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Jornalismo ou torcida: quem está falando?

Opinião, paixão e informação misturadas, e a necessidade de saber quem está falando

Jornalismo ou torcida: quem está falando?
Baldasso, Bagé e Farid. Imagem gerada por meio de Inteligência Artificial

A chegada das redes sociais colocou o torcedor no centro do debate e mudou a linguagem do jornalismo esportivo. Dali nasce o chamado jornalismo identificado. E, na sequência, algo diferente: o canal de torcedor, que não tem necessariamente compromisso com o jornalismo, mas com o clube do coração. São coisas distintas. O problema é que muita gente mistura tudo. Saber separar virou uma habilidade básica para quem consome conteúdo.

Esse movimento não começou só na internet. A grande mídia abriu esse caminho quando deixou o jornalista de lado e passou a apostar quase exclusivamente em ex-jogadores. A linguagem mudou, o nível caiu em vários casos e a mediação desapareceu. Hoje, qualquer um que goste de futebol se sente apto a analisar, comentar e transmitir.

E aqui entra um ponto que precisa ser dito com clareza. Todo mundo pode fazer o que quiser. Pode torcer, pode comentar, pode abrir um canal, pode transmitir jogo, pode dar opinião sobre tática, gestão, arbitragem. Não há problema algum nisso. Pelo contrário, faz parte do ambiente aberto que a comunicação se tornou. O erro não está em fazer. O erro está em não saber exatamente o que se está fazendo.