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MPF-MG quer dar aulas de português

Rede Globo seria multada por dizer récord e não recorde

MPF-MG quer dar aulas de português
Imagem: Reprodução / Redes sociais

No segundo capítulo sobre leituras midiáticas espantosas, mais uma. Um procurador do Ministério Público Federal de Minas Gerais entrou com uma ação civil pública para ensinar português a alguns apresentadores da Rede Globo, entre os quais o novo apresentador do Jornal Nacional, o dinâmico Cesar Tralli.

O que está errado no português do Tralli, meu Deus?

Ele diz récord em vez de recorde.

Só para lembrar, como faz o MPF-MG na sua ação, recorde em português é uma palavra paroxítona. A sílaba tônica cai em cor, não em re.

Temos proparoxítonas, paroxítonas e oxítonas.

Alguém aí matou essa aula? Cuidado com o Enem da terceira idade!

Franceses, por exemplo, pronunciam quase tudo como oxítono, com a sílaba tônica no fim: Ronaldô, Romariô e por aí vai. Mas não tudo.

Professor durão, o MPF quer ferrar a Globo em R$ 50 mil por dia em caso de insistência no erro. Além disso, como lição de casa, pede uma indenização mínima de R$ 10 milhões por danos ao patrimônio cultural da Língua Portuguesa. Só faltou mandar para trás da porta, ajoelhado no milho.

Essa história me fez pensar num velho radialista que só aceitava que se falasse hidrelétrica, rejeitando violentamente o uso de hidroelétrica.

Acontece que os dois estão certos. Ele não suportava, porém, essa coisa de mais de uma pronúncia. Para ele, isso anarquizava a língua.

Queria uma língua que fizesse ordem unida e marchasse de passo certo. O pessoal do fundo da sala botava a língua para ele, que exclamava:

– Hidroelétrica, ora essa!