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Menos pensamento crítico e mais soft skills marcam a "nova" educação pública gaúcha

A rede estadual de ensino abre mão do conhecimento porque, supostamente, ele seria demasiado abstrato e afastado da "vida real”. O resultado é a formação de jovens incapazes de refletir criticamente sobre a estrutura de opressão do tempo, dos corpos e das ideias

Menos pensamento crítico e mais soft skills marcam a "nova" educação pública gaúcha
Imagem: Freepik

Estudantes que ingressarem este ano no Ensino Médio em Tempo Integral na rede estadual gaúcha terão, ao longo dos três anos da etapa, sete períodos do componente curricular intitulado "Orientação de Estudos e Desenvolvimento de Habilidades Socioemocionais". Em contraponto, apenas dois de Filosofia – um no primeiro ano e outro no terceiro. Esse é apenas um exemplo dos penduricalhos que enchem a carga horária das escolas, mas retiram o essencial: o acesso ao conhecimento.

Em tempos de inteligência artificial, disciplinas que levam ao pensamento crítico, à reflexão e à criatividade são substituídas pelo treinamento de habilidades demandadas por um mercado de trabalho cada vez mais precarizado. Chamadas no mundo corporativo de soft skills, as habilidades socioemocionais reforçam a lógica da concorrência exacerbada. Na escola, estudantes aprendem que precisam ser empreendedores, flexíveis e resilientes. Os que melhor conseguem se adaptar são premiados pelo governo, como é o caso do bônus pelo desempenho nas avaliações em escala. Os que "fracassam" viram números em tabelas que se proliferam, levando professores e equipes diretivas à exaustão.