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Não Assine, governador

Não Assine, governador
Foto: Maria Ana Krack / PMPA

Li que o governador Eduardo Leite vai assinar, em março, contrato com a única empresa que se apresentou ao leilão do Cais Mauá. Na verdade, uma micro empresa que tem sede na nuvem e se consorciou com uma imobiliária da Praia Grande de São Paulo. Nada poderia ser mais simbólico da distância que separa, nesse caso, governo de governados. O poder decisório sobre o antigo porto vai ser transferido para a iniciativa privada. O governo toma distância de um assunto que é extremamente importante para a identidade de Porto Alegre.

O tamanho da empresa ou a localização de sua sede e sócios não é o mais grave. Muito pior é entregar para terceiros três quilômetros da fachada norte do Centro Histórico de Porto Alegre: aquela que ficou escondida atrás do Muro da Mauá. Do muro que não é muro no sentido tradicional de divisor de propriedades, é apenas um dique vertical de concreto colocado no eixo de uma avenida. Poderiam tê-lo feito permeável à circulação de automóveis e pedestres em todas as esquinas. Não o fizeram porque vivíamos sob ditadura militar e essa arbitrou que o porto devia ser área de segurança nacional. Usaram a necessidade do dique para fazer um muro que isolou a área portuária da cidade. 

No lado par da Avenida Mauá — esse que a gente não vê — havia prédios administrativos, armazéns, depósitos, frigorífico, fábrica de gelo e uma linda praça. Podia-se caminhar livremente por ali, embarcar e desembarcar de barcos de passageiros, resolver negócios, buscar encomendas e tudo o mais, ou quase, o que se fazia e se faz do lado que continua acessível.