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Missões jesuíticas, 400 anos

Em 3 de maio fez quatro séculos a redução de São Nicolau

Missões jesuíticas, 400 anos
Foto: Victor Hugo Mori / Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Certa vez, em Paris, Dominique Fernandez, que se tornaria membro da Academia Francesa, distinção para poucos e capazes de pensar ou escrever bem, salvo exceções, me disse, num jantar, que as Missões Jesuíticas eram o patrimônio mais extraordinário do sul do Brasil. Ele havia lançado um lindo livro intitulado O ouro dos trópicos: passeios em Portugal e no Brasil barrocos, que convenci meu amigo Luís Gomes, da Sulina, a publicar. Tempos depois convidei Fernandez e seu petit ami Ferrante Ferranti, um grande fotógrafo, a virem a Porto Alegre.

Não houve tempo, porém, de levá-los às ruínas de São Miguel ou algo não saiu como o planejado e a viagem até lá não se realizou. Estranho como a gente começa a esquecer de detalhes antes tão vivos. Fernandez havia cometido um erro no livro, do qual já falei algumas vezes, ao dizer que no Brasil não se comia carne de ovelha por causa de alguma interdição, que supunha de ordem religiosa ou equivalente.

Foi esse o motivo que levou Michel Maffesoli a nos reunir num jantar na sua casa. Durante o encontro, que durou até passado da meia-noite, Dominique Fernandez nos encantou com seus conhecimentos de viajante ou de quem se preparava longamente para alguma viagem próxima ou possível, em especial sobre as Missões Jesuíticas, que sonhava conhecer. Em algum momento, ele disse: “Foi uma utopia fantástica”.