razão, de Jean-Paul Sartre, é considerado chato. Afinal, não tem barroquismo de linguagem e não se envergonha de ser cerebral. Já quase não há grandes pensadores em vida.
Boa parte dos intelectuais se contenta em requentar o que sobrou do marxismo. Outra parte prefere adotar uma postura moral e ficar distribuindo pontos e atestados de idoneidade aos escritos alheios. Pensar não era isso.
Em A idade da razão, Mathieu, um professor de filosofia, procurava dinheiro para bancar um aborto da amante, Marcelle. Era sobre fazer escolhas, marca da liberdade incontornável do ser humano como indivíduo.